Papa quer cristãos unidos contra «escândalo» da miséria

O Papa deu início à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na Basílica de S. Paulo fora de Muros | 18.01.2019 | Foto: Vatican Media

“Quando a sociedade deixa de ter como fundamento o princípio da solidariedade e do bem comum, assistimos ao escândalo de pessoas que vivem em extrema miséria ao lado de arranha-céus, hotéis imponentes e centros comerciais luxuosos, símbolos de incrível riqueza. Esquecemo-nos da sabedoria da lei mosaica, segundo a qual, se a riqueza não for partilhada, a sociedade é dividida”, disse o Papa na homilia da celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros em Roma.

O Papa deu início, nesta sexta-feira, 18 de janeiro, à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com o tema “Deves procurar a justiça e só a justiça” (Dt 16, 20).

Partindo do reconhecimento que “as bênçãos recebidas não são nossas por direito, mas são nossas por dom e nos foram dadas para que as compartilhamos com os outros”, o Papa apela também à participação dos dons dos outros: “devemos reconhecer o valor da graça concedida a outras comunidades cristãs”.

“É um pecado grave diminuir ou desprezar os dons que o Senhor concedeu aos outros irmãos, pensando que esses sejam de algum modo menos privilegiados por Deus. Se alimentarmos tais pensamentos, consentimos que a própria graça recebida se torne fonte de orgulho, injustiça e divisão”, afirmou o Papa Francisco.

Inspirado na leitura do livro do Deuteronómio que indica a celebração das festas da Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos, o Papa recorda que a celebração de uma festa inclui todos os membros, “ninguém pode ser excluído” e todos são iguais, “todos igualmente dependentes da misericórdia divina”.

“É fácil esquecer a igualdade fundamental que existe entre nós: que na origem todos nós éramos escravos do pecado e que o Senhor nos salvou no batismo, chamando-nos seus filhos. É fácil pensar que a graça espiritual dada seja nossa propriedade, algo que nos diz respeito e que nos pertence. Para além disso, é possível que os dons recebidos de Deus nos tornem cegos aos dons dados aos outros cristãos”.

O Papa termina dizendo que “o culto que que a justiça exige, é uma festa que inclui todos, uma festa na qual os dons recebidos são tornados acessíveis e compartilhados”.