Ambiente: salvar a Terra frente às mudanças climáticas

D.R.

COP24: Enfrentar o aquecimento global

Reunião da COP25 será no Chile, em novembro 2019. 

Cerca de 30 mil pessoas e mais 500 voluntários, representantes de perto de 200 países reuniram-se na Conferência da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP24), de 11 a 14 de dezembro 2018, em Katowice, na Polónia, e definiram executar regras que permitem a implementação do Acordo de Paris. A decisão foi unânime.

A partir de 2020, as nações signatárias deverão trabalhar juntas para enfrentar o aquecimento global. Todas as nações, incluindo os países em desenvolvimento, devem pormenorizar os esforços em curso para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. 

Outra decisão é que as nações industrializadas informem as Nações Unidas da ajuda financeira que planejam fornecer aos países em desenvolvimento. 

Chile será o país-sede da COP25, a realizar de 11 a 22 de novembro de 2019, na América Latina.

Guterres deixa  um recado: “Não desistam”. 

Ter audácia para um mundo mais seguro. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, deixou à Conferência, em Katowice, uma nota pedindo aos participantes que “não desistam”. “Encorajou vivamente” a todos para serem ousados, francos, aumentem a ambição climática e façam da Conferência um sucesso. 

A presidente da Assembleia Geral, Maria Fernanda Espinosa, questionou o que faltava para tomar as medidas necessárias num mundo que está vendo que a mudança climática “destrói países inteiros” e sabendo que existe tecnologia para impedir esse fenómeno. A presidente da AG, quer que o evento simbolize audácia, coragem e decisão na construção de um mundo seguro e sustentável para todos hoje e para as gerações do futuro.

A expectativa é que a reunião na Polónia defina estratégias para implementar a visão de futuro zero carbono do Acordo de Paris.

Igrejas cristãs querem ajudar a salvar o mundo

Vaticano deixa alertas para consequências do aquecimento global. 

O Vaticano e o Conselho Mundial das Igrejas levaram à COP24 mensagens em defesa da preservação do ambiente e contra as consequências do aquecimento global.

A Santa Sé levou uma delegação à Conferência sobre o Clima e dirigiu-se diretamente aos participantes, convidando todos a ouvir “o grito da mãe Terra”, com particular atenção “às pessoas mais vulneráveis por causa das mudanças climáticas”.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, esteve na Polónia para pedir “vontade política” na aplicação das soluções recomendadas pelos especialistas, na defesa da natureza, dos Direitos Humanos e dos mais pobres.

“Todos os governos deveriam esforçar-se por honrar os compromissos assumidos em Paris para evitar as piores consequências da crise climática”, assinalou Francisco, perante os participantes no simpósio internacional ‘Salvar a nossa casa comum e o futuro da vida na terra’, por ocasião do 3.º aniversário da encíclica ‘Laudato Si’.

O Papa Francisco apresentou “três pilares” para o programa de trabalho: um fundamento ético “claro”; um compromisso de promoção da dignidade da pessoa humana, e uma atenção constante às necessidades de hoje e de amanhã.

O Conselho Mundial de Igrejas, a Federação Luterana Mundial e a ‘Act Alliance’, que representam mais de 500 milhões de cristãos no mundo inteiro, pedem aos líderes presentes na COP24 uma renovada solidariedade global.

“Não podemos perder mais tempo. É chegado o momento de agir”, afirmou o Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Olav Fykse Tveit.

Das instituições presentes na Polónia esteve, de Portugal, a Fundação Fé e Cooperação, ligada à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

O cuidado da terra, das pessoas e da sociedade

Ouvir o grito da mãe terra. 

Num documento, assinado em outubro 2018, em Roma, pelos presidentes de seis confederações continentais das Conferências Episcopais, em defesa de ações políticas e da comunidade internacional contra os efeitos das alterações climáticas, os signatários apelaram ao “cuidado da terra, das pessoas e da sociedade”.

“O grito da mãe terra, em relação ao uso que dela fazemos e até à destruição em curso, é equivalente ao grito que vem da humanidade, da sociedade que precisa de ser também ela acordada, para que não se cometa este suicídio”, sublinharam.

Pontos centrais da proposta: a limitação do aquecimento global a 1,5 graus celsius, a adoção de estilos de vida sustentáveis, o respeito pelas comunidades indígenas, o fim da era dos combustíveis fósseis, com a transição para formas renováveis de energia, a reforma do sistema agrícola, para um fornecimento saudável e acessível de alimentos para todos.

A declaração teve o apoio das redes católicas CIDSE, Caritas Internationalis e Movimento Católico Global pelo Clima.