Não está à vista, nem para a ciência dos átomos e dos astros 

D.R.

A festa dos Reis Magos e a narrativa da busca de Deus vinda do Oriente provocam reflexões surpreendentes. Nem a ciência nem a religião podem mostrar ou provar a existência ou não existência de Deus, nem que o Menino visível em Belém é o Filho de Deus. A religião sincera não dispensa a procura de Deus, mas recorre a ajudas de cá e a luzes do Alto, como aconteceu aos pastores e aos Reis Magos. Entregue a si, aquele que busca não pode dizer: está aqui, está ali, eu sei quem é, como é, vocês têm que aceitar o que eu digo. Eu sei, eu mostro, eu provo. Vocês já não precisam de procurar.

Neste dia da Epifania da manifestação do Senhor, os Magos tiveram que ir à procura de um Rei de que tinham tido indícios de que existia e era o Esperado. Mas precisaram de uma luz de Estrela para os guiar; precisaram de perguntar a outros, e até a um rei tirano, para conseguir aproximar-se. E foram por Herodes enganados. Não sabia nada do outro Rei que ia fazer a diferença. Ficou logo cheio de medo.

Serão assim os políticos de ontem e os de hoje? Medo de que um Deus, aquele que é diferente de todos os outros, os prejudique e lhes roube o lugar. Não sabem que Ele é “O Rei”, o Senhor; têm medo dele, mas não o conhecem. Também precisam de buscar conselheiros e perguntar: onde estará Ele, onde nasceu, vocês, sabem? E os políticos e governantes, de ontem e de hoje, têm à sua volta quem os ajude a procurar? O Herodes até teve quem lhe desse a conhecer a narrativa histórica. Mas,… E não começam tantos, também hoje, logo a imitar o Herodes, mergulhados no medo e ciúmes, a querer tramar esse Senhor, mesmo sem o conhecer? Com Herodes dirão, nas suas manhas e espertezas: vejam se o descobrem, vejam como ele é, quando nasceu e onde. Venham-me informar. E no coração escuro inventam fake news. Como Herodes, não dizem, falsamente: também o quero ir adorar como vocês. E vai matar os que podem ser ele e os que estão com ele.

E os bem-intencionados Magos precisaram de luz e a luz voltou e com ela buscaram Aquele que só a Luz do Alto mostra à luz. Não estava à vista nem dos sábios nem dos “religiosos” de todos os tempos mesmo que saibam história e as narrativas bíblicas.

A narrativa histórica ajuda a procurar Deus, porém, só por si nem basta nem pode ser ignorada. O que ajudou aos trê sábios a encontrar aquele Rei foi a luz da Estrela que veio do Alto: na luz viram a Luz. Encontraram e adoraram o Procurado Menino, felizes, por terem finalmente visto Aquele ao qual vieram de longe adorar e  oferecer presentes!

Precisaram de luz interior para distinguir, mesmo em sonhos, as fake news que aquele cruel e psicótico Herodes tinha inventado para os armadilhar e desviar do Caminho Novo da sua vida. Herodes não busca o Messias Rei, mas um rival para o matar. E assim andam, hoje, tantos, em mais de três dezenas de países sem liberdade religiosa, drama que não parece ser grande problema para grandes potências defensoras dos direitos humanos para os quais as questões fraturantes tomam a dianteira da liberdade.

Nos países sem liberdade religiosa os meninos e meninas, irmãos e irmãs desse Rei Menino que confessam acreditar Nele são ameaçados de morte. E muitos para escapar aos Herodes de hoje terão que fugir à busca de proteção mesmo sob risco de morrer nas águas do Mediterrâneo. Em mais de trinta países sem liberdade religiosa muitos choram irmãos e irmãs deste Menino Deus, como as mães de Ramah, a quem Herodes mandou matar os filhos.