Do dia 5 para o dia 6 mantém-se a tradição de Cantar os Reis

Foto: Duarte Gomes

O Dia da Epifania ou de Reis, numa linguagem mais popular, é uma das festas mais antigas na Igreja Católica. Ainda dentro do espírito do Natal, relembra-nos a universalidade da salvação.

No Natal, só o povo Judeu recebeu o anúncio do Salvador através dos pastores e do testemunho dos velhos Simeão e Ana. Na Epifania, precisamente através dos Magos, a grande notícia chega a todos os povos, aos crentes e não crentes, cépticos ou agnósticos, porque Deus nasceu para todos.

Etimologicamente, o termo Epifania tem origem na palavra grega ‘epiphanéia’, podendo ser traduzida literalmente como manifestação, aparição, revelação.

Segundo a tradição, narrada nos evangelhos, aquando do nascimento de Jesus, houve uns Magos do oriente que foram guiados por uma estrela até Belém, onde se encontrava Maria com o seu filho Jesus, recém-nascido. O caminho percorrido foi longo. Os Magos demoraram cerca de doze dias para chegar ao seu destino. Por essa razão, a Epifania celebra-se dois domingos após o Natal. Recorde-se que Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Como fonte de fé e espiritualidade, o incenso tinha como finalidade espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar. Da Europa, chegou Belchior. Como presente levou ouro, que apenas era oferecido a deuses. Ofereceu-o a Jesus como símbolo de riqueza e realeza. Já Baltazar levou mirra, de África, que era a lembrança oferecida aos profetas. 

Os Magos eram considerados sábios e os seus nomes ficaram na história: Baltazar, Gaspar e Belchior. Mas na tradição cristã simbolizavam os poderosos que deviam prostrar-se diante dos humildes, os poderosos da terra que reconhecem a divina realeza de Jesus Cristo.

Povo canta a alegria do momento

Com o passar dos anos, a religiosidade popular tratou de adaptar a alegria deste momento do encontro dos Magos com o Menino de Belém às suas vivências. A ilha, não foi excepção, tendo herdado dos povoadores portugueses, o costume de cantar as janeiras, a que por aqui se chama Cantar os Reis. 

Assim, na véspera, 5 de janeiro, organizam-se grupos de amigos e/ou familiares que percorrem os casais da vizinhança, para cumprir a tradição. Há até um reportório de cantares próprios para celebrar a festa dos Reis Magos, que soube tornar original os cantares dos antigos povoadores, sem perder a sua inspiração inicial. Este é também um momento aproveitado para visitar as lapinhas, continuar a degustar as iguarias da quadra natalícia e saborear o típico bolo-rei.

Mais recentemente, esta tradição ganhou contornos mais públicos, com as câmaras, casas do povo, juntas, paróquias e outras tantas entidades a promoverem cantares, que juntam a população, normalmente à volta de um palco e de um bolo-rei gigante. Do Curral das Freiras, pioneiro nestas andanças, a Machico, passando pelo Funchal e por Câmara de Lobos, só para referir alguns locais, o que não faltam são propostas para que reúna a família e os amigos e vá festejar. Afine a garganta da melhor forma e ensaie a sua cantiga para não fazer má figura.