JMJ 2019:  «Aqui nasci de novo!» a ver os outros como próximo

Papa Francisco na "casa do Bom Samaritano", Panamá | Foto: Vatican Media

O próximo é um rosto de alguém na nossa caminhada

Papa Francisco em «O Bom Samaritano»

O Papa Francisco visitou no dia 27, o Lar O Bom Samaritano, que acolhe enfermos com HIV/Aids.  

Dirigiu um belo discurso a todos os presentes, e agradeceu as palavras que lhe dirigiu o Padre Domingo.

Para mim, estar convosco é motivo para renovar a esperança. O testemunho dum membro desta casa, que eu li, tocou-me o coração: «Aqui nasci de novo». Esta casa e todos os centros que representais são sinal da vida nova que o Senhor nos quer dar.

Aqui a Igreja e a fé nascem e renovam-se continuamente por meio da caridade.

Como nos dizia o Padre Domingo: a vida começa a nascer quando vemos os outros como próximo.

A parábola do Bom Samaritano,  é um exemplo concreto de vida real que todos vós conheceis e viveis muito bem. O próximo é um rosto que encontramos ao longo do caminho e pelo qual nos deixamos mover e comover, para lhe dar lugar e espaço na nossa caminhada. Assim o entendeu o bom Samaritano à vista daquele homem meio morto, na beira da estrada, ‘desolhado’ pela indiferença de um sacerdote e um levita que não tiveram a coragem de ajudar. A indiferença também fere e mata! 

Uns por umas míseras moedas, outros pelo medo de se contaminar, por desprezo ou aversão social deixaram aquele homem caído na estrada. 

O próximo é um rosto que incomoda maravilhosamente a vida, porque nos lembra e coloca na estrada daquilo que é verdadeiramente importante.

Estar aqui é tocar o rosto silencioso e materno da Igreja, sinal da misericórdia e ternura concreta de Deus. Criar «casa» é criar família. É sentir-se unido aos outros. Criar casa é tornar as nossas horas e dias menos rudes e indiferentes. 

É aprender a ter paciência, aprender a perdoar-nos, e a recomeçar em cada dia. 

Deste modo se concretiza o milagre de experimentar que, aqui todos nascemos de novo, porque sentimos a eficácia da carícia de Deus que nos permite sonhar o mundo mais humano e mais divino.

Obrigado a todos pelo vosso exemplo e generosidade, às vossas Instituições, aos voluntários e  benfeitores. 

Ao rezarmos o Angelus, confio-vos à Virgem Maria, nossa Mãe de ternura, para que nos ensine a estar atentos para descobrir cada dia quem é o nosso próximo e nos encoraje a ir prontamente ao seu encontro e dar-lhe uma casa, um abraço onde possa encontrar proteção e amor de irmãos.

Condenação do atentado terrorista contra catedral nas Filipinas

Perseguição aos cristãos

Depois deste maravilhoso discurso como pastor e como amigo amigo, teve presente o ataque terrorista contra os cristãos perseguidos nas Filipinas:

“A Cristo e á Virgem confiamos as vítimas do brutal atentado terrorista perpetrado neste domingo, dia 27, na Catedral de Jolo, nas Filipinas, onde se celebrava a Eucaristia”, e que deixou 20 mortos e 100 feridos, disse o Santo Padre depois da oração do Ângelus, que rezou no Lar “O Bom Samaritano”. 

Os bispos das Filipinas também condenaram o ataque terrorista cometido.

A primeira bomba fez com que os fiéis corressem para a porta principal. Como resposta ao ataque terrorista, um destacamento de soldados se deslocou ao local, momento em que aconteceu a segunda explosão.

Este ataque contra a comunidade cristã acontece numa ilha ao sul da capital Manila, de maioria muçulmana.

O Papa Francisco reiterou, em seguida, sua “mais firme reprovação por este episódio de violência que enluta novamente esta comunidade: “Que o Senhor Príncipe da Paz converta o coração dos violentos e conceda aos habitantes daquela região uma convivência serena”, concluiu.

Homenagem a 20 cadetes mortos em ataque terrorista na Colômbia 

Papa pede paz para a Colômbia

O Papa Francisco rezou ainda, pelos cadetes falecidos no atentado perpetrado pela guerrilha ALN contra uma escola da polícia em Bogotá no último dia 17 de janeiro, e pediu pela paz na Colômbia.

Embora o Santo Padre tenha expressado sua proximidade e oração em 18 de janeiro, desta vez, fez referência ao atentado com o carro bomba no sul da capital, porque, como ele mesmo explicou, como ofertório na Missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude na manhã de domingo, levaram-lhe a lista dos cadetes que morreram na “escola de cadetes da polícia General Francisco de Paula Santander, na Colômbia, assassinados pelo ódio terrorista”. E pronunciou os nomes de todos os mortos.

Para concluir sua súplica pelos falecidos no atentado, o Papa disse: “Pedimos-te, Senhor, que lhes dês paz e que também dês paz ao povo. Amén”.