JMJ 2019: sofrimento dos fracos perante a indiferença da sociedade

Foto: Vatican Media

Via-Sacra recorda sofrimento e violência

Violência contra mulheres, migrantes e os povos indígenas

O Papa presidiu, no dia 25, à Via-Sacra na JMJ 2019, com a participação de milhares de pessoas. “Jesus continua a sofrer em tantos rostos que padecem a indiferença satisfeita e anestesiante da nossa sociedade que ignora e se ignora na dor dos seus irmãos”, disse.

Condenou a “apatia e o imobilismo” perante o sofrimento alheio. Há tantos cristos que caminham ao nosso lado”, observou.

Convidou os jovens a recordarem os “idosos abandonados e descartados”, e defendeu os “povos nativos, despojados de suas terras, raízes e cultura”.

Temos de ser uma Igreja que favoreça uma cultura que saiba “acolher”.

Evocou as famílias que vivem problemas por causa da droga, do álcool, da prostituição e do tráfico humano, do “sofrimento e miséria” numa sociedade de abundância.

Jovens de países como Cuba, Venezuela, Haiti ou Nicarágua evocaram nas reflexões que apresentaram à multidão, os sofrimentos dos pobres, dos povos indígenas, dos migrantes, dos mártires cristãos, a violência contra as mulheres, a corrupção, o terrorismo ou o aborto, além de rezarem pelo ecumenismo, pelos Direitos Humanos e o respeito pelo ambiente.

Uma bela oração do Papa:

Pai, hoje a Via-Sacra do vosso Filho prolonga-se:

* no grito sufocado das crianças impedidas de nascer e de tantas outras a quem se nega o direito a ter uma infância, uma família, uma instrução; que não podem jogar, cantar, sonhar;

* nas mulheres maltratadas, exploradas e abandonadas, despojadas da sua dignidade;

* nos olhos tristes dos jovens que veem ser arrebatadas as suas esperanças de futuro por falta de instrução e trabalho digno;

* na angústia de rostos jovens, nossos amigos, que caem nas redes de pessoas sem escrúpulos – entre elas, encontram-se também pessoas que dizem servir-Vos, Senhor –, redes de exploração, criminalidade e abuso, que se alimentam das suas vidas.

Jornada com preocupações ecológicas 

Organização quer passar à prática indicações do Papa Francisco

A JMJ apresentou preocupações ecológicas, inspiradas no Papa.

Numa Paróquia, que acolheu várias catequeses para peregrinos, a organização colocou ecopontos para reciclagem de plástico e alumínio, em vários locais da JMJ. Só nesta paróquia, foram recolhidos mais de 20 sacos de plástico, na semana. “Todos participaram muito bem” e assumiram os seus “compromissos ecológicos”, realçou a entrevistada.

A JMJ 2019 começou com gestos ecológicos e apelos aos líderes políticos para a defesa do ambiente.

Mais de 1000 voluntários internacionais retiraram restos de madeira, plásticos, pneus, colchões, tecidos, sapatos e outro lixo, na Praia Malecon. O gesto somou-se à conferência “Ecologia e JMJ”, concluída com a publicação do manifesto “Conversão ecológica em Ação”.

“Precisamos de um líder para uma revolução ecológica e esperamos que o líder seja o Papa Francisco”, disse aos jornalistas o padre Joshtrom Kureethadam, do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).

As mensagens do Papa inspiram o manifesto ecológico da JMJ, com desafios concretos, como a adesão da Igreja Católica às energias renováveis, até 2030, e o cumprimento dos acordos internacionais.

Bispos portugueses desafiam jovens a “servir” com alegria 

Catequeses reúnem centenas de participantes

Os participantes lusófonos acompanharam as catequeses orientadas, entre outros, por quatro bispos portugueses.

O presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, D. Joaquim Mendes, realçou a aposta na “realidade do acompanhamento”, já visível no Panamá. “É partilhar a vida com os jovens, no dia-a-dia, os momentos de oração, de convívio, nas diversas atividades. Estar despretensiosamente”. 

D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, destacou a sua satisfação por encontrar uma “Igreja que está muito viva, muito jovem”, no Panamá. “A partir do modelo de Maria, somos capazes de evangelizar com a mesma alegria, o mesmo ardor”, assinalou.

O responsável quis falar aos jovens da vocação “ao serviço, à missão”, com o “desafio enorme” de propor compromissos para toda a vida. “Quando Deus está no coração, a alegria é transbordante, é contagiante”, é uma alegria que “renova todos”, “na beleza, no encontro das culturas”.

D. Nuno Almeida, bispo auxiliar de Braga, considera ser necessário apostar “no desejo que os jovens sentem, de servir”, que se manifesta em vários grupos de voluntariado, por exemplo. E convidou os mais novos a ser concretos, sobretudo em defesa dos mais frágeis.

D. Manuel Felício, bispo da Guarda, disse querer apresentar proposta nova face à “contracultura” atual, com “modelos” concretos. “Vale a pena assumir o serviço aos irmãos” e “a vida só vale a pena ser vivida quando é oferta generosa aos outros”.

As catequeses, nas manhãs de quarta a sexta-feira, foram apresentadas em 25 idiomas e os temas foram propostos a partir do lema da 34ª JMJ: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra’.