Conto natalício

D.R.

Senhora Mãe, dá licença? Viemos de longe para falar de uns negócios com o seu Menino.

– Menino, tens visitas!

– A nossa estrela diz que tens um projeto bonito; queremos testá-lo nos nossos reinos.

– Projeto? Nada de especial, muito simples. Fui anunciado a minha Mãe como Filho do Altíssimo, Filho de Deus e Rei. O meu Arauto dirá: eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado de todos os reinos. Entendem? Vou ser sacrificado. O meu Pai vai reconhecer-me à beira do Rio e no Monte como seu Filho amado. É belo que os pais aceitem e reconheçam os filhos!

– A nossa estrela convidou-nos a buscar a tua luz.

– A minha luz é para todos, mas muitos não a querem. Preferem trevas.  

– Também nos nossos reinos é assim.

– Vivo pobre, como vedes, abençoo pastores, crianças, pobres e doentes. Ninguém pode servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro. 

-É isso, Menino! Os nossos ricaços queriam impedir esta visita.

– Meu projeto é bonito: perdoar, curar doentes, dar vida aos mortos, matar a fome aos famintos, acolher os fracos, estranhos e mal vistos.

– Que bom!

– Alguns querem tudo para eles e não dão nada. 

– São egoístas? 

– Querem cargos, dinheiro, luxo! Preferem um rei violento, deste mundo.

– Tu dás vida abundante, como dizes. Não é?

– Sim, vim dar vida para sempre. Alguns não acreditam. Vão-me rejeitar e matar na cruz.

– Também nos querem tirar os tronos, querem guerra e dinheiro. Mas a ti? És um Menino, tão fraco!

– Mas sou Rei. O rei daqui quer saber onde estou para me matar. E outros poderosos vão matar-me e aos meus discípulos. Herodes mata crianças e pobres.

– Vais-te defender?

– O meu projeto não é para matar; mas dar a vida pelos outros.

– Como?

– Entrego o meu corpo e sangue como alimento; aceito dar a vida por todos.

 – E isso resolve? 

– Sim, que muitas pessoas me aceitem e amem, se amem; e não mintam que só os outros são culpados e se vinguem.

– O projeto acaba com a tua morte?

– Não! Começa! Peço perdão a meu Pai para os que me matam. Morro por eles. Não sabem o que fazem, como os que matam crianças antes de nascer e doentes. Pensam que matar resolve problemas de pessoas! Outros vão seguir-me.

– Ah! Vão querer destruir o teu projeto!

– Sim, algumas culturas e “ciências” de mentira. Não aceitam a luz, não vêm nem ouvem o invisível. Juntam-se ao inimigo, ao reino das trevas para destruir o meu plano.

– Conseguem?

– Não. O Pai dá vida abundante a todos os que me vão seguir. Virão muitos do Oriente!

– Obrigado Menino, obrigado, Senhora! Não vamos dizer nada a Herodes onde estás. Pedimos um conselho.

– Colegas amigos, caminhem à luz da verdade e justiça, ajudem os fracos, amem e perdoem sempre. Não adorem o dinheiro nem o poder!