Jovens, namorados, casados e consagrados

D.R.

A Jornada mundial dos jovens, o oitavário de oração pela unidade dos cristãos e o dia dos consagrados são oportunidades para ler os sinais dos caminhos e da procura para se encontrar com Cristo na unidade e fidelidade.

Será que hoje crianças e jovens estão mais no centro das atenções por serem menos? E os idosos mais esquecidos por serem cada vez mais, segundo o princípio de que se fala mais do que falta?

Com efeito, a Jornada do Panamá envolveu grande mobilização e empenhamento em linha com o sínodo do discernimento vocacional. A busca, o encontro e a decisão de ficar com Cristo constituem apelos e passos exigentes nas caminhadas de namoro, noivado, matrimónio e consagração.

Por outro lado, a busca, encontro e a unidade com Jesus Cristo é a graça pedida no oitavário de oração.

A caminhada de crescimento na vida cristã enfrenta inúmeras encruzilhadas, interrogações, pausas, hesitações de procura sobre qual é o sentido acertado para que se atinja o encontro desejado.

As encruzilhadas para o noivado-casamento e para a vida consagrada são semelhantes, embora diferentes. Enfrentam-se questões a responder, conhecimento recíproco prévio à escolha no desejo de verdade, buscas repetidas de caminhos, apelos que facilitam o avanço, hesitações perante escolhas e decisões acertadas.

O importante é aproximar-se e encontrar a pessoa conhecida a quem se entregar com amor recíproco. Não bastam simpatias, seduções, admiração para possíveis parceiros e modelos. Virá o momento em que é preciso escolher na exclusividade e evitar os duplos e triplos apegos. E nunca deixar de fora o primeiro a amar, Jesus Cristo, subordinando na fidelidade a Ele, a escolha de noivado e do instituto de consagração.

No caso de matrimónio e do com-sagrado por Cristo, outro amor a qualquer pessoa não pode ser de natureza sexual. Pelo noivo(a) e pelo Noivo Jesus Cristo deixa-se tudo o que impede a unidade.

Nos noivados entregar-se a uma pessoa em reciprocidade sexual exige deixar o pai e mãe e deixar qualquer outro parceiro ou parceira que impeça viver na verdade do amor exclusivo matrimonial e sacramental.

A vida dupla alimentaria a ilusão de escolha exclusiva de noivo(a) e a decisão de serem “uma só carne” em unidade de duas pessoas de sexos diferentes. Na consagração com o Noivo Cristo a vida dupla só pode ser de infidelidade. As vidas duplas de católicos baptizados tornam-se mentira tanto no casamento como na vida dos consagrados em relação a Cristo. O discernimento destina-se a realizar o encontro de união na fidelidade, em consciência e liberdade, sem a ilusão de poder dizer sim e não ao mesmo tempo com o coração dividido.

Tanto entre noivos e casados, como entre consagrandos e consagrados, os apegos e dependências sexualizadas a terceiras pessoas, reduzem-se a falso discernimento, por incapacidade psicológica ou por fingimento culpável.

O relacionamento amoroso com mensagens e encontros frequentes, porventura quase diárias, a pessoas segundas, podem levar a admitir o facto de que se vivem vidas duplas na infidelidade. E na ilusão vivem igualmente os jovens e adultos que em vésperas do sacramento do crisma consideram que já escolheram e são fiéis a Cristo; e contudo nem uma vez por mês se encontram com Ele na oração, na prática dominical; e se mantem longe, anos seguidos, sem o sacramento da confissão e da comunhão em estado de graça. E se lhes perguntam se o seu namoro é de amor verdadeiro, mesmo sem encontros frequentes e sem se falarem por longos períodos, só então, por analogia, caiem na conta que a sua relação de amor com Cristo está muito próxima da mentira e de falta de amor.

De facto, tanto o encontro e fidelidade no matrimónio, como na consagração se baseiam numa relação exigente de amor e fidelidade. Jesus foi muito claro quando insistiu “se quiseres seguir-me, deixa tudo primeiro e segue-me”. E também quando disse a Natanael que ele era um jovem de louvar por o procurar sem fingimento e sem mentira. O discernimento e decisão de amor só se conciliam com as palavras de Cristo na verdade, na liberdade e na fidelidade. No seu caminhar para Cristo os jovens não precisam que lhes ofereçam um ideal adocicado para os aliciar. Se o vinho novo que é Cristo for falsificado, fica-se sem vinho de qualidade para selar as bodas de casamento e consagração, como nas de Canaá.

Para não se deixarem levar pelo engano os jovens são convidados a ser sinceros e verdadeiros com os mestres de confiança e mais ainda com os confessores. Tantos mal entendidos e infelicidades se evitariam se o discernimento se fizesse sempre à base de amor a Cristo e à verdade! A verdade vos fará livres!