Eleições: corrupção, falta de ética e pobreza

D.R.

Portugal: “Quem exerça cargos públicos” não deve sair “mais rico do que entrou”

Punir a corrupção e erradicar a pobreza

O Presidente da República chamou a atenção para a frustração dos cidadãos com a lentidão da justiça na punição da corrupção e pediu aos políticos que sejam um exemplo, antes e depois de exercerem funções.

Podemos e devemos ter a ambição de ultrapassar a condenação de um de cada cinco portugueses à pobreza e ter a ambição de dar ao país “mais credibilidade, transparência, verdade” às suas instituições políticas, fazendo com que “a confiança tenha razões acrescidas para se afirmar”. (Mensagem Ano Novo 2019)

“É essencial que seja normal que quem exerça cargos públicos não saia deles mais rico do que entrou, nem saia para lugares que se prestem a ser pagamento de favores anteriores, nem se rodeie de parentes e próximos”, defendeu o chefe de Estado, acrescentando: “Nem permitam a correligionários e amigos condutas em funções que são intoleráveis para o comum dos mortais.

Aos jornalistas, reforçou a mensagem: “Todos devemos fazer tudo para que se previna a corrupção e, ao mesmo tempo, quando ela existir, seja punida em tempo útil”. 

CNJP: absentismo eleitoral, desinteresse e falta de ética

A boa política: promover a vida, os direitos humanos e a dignidade das pessoas

A Comissão Nacional Justiça e Paz chamou a atenção para a oportunidade da mensagem do Papa para o 52º Dia Mundial da Paz 2019, com o título: A Boa Política Está ao Serviço da Paz. “São várias as circunstâncias que a tornam particularmente oportuna, relativa à política e à paz: o crescente absentismo eleitoral e desinteresse na participação política; a falta de ética da parte de políticos de quem se esperaria um comportamento exemplar; a marginalização de jovens vítimas do desemprego; os discursos hostis aos estrangeiros e fomentadores de ódio; a violência verbal para com adversários políticos; a persistência de guerras perante o alheamento de muitos responsáveis políticos; o comércio de armas, clandestino ou com a cumplicidade de governos indiferentes ao destino que lhes é dado». 

A boa política deve ser reafirmada como serviço à vida e dignidade das pessoas, aos direitos humanos fundamentais e à paz. 

A boa política reconhece a capacidade e os talentos de cada pessoa, encoraja os 

todos cidadãos para serem construtores da casa comum,  pois encerram em si a capacidade de libertar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais». 

A boa política promove a confiança no outro, afastando o medo manifestado em  atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão a fraternidade universal.

Setúbal: Bispo desafia jovens a votar e a rejeitar abstenção 

Contribuir para um país e um mundo melhor

D. José Ornelas diz que todos são chamados a contribuir para «um país e um mundo melhor» e apresenta 2019 como um ano que “desafia”, “cheio de eleições”, que pede a todos “responsabilidade”, “abertura de mente” e, sobretudo, “participação ativa”.

“Um cristão, um jovem, que tem idade de votar não se pode abster”, disse D. José Ornelas numa mensagem à diocese.

O bispo de Setúbal explica que não se pode “deixar que seja outro a decidir”, pelo que, “julgando as coisas à luz da fé”, todos têm de dar o contributo para “um país e um mundo melhor”.

A nível pastoral, lembra que a Igreja diocesana está a articular-se “em iniciativas muito interessantes”, como o biénio da juventude, abrangendo crentes e não-crentes. “É algo que nos há-de ocupar durante os próximos dois anos e que está a contar com a adesão das paróquias onde foi realizada a visita pastoral”, observa.

Rede Europeia Anti-Pobreza considera preocupante situação em Portugal

O risco de pobreza é preocupante

O responsável EAPN nacional, Padre Jardim Moreira, sublinhou que “não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana, é preciso ter um rendimento que possibilite satisfazer as necessidades familiares”.

A existência de 2,4 milhões de portugueses, cerca de 23% da população, em risco de pobreza “é preocupante”. É necessário diminuir as assimetrias: ‘mais pobres cada vez mais pobres e menos ricos cada vez mais ricos’. O “fosso social”, é também maior. Os benefícios sociais, o salário mínimo nacional ou o abono de família, são bons, mas insuficientes”, defendeu. Os portugueses pobres ganham um “pouquito mais” mas os impostos, o aumento dos preços aumentam “muito”. E assim se enganam, fazendo crer que estamos bem. A vida dos pobres está cada vez mais complicada.

Temos 25% de crianças pobres, em risco de “exclusão ou de insucesso escolar”. Se não combatermos as causas, com a taxa de natalidade baixa que temos, vamos ter um país muito fragilizado a curto e médio prazo”, alertou.

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza falava à margem do 10º Fórum Nacional “Trabalho digno: um alicerce para a paz social – combate à pobreza e exclusão social”, que teve lugar nas Caldas da Rainha no Dia Internacional da Erradicação da Pobreza 2018.