D. Nuno Brás quer “anunciar o Evangelho com inteireza”

D.R.

O Bispo eleito do Funchal, D. Nuno Brás, diz que recebeu a nomeação do Papa Francisco “com temor e confiança”, mas também com “a certeza de que o povo de Deus na Madeira me vai ajudar na tarefa apostólica de cuidar e aumentar a vida da fé”. Em entrevista ao Jornal da Madeira, D. Nuno Brás diz ainda que vem para a ilha “com ousadia porque hoje anunciar o Evangelho com inteireza, “sem descontos”, é sempre ir contra a moda, contra o que é politicamente correcto…” 

Jornal da Madeira Como acolheu esta nova missão que o Santo Padre lhe pede? 

D. Nuno Brás Como disse na mensagem que dirigi aos madeirenses e porto santenses, com temor e confiança. Mas também com a certeza de que o povo de Deus na Madeira me vai ajudar na tarefa apostólica de cuidar e aumentar a vida da fé naquela ilha. Não estarei sozinho: Jesus está comigo e os cristãos estão comigo.

Jornal da Madeira Diz que vem com algum temor, mas muita disponibilidade, muita confiança e sobretudo ousadia…

D. Nuno Brás Ousadia porque hoje anunciar o Evangelho com inteireza, “sem descontos”, é sempre ir contra a moda, contra o que é politicamente correcto… Foi sempre assim, mas hoje é, talvez, mais evidente. A ousadia de ser cristão, de viver um mundo novo, causa sempre estranheza ao mundo “velho”!

“hoje anunciar o Evangelho com inteireza, “sem descontos”, é sempre ir contra a moda”

Jornal da Madeira Na bagagem para a Ilha traz a experiência de 7 anos como bispo auxiliar de Lisboa. Em que medida essa experiência o poderá ajudar agora nesta tarefa de ser bispo titular de uma Diocese como a do Funchal?

D. Nuno Brás Lisboa é uma diocese complexa, onde aparecem todos os problemas e todas as virtudes. Neste sentido, os 7 anos como bispo auxiliar de dois patriarcas de Lisboa irão certamente ajudar a resolver algumas das situações mais problemáticas que tiver de enfrentar. Vamos ver. Onde há seres humanos há problemas. Como é claro não pretendo criar o paraíso na terra — isso não existe! Espero apenas dar um contributo para que as pessoas e as comunidades se possam aproximar mais de Jesus. E, depois, há toda a tarefa de anúncio do Evangelho!

“os 7 anos como bispo auxiliar de dois patriarcas de Lisboa irão certamente ajudar a resolver algumas das situações mais problemáticas que tiver de enfrentar”.

Jornal da Madeira Já disse que a Diocese do Funchal, como todas as outras, tem as suas particularidades e os seus problemas. Neste contexto, quais são as suas prioridades?

D. Nuno Brás A prioridade é, antes de mais, a evangelização: é a prioridade que o Concílio Vaticano II traçou para a Igreja neste século, e a prioridade que todos os Papas, desde então, nos têm apontado. Evangelizar significa dar a conhecer o verdadeiro rosto de Jesus a quem ainda não O conhece, e ajudar os que já são cristãos a viver cada vez mais intensamente a vida nova que receberam no batismo — significa conversão!

Claro que a vida cristã se vive em comunidade. E, por isso, há que continuar a construir verdadeiras comunidades, que vivam na simplicidade e no louvor: comunidades onde todos se sintam responsáveis por todos; onde ninguém seja “anónimo” ou esquecido. São prioridades que já estão presentes na vida da diocese. Há que continuar o trabalho.

“há que continuar a construir verdadeiras comunidades, que vivam na simplicidade e no louvor”

Jornal da Madeira Conhecer boa parte do clero da Ilha pode ajudá-lo a fazer Igreja e comunidades ainda mais vivas?

D. Nuno Brás O Bispo por si só não consegue fazer nada, ou faz muito pouco. O presbitério (o conjunto dos sacerdotes) é essencial. Eu já conheço grande parte dos sacerdotes da diocese — e eles também já me conhecem!… É certo que agora a relação mudou, mas creio poder dizer que somos bons amigos – e não apenas a nível formal ou de simpatia mas, com muitos, mantive laços de verdadeira amizade ao longo destes anos. Espero que continuemos assim, na amizade, no à-vontade e na franqueza da caridade cristã e sacerdotal. Tenho a certeza que são bons sacerdotes, que procuram acertar e evangelizar.

Jornal da Madeira Mais do que dizer com “toda a clareza” que é já madeirense, diz que quer “sê-lo”. Como é que vai trabalhar essa postura?

D. Nuno Brás Em primeiro lugar, procurando conhecer — e deixar que me conheçam — com mais profundidade, não apenas as comunidades cristãs, mas também as realidades humanas: os locais de trabalho, de lazer, as famílias, os grupos de apostolado, as realidades culturais e políticas. Depois, vivendo e amando as ilhas, com as suas belezas e as suas dificuldades, e todos os que nelas vivem. Quando estava no Seminário, ensinaram-me que os sacerdotes não fazem o que gostam, mas gostam do que fazem. Vou gostar muito de ser madeirense.

Jornal da Madeira Uma das primeiras coisas que fez, logo depois da sua nomeação, foi almoçar com os seminaristas do Funchal que estão a estudar nos Olivais. Foi um primeiro voo à ilha, que se prepara para o acolher…

D. Nuno Brás Foi muito bom. Naquele dia não me apetecia almoçar a não ser com madeirenses. Como vivemos lado-a-lado, e um dos seminaristas celebrava o seu aniversário, não foi muito difícil fazer a opção!