D. António aconselhou finalistas da Ponta do Sol a “dar raízes e valores à vida”

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O bispo do Funchal presidiu na tarde de sexta-feira, dia 4 de janeiro, à Eucaristia da bênção das capas dos alunos da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol que, como é hábito, teve lugar na igreja paroquial.

Na homilia, dirigindo-se aos 65 jovens finalistas, o prelado lembrou-lhes que aquele era um momento especial, “uma marca”, que assinalava uma etapa que está quase a ser alcançada, mas que também abre novas perspetivas e projetos no coração de todos e de cada um. 

Referindo-se às leituras proclamadas, o prelado disse que as mesmas apontam para aquilo que cada um pode, quer e deve pedir a Deus, tal como fez Salomão, filho do rei David, que era agora o incontestado governante de Israel, “porque o Senhor seu Deus tinha feito dele um poderoso monarca”. E o que pediu Salomão? “Bem, podia ter pedido muita coisa: longa vida, saúde, riqueza, vitórias sobre os inimigos, etc, etc.”. Mas, “em vez disso pediu sabedoria para praticar a justiça”. Em troca, lembrou o D. António, recebeu “um coração sábio e esclarecido” e “tantas riquezas, prosperidade e honras como nenhum outro rei terá tido antes”.

“Na nossa vida a sabedoria é muito, muito importante. Mas não é só a sabedoria daquilo que se aprende nos livros. Claro, que isso conta como conta o esforço educativo seja das famílias ou da escola”, frisou o prelado. Porém, “saber aproveitar aquilo que nos prepara para a vida, assim como ter um coração sábio, esclarecido e capaz de olhar a vida como projeto e caminhar com segurança, porque radicados em valores, é igualmente importante para a participação na vida familiar, na vida social, e na vida das instituições”. É, disse, “pôr ao serviço aquilo que também nós fomos recebendo de sabedoria não só humana, mas a sabedoria da fé, que nos trouxe aqui hoje”. 

Neste contexto, o prelado disse ter ficado contente por saber que os jovens que ali estavam tiveram “dois momentos importantes”, de preparação espiritual para este momento da bênção das capas, que é “o abraço de Deus a cada um”. Uma “bênção de Deus” que, como as capas envolvem o corpo, “envolve, acompanha e protege cada um, para a vida”.

Quanto à segunda leitura, de São Paulo, fala-se de generosidade e “da prática das boas obras e do apoio àqueles que necessitam”. Generosidade que será recompensada na medida em que for dada: “quem semear pouco, colherá pouco”. No caso dos finalistas, disse o prelado, “não se trata de dar”. É antes, frisou, “o empenho de cada um no seu trabalho, no seu estudo, neste momento concreto em que vocês estão inseridos”. Assim sendo, disse, “quem pouco se esforça não pode esperar grandes coisas, quem se empenha, dedica esforça, então semeia mais, colhe mais”. Trata-se de “aproveitar ao máximo a oferta que a escola vos faz e as oportunidades que vos dá”, o que nos remete para outra das leituras, em que se fala de prudência. Quem é prudente e constrói a sua casa – leia-se a sua vida – de forma segura, vai ser capaz de enfrentar todas a tormentas e tempestades. “Quem ouve a minha palavra e não põe em prática, é como o insensato que edifica a casa sobre a areia: não tem valores, nem raízes. Quem a ouve e põe em prática então garante consistência à construção do edifício, da vida”, explicou o prelado que logo acrescentou que “voltamos à questão inicial da sabedoria” que deve “ser iluminada pela luz de Deus que recebemos no batismo” e que desde então “ilumina os caminhos da nossa vida”.

A terminar o prelado alegrou-se com os jovens por mais esta etapa das suas vidas, desejou-lhes “os maiores sucessos” e aconselhou-os a “dar raízes e valores à vossa vida”, independentemente “do futuro” e do “projeto que cada um assumir”.