D. António Carrilho: “A oração viva e humilde da Madre Virgínia tocava o coração de Deus e de Maria”

Na Eucaristia dos 90 anos da morte da Madre Virgínia D. António falou da importância da “entrega incondicional ao Senhor”

Foto: Duarte Gomes

Celebrou-se no dia 17 de janeiro, na Igreja de Santo António, uma Eucaristia para assinalar os 90 anos da morte da Madre Virgínia, a “santa freirinha” como era carinhosamente chamada pelo povo.

A Missa foi preparada pelo Grupo de Oração pela beatificação da Madre Virgínia Brites da Paixão, tendo sido presidida por D. António Carrilho e concelebrada por D. António Montes, que tem a seu cargo a direção da Comissão nomeada para a análise teológica do Processo de beatificação, aberto em 2006, por D. Teodoro de Faria que também foi concelebrante.

Na homilia D. António recordou e agradeceu a Deus os dons com que  privilegiou “a última abadessa do Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês e filha desta Diocese do Funchal”.  O prelado recordou que Madre Virgínia faleceu aos 66 anos, “na casa de seus pais, em Santo António”, tendo sublinhado que “as suas últimas palavras expressam claramente o seu viver em profunda intimidade com Deus e o desejo ardente de uma vida plena num abraço com a eternidade: ‘vamos para o céu, vamos para o céu’ ”.

D. António recordou ainda algumas passagens da imprensa da época sobre a sua morte, na madrugada do dia 17 de Janeiro de 1929, os quais enalteciam a beleza da sua vida santa e o seu dia-a-dia de oração, na Igreja de Santo António e a sua entrega ao senhor. Este tempo, em que descia do Lombo dos Aguiares para orar, diante do Sacrário da Igreja de Santo António, “intercedendo por todos e pelas necessidades da igreja e do mundo”.

Este templo, lembrou ainda D. António, foi “testemunho ocular de admiráveis graças místicas, como podemos confirmar na magnífica pintura do Imaculado Coração de Maria, na abóbada da igreja, da autoria do mestre Luís Bernes”.

Unida por fortes laços espirituais a Santa Teresinha do Menino Jesus, Madre Virgínia, e embora nunca se tenham conhecido nesta vida, aplicava a famosa frase ‘quero passar o meu céu a fazer o bem sobre a terra’. E assim tem sido, sendo inúmeras as pessoas que “têm beneficiado da poderosa intercessão da Madre Virgínia junto de Deus”.

Num dia em que a Igreja assinalava a solenidade de Santo Antão, o prelado referiu-se à palavra proclamada, referindo que a mesma coloca-nos perante a “fidelidade e o reconhecimento” “uma vida incondicional de entrega ao Senhor, conforme a inspiração do Espírito Santo”. Sobretudo, disse, naquelas alturas da vida em que “desaparece o horizonte da esperança” e surge o “cansaço e a tristeza”,  o “desalento”.

No Evangelho somos de novo “confrontados com o seguimento radical de Jesus”.  Dirigindo-se em particular aos jovens, D. António pediu-lhes que não tenham receio de “sentir Jesus”, de “entregar-se” e de “seguir incondicionalmente o Senhor que nos ama, nos chama e nos envia para a missão”. Reconheceu que “não é fácil”, mas “não deve deixar de constituir um possível projeto de vida”.

“Como o jovem do Evangelho, também Jesus nos olha com amor e convida a permanecer com Ele, a trabalhar na Sua vinha até à entrega da Sua vida”, disse.

A Madre Virgínia, ao contrário do jovem rico, seguiu incondicionalmente Jesus, “entregou-se por inteiro”, e “permaneceu humildemente fiel” mesmo longe do seu mosteiro. “Num mundo marcado pela lógica do poder, da riqueza e do consumo, a vida monástica é sinal, memória e profecia, do amor incondicional de Deus pela humanidade”. Esta forma de consagração “é rica em fecundidade apostólica, mantém acesa a luz da esperança e da presença de Deus no mundo, qual sentinela da manhã”. De resto, prosseguiu, “a Igreja continua a confirmar a importância desta vida na construção de um mundo mais humano”. Neste contexto, “a Madre Virgínia deixou-nos um luminoso testemunho de vida, que permanece bem actual”. A sua “oração viva e humilde tocava o coração de Deus e de Maria” e “entre os numerosos testemunhos dos que beneficiavam da sua oração sobressai, de modo particular, a figura do Imperador Carlos da Áustria”.

O prelado terminou agradecendo a todos os que estão envolvidos e empenhados no processo de beatificação, em particular a D. António Montes pelo “incansável trabalho de estudo dos documentos e de preparação deste processo”, que pretende “dar a conhecer os dons da santa clarissa madeirense, que intercede junto de Deus e do Imaculado Coração de Maria pela nossa Diocese do Funchal”, entre outros aspetos,  “para que não lhe faltem vocações”.