P. Amaro Gonçalo apresenta ao clero madeirense um novo estilo de evangelização para paróquias missionárias 

Foto: Jornal da Madeira

“Paróquias Missionárias. Como?”, foi o tema da segunda conferência das jornadas de atualização do clero proferida pelo P. Amaro Gonçalo Lopes na manhã de quarta-feira, 23 de janeiro, no Seminário Diocesano.  

A partir da Exortação apostólica “Evangelii Gaudium” do Papa Francisco, este sacerdote da diocese do Porto apresentou alguns critérios para que as paróquias se tornem mais missionárias e propôs um novo estilo de evangelização.

Para que a paróquia não caia na irrelevância é necessário que esteja em contacto com as famílias e com a vida do povo “e não se torne uma estrutura complicada, separado das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos”. A paróquia tem futuro na medida em que “aceitar o desafiado se deixar renovar, de se adaptar, o que implica uma verdadeira criatividade missionária”. 

“A paróquia não é uma estrutura caduca (…) se for capaz de se reformar e adaptar constantemente continuará a ser a “própria Igreja que vive no meio da casa dos seus filhos e das suas filhas” (EG 28).

Para o P. Amaro existem três critérios fundamentais para uma paróquia missionária: proximidade às pessoas “o que implica conhecer o terreno e saber realmente o que as pessoas precisam”; comunhão e participação “o que implica superar o clericalismo e promover o protagonismo dos leigos”; missão, “de modo que não se preocupe de quem a procura mas de quem anda á procura”.

Um novo estilo de evangelização

Para que as paróquias sejam missionárias o P. Amaro Gonçalo propôs um novo estilo de evangelização. 

1. Um estilo amável e acolhedor. Igreja de portas abertas para deixar entrar e deixar sair. “O mau acolhimento, uma celebração descuidada ou uma exigência desproporcionada são uma enorme pedra de tropeço”.

“É preciso passar de uma pastoral de enquadramento e de transmissão ou reprodução (pastoral da cristandade) a uma pastoral de gestação e de proposta, de experiências e testemunho”, referiu.

2. Um Estilo dialogal de escuta, proximidade e acompanhamento. Esta capacidade de diálogo empático para que ninguém se sinta magoado. “Centrar-se mais na pessoa que faz o pedido do que no pedido que a pessoa faz”.

3. Um estilo pobre e simples. “No seu estilo de vida o discípulo já diz tudo: donde vem e ao que vem!”. Como dizia S. Francisco de Assis: “é necessário pregar o evangelho ás vezes também com palavras”.

4. Um estilo familiar. Uma paróquia com ambiente familiar torna as famílias mais missionárias.

5. Um estilo popular. A fé simples do povo e as manifestações da piedade popular devem ser protegidas contra o risco da paróquia se tornar uma estrutura complicada. Como afirma o Papa Francisco: “O povo se evangeliza continuamente a si mesmo”.

Decálogo para paróquias missionárias

A finalizar a conferência ao clero madeirense o P. Amaro Gonçalo deixou o decálogo para paróquias missionárias, inspirado pela obra “Manuel de Survie pour ler Paroisses” de James Mallon. 

1. Promover e facilitar a experiência fundamental da alegria do encontro com Cristo, que nos atrai para o Pai e nos dá a graça do Espírito Santo, que nos santifica, anima e envia em missão.

2. Cuidar da hospitalidade: acolher e alcançar a todos, a começar pelos mais distantes  e estrangeiros. Criar equipa de acolhimento

3. Um bom acolhimento na secretaria paroquial, com empatia e simpatia, com horários adaptados à realidade e às necessidades, mas com altas expetativas.

4. Dar absoluta prioridade ao domingo e á Eucaristia dominical. Despertar a comoção pela beleza da celebração.

5. Abrir o caminho da beleza no acesso a Deus.

6. Uma comunidade verdadeira e familiar, onde há verdadeira fraternidade, clima de festa, alegria do convívio, experiência de comunhão.

7. Descobrir e promover os talentos de cada um. Aproveitar os pontos fortes. Dar prioridade às pessoas e aos processos e não aos méritos e aos resultados.

8. Dar protagonismo aos leigos e superar o clericalismo.

9. Converter-se numa igreja que convida. Vide e vede.

10. Assumir o lugar privilegiado dos pobres na comunidade e o cuidado da fragilidade.