JMJ 2019: Jovens, multiplicai a esperança com ousadia

O Papa Francisco celebrou uma liturgia penitencial no centro de recuperação de menores Las Garzas de Pacora, Panamá, 25.01.2019 | Foto: Vatican Media

Um acontecimento inesquecível num convite a amar

Uma Jornada que fica no coração

No final da tarde de domingo, dia 27, o Papa deixou o Panamá. Com saudades. Foi uma visita inesquecível a este pequeno país da América Central que acolheu Francisco e os milhares de peregrinos que participaram na  JMJ 2019.

Foi daqui que partiu a evangelização para o resto do continente e aqui foi ereta a primeira Diocese em “terra firme”.

Francisco veio como pai e pastor, trazer um alento e um encorajamento especialmente à juventude deste lado do Oceano.

Podíamos resumir sua viagem na palavra “esperança”, uma esperança levada por suas palavras e gestos ao que parecia perdido, ao que parecia não ter saída: visitando o centro de recuperação de menores (que fez correr lágrimas a jornalistas), o centro de doentes de HIV, a atenção dad aos graves problemas do continente americano: conflitos, genocídio dos povos indígenas, vítimas do tráfico humano e de droga, e o estar atento aos massacres e atentados que ‘ensombraram’ a Igreja como os assassinatos em Jolo, nas Filipinas (no mesmo dia da despedida), e as tragédias da Venezuela, da Colômbia e do México. Papa quer estar presente junto de todas as vítimas, com sua ternura e carinho de pastor. Não julgou, não repreendeu, simplesmente manifestou amor.

Esta Jornada tinha o lema do “Sim”. E dizer sim ao Senhor é ter a coragem de abraçar a vida com amor. 

Nos discursos e homilias, falou de imigração, de pecados da Igreja, de miséria, de crianças não nascidas, de violência,  de corrupção: “é preciso ter a ousadia de criar uma cultura de maior transparência entre governos, setor privado e população.”

Conhece bem as dificuldades enfrentadas pelos jovens, mas também conhece o seu grande potencial de bem e é este potencial que procura despertar, para que neste mundo possa brilhar a sua capacidade de contrastar a indiferença, o egoísmo e a mentira.

Usou expressões simples acessíveis aos seus interlocutores. Disse que Maria foi a maior ‘influencer’ da história, mesmo não usando redes sociais.

Ao agradecer aos voluntários antes de partir, disse que eles quiseram “dar o melhor de si para tornar possível o milagre da multiplicação, não só dos pães, mas da esperança. Precisamos multiplicar a esperança.” Uma Jornada Mundial é sempre comunhão. É festa. É partilha. Fica no coração. 

Funchal: Jovens convidados a «passar à ação»

Na alegria de viver a vocação de amar 

O SDPJ-Funchal dinamizou uma vigília de oração onde os jovens foram convidados a “passar à ação”, como Maria e o seu “sim”, sintonizados com a JMJ 2019.

“Se Maria tivesse recebido o sim e tivesse guardado para ela Jesus, não cumpria a promessa e a vontade de Deus, que era ser um Deus de amor para todos”, disse o padre Carlos Almeida, na igreja da Nazaré.

O assistente espiritual do SDPJ-Funchal afirmou que “é preciso fazer silêncio interiormente”, para que cada um “se encontre com Deus” que questiona sobre os ‘sims’ ao longo da sua vida.

Explicou aos jovens que quando encontram Deus têm de lhe dizer o ‘sim’ e dar testemunho de “ser a luz de mundo”, “sem medo”, com a “alegria de ser mais um neste mundo, que vive a sua vocação de amar a Deus, e aos outros”.

Um encontro que deve ser pessoal e comunitário. “É preciso este encontro aqui neste banco, em torno da mesa lá de casa, no café com os amigos”.

Na vigília realizada na noite de sábado, os participantes também ouviram o testemunho de Marisa que participou na Jornada de 2011.

Destacou: a Missa de abertura, presidida pelo Papa emérito Bento XVI, as catequeses, o “encontro de portugueses” e a “experiência única” que foi a vigília presidida pelo Papa, “debaixo de chuva”.

Porto: «Panamá in Douro»

Bispo desafiou jovens a serem «construtores de pontes»

O bispo do Porto, D. Manuel Linda, desafiou as novas gerações de católicos a serem “discípulos missionários junto dos outros jovens”, falando a mais de dois mil jovens, na homilia da Missa de encerramento da iniciativa ‘Panamá in Douro’, realizada no âmbito da Jornada JMJ 2019.

Mobilizou-os a serem construtores de pontes e “fazedores de uma nova cultura” em contraponto com a atitude de quem ergue muros

O bispo do Porto incentivou todos os jovens a serem “testemunhas de esperança” e a passarem de uma cultura do “like” (gosto) da realidade digital para o “ámen” nas suas próprias vidas.

A iniciativa começou no sábado de manhã, com catequeses e uma peregrinação. À noite, o bispo do Porto presidiu à vigília de oração, pedindo aos jovens que caminhem “cantando”, na “companhia de Maria, levando Jesus”, “sem retirar o protagonismo a ninguém” mas comunicando o Evangelho.