Natal: Reinventar o presépio entre gritos de socorro

D.R.

Funchal: Bispo desafia a reinventar o presépio 

1.Na homilia da Missa do Galo, na noite de 24 de dezembro, na Sé do Funchal, D. António Carrilho desafiou os fiéis a “reinventar e a recriar o nosso presépio ao vivo, onde todos se sintam bem, como irmãos da mesma família, para que o Deus-Menino nasça verdadeiramente  nos nossos corações”.

No ambiente natalício, disse o prelado, “o amor e a alegria, circulam mais e abrem os horizontes da esperança e da paz, as famílias e os amigos encontram-se para celebrar o nascimento de Deus Menino”. Mas a celebração, não pode ficar apenas pelos aspetos exteriores. É preciso ir mais além. É que, como diz o Papa, “se o Natal for apenas uma bonita festa tradicional, onde nós estamos no centro e não Ele, será uma ocasião perdida.”

D. António Carrilho, logo no início referiu a alegria por estar a “celebrar na bela catedral do Funchal, qual nova gruta de Belém”, e pediu aos fiéis: “nesta noite santa, lembremos, e rezemos, por todos os pobres, os doentes, os desempregados, os refugiados, os que são obrigados a viver o Natal longe da família e dos amigos.”

Presépio: centro da celebração do Natal em Portugal

2.A época natalícia é vivida de múltiplas formas e com as mais variadas representações, de norte a sul do país, incluindo os dois arquipélagos, o presépio ocupa o lugar central.

A palavra «presépio» significa “um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo”, mas é também a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria e São José, além de outras figuras como pastores, animais, anjos, os reis magos, entre outros.

A recriação da cena do nascimento de Jesus espalhou-se por todo o mundo e, em Portugal, foram feitos alguns dos mais belos presépios, sendo de destacar os do escultor Machado de Castro e os do barrista António Ferreira.

O presépio é uma tradição que preenche lares, praças e igrejas. A ceia natalícia convida à intimidade familiar. A árvore de Natal com o seu verde, símbolo duma vida que não morre, a brilhar com enfeites luminosos apela à luz permanente que é Jesus. A troca de presentes é um símbolo de amizade que alegra crianças e crescidos. O toque dos sinos e os belos cânticos natalícios são uma forma de demonstrar a festa do nascimento.

A mais popular das canções de Natal, «Noite Feliz» foi criada pelo padre Joseph Franz Mohr e pelo professor Franz Xavier Grueber: a letra veio da inspiração do padre numa noite estrelada, quando imaginava como teria sido a noite em que nasceu Jesus. Foi utilizada na Missa do Galo de 1818.

A festa do Natal, que os cristãos celebram a 25 de dezembro, assumiu forma definida no séc. IV, quando tomou o lugar da festa romana pagã do ‘Sol invencível’.

Porto: Bispo denuncia perseguição aos cristãos

3.Na noite em que os católicos celebraram o nascimento de Jesus Cristo, D. Manuel Linda apontou o dedo a um “mundo de dirigentes mundiais que não perde o sono pelo fato de os cristãos serem dizimados no Próximo Oriente, em África e um pouco por toda a terra”.

“Um mundo que pretende sepultar a Igreja sob uma laje de silêncio, ou sujeitá-la ao longo martírio de ser queimada em fogueiras acendidas por alguma comunicação social”, referiu. O bispo diocesano assinalou que, “tal como nos dias de Herodes, está mesmo a tornar-se um mundo perigoso quer para o Menino, quer para quantos colocam nele a sua esperança”.

Segundo D. Manuel Linda, “alguns cristãos são impedidos de chegar a instituições da Igreja, nomeadamente as assistenciais e educativas, que “são menosprezadas, quando não ostracizadas e ‘legalmente’ perseguidas”.

“A pretexto da laicidade, parece que os crentes perdem a sua condição de cidadãos e os direitos que daí advêm; um mundo de cinismo que rejeita os grandes valores comprovadamente úteis para a sociedade, só porque vinculados pela Igreja, instaurando a aridez familiar e social e fragmentando a existência”, advertiu.

Moçambique: Natal entre gritos de socorro 

4.A Igreja Católica em Cabo Delgado, Moçambique, emitiu durante a celebração do Natal, uma mensagem de gritos de socorro, gritos que vêm das mães, das crianças, dos jovens, das comunidades daquela província, na sequência dos ataques armados de que são vítimas desde Outubro de 2017.

Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Pemba, visitou, em Mocímboa da Praia, três comunidades, duas das quais totalmente destruídas pelos atacantes. No rosto das pessoas transparece “muita dor, desolação, sofrimento, sensação de abandono”.

A ação dos insurgentes denuncia barbaridade. O Presidente da República, Filipe Nyusi, assegurou que as Forças de Defesa e Segurança estão no terreno, ao longo de 2018, para combater a onda de violência.

O Natal é a festa da vida. “Basta de tanta violência. Basta de omissão. Basta de dizer que tudo será normal e controlado. Respeito pelo povo trabalhador é o mínimo que pedimos, é o mínimo que exigimos”, palavras de D. Luiz Lisboa, emitidas durante a celebração de Natal, em torno dos gritos de socorro das comunidades assoladas pelos ataques armados, semeando dor e luto no seio das famílias.