JMJ 2019: Rejeitar muros e construir a unidade na cultura do encontro

Foto: Vatican Media

Papa Francisco chegou 

Panamá em festa

A espera terminou. O Panamá está em festa com a chegada do Papa Francisco. Momento esperado pelos panamianos e por milhares de jovens provenientes de todas as partes do mundo, reunidos para participar da JMJ. É a 26ª viagem internacional de Francisco.

No aeroporto internacional de Tocumen, foi recebido pelo Presidente da República Juan Carlos Varela, por todos os bispos do Panamá e por centenas de fiéis. Festa sem discursos oficiais, somente os hinos do Vaticano e do Panamá.

Deixando o aeroporto, o Papa dirigiu-se, para a Nunciatura Apostólica. Muitas pessoas ao longo das avenidas saudaram o Santo Padre.

Jovens de Portugal assumem desafio do Papa 

Francisco pediu a mobilização dos jovens na construção social

O Papa Francisco foi ontem recebido em festa pelos participantes na JMJ e deixou aos jovens o desafio à construção da unidade.

Um grupo de jovens do Patriarcado de Lisboa participou na cerimónia de acolhimento do Papa e saiu do primeiro encontro dos jovens com Francisco preocupados com o pedido: construir unidade.

“Ele falou muito da unidade dos jovens! Ainda que falando línguas diferentes e tenhamos cores diferentes, teremos que reforçar a nossa união porque senão há muros e a liberdade que existe vai deixar de existir”, disse Carolina Borges à Agência ECCLESIA. Para Mariana Almeida, a necessidade de “construir pontes” é cada vez maior, diante da “desagregação” social.

Para o padre Carlos Gonçalves, do Serviço de Pastoral Juvenil do Patriarcado de Lisboa, a JMJ é uma “continuação do Sínodo”, acentuando a escuta e também “pôr os jovens em movimento”, tendo uma “ação concreta na vida social”, acreditando que “há uma mudança possível”.

“Achei muito interessante a maneira como ele falou da união dos jovens e como é fantástico estarmos todos juntos no maior encontro a nível mundial”, lembrou Margarida.

 “O Papa pede que fiquemos unidos, que sejamos todos um. Devemos como Igreja, não criar divisões”, disse João Valdemar.

No seu primeiro contacto com os peregrinos católicos dos cinco continentes, o Papa convidou-os a “rejeitar muros”, promover a “cultura do encontro”, e pediu aos participantes no evento que mantenham vivo “um sonho comum”, com a sua fé em Jesus.

Papa desafia bispos a salvar jovens das ruas

Francisco denuncia violência contra mulheres, tráfico de drogas e «cultura de morte» 

No dia 24, Francisco encontrou-se com os bispos da América Central, e desafiou-os a salvar os jovens da violência e do crime organizado na região.

“Exorto-vos a promover programas e centros educativos que saibam acompanhar, apoiar e responsabilizar os vossos jovens: roubai-os à rua, antes que a cultura da morte, vendendo-lhes fumo e soluções mágicas, se apodere e aproveite da sua inquietação e imaginação”, declarou, na igreja de São Francisco de Assis.

O Papa recordou, além da situação dos jovens: as vítimas da “violência doméstica, feminicídio”, os “grupos armados e criminosos, tráfico de droga, exploração sexual”. Estas são as pragas do continente.

Desafiou os bispos a combater a “desertificação cultural e espiritual”, a ajudar os migrantes, os indígenas e os afrodescendentes. E lembrou as figuras do santo D. Óscar Romero (1917-1980), canonizado em outubro de 2018, no Vaticano e do arcebispo de São Salvador morto a tiro, às mãos da junta militar que dominava o país.

Neste contexto, propôs uma Igreja mais distante “dos poderosos ou da política” capaz de “caminhar sustentada unicamente pelos braços do Crucificado, que é a sua verdadeira força”. Precisamos duma Igreja da “compaixão” e da “capacidade de escutar”, e pediu aos bispos para terem sempre “portas abertas” para os padres da sua diocese.

Papa visita prisão juvenil 

Francisco preside a celebração penitencial 

O Papa presidiu ontem, em privado, a uma celebração no Centro de Detenção de Menores de Las Garças, integrada no programa da Jornada Mundial da Juventude  pela primeira vez.

A prisão juvenil está localizada em Pacora, a 40 km da capital do Panamá. 180 jovens detidos tiveram oportunidade de cumprimentar o Papa e participar na “liturgia penitencial”, refere o Vaticano.

Muitos destes jovens transportam “um passado trágico” e esperam de Francisco uma palavra de “esperança”. Este Centro é considerado uma instituição exemplar, oferecendo aos jovens detidos um percurso de “integração social integral”, com “formação profissional e humana”.

Um dos jovens pediu expressamente para se confessar ao Papa, para “transformar” a sua vida e deixar para trás o “sonho de vingança” contra os que tinham assassinado os seus familiares. Em Pacora, com 50 mil habitantes, Francisco percorreu parte do caminho em papamóvel aberto, para saudar a população.