Ordem Hospitaleira: D. António presidiu à Profissão Solene do Irmão Inácio desafiando outros a seguirem o seu exemplo

Foto: Duarte Gomes

O Irmão Inácio Pacheco da Silva, natural de São Jorge, Concelho de Santana, nascido a 19 de Março de 1970, professou solenemente na Ordem Hospitaleira de São João de Deus, na capela da Casa de Saúde de São João de Deus, no Funchal, no dia 8 de dezembro, pelas 16 horas.

A celebração Eucarística foi presidida pelo Bispo do Funchal, D. António Carrilho, tendo contado com a presença do Superior Provincial Irmão Vitor Manuel Lameiras Monteiro, e com a presença de vários outros irmãos, além de familiares e amigos do professante.

O Irmão Inácio Pacheco da Silva entrou na Ordem em 2010. Fez o noviciado em S. Paulo, Brasil, e primeira profissão a 2 de fevereiro de 2013, precisamente no Brasil. Regressou depois a Portugal, continuando a formação em Barcelos, trabalha actualmente no Hospital de São João de Deus, em Montemor-o-Novo, para onde vai regressar. De resto, a profissão Solene só aconteceu na Madeira, com a devida autorização, para possibilitar à família poder assistir a este ato solene e de tão grande importância.

Com a Profissão Solene, o Irmão Inácio entrega definitivamente a sua vida ao Senhor e à Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Uma escolha que, conforme explicou antes da cerimónia ao Jornal da Madeira, aconteceu porque “desde pequeno que nutro especial preocupação pelos doentes, pelos que sofrem, independentemente do tipo de sofrimento, de tal modo que esta me pareceu uma escolha acertada e em consonância com essa minha forma de olhar para o outro, seja qual for a sua raça, cor ou credo”.

Embora reconheça que “consagrar-se nos dias de hoje não é fácil”, diz que é “com muita alegria” que o faz e que, na verdade, essa consagração acaba ainda por fazer mais sentido, na medida em que “estamos num momento em que o mundo é muito materialista” e em que “os pobres de hoje não são os pobres de outrora”. Os de hoje, “são sobretudo aqueles que vivem na solidão”, porque “nós, seres humanos, perdemos estatuto”. Eu consagro-me para ser “um sinal da presença de Deus nesse mundo”.

A cerimónia propriamente dita foi recheada de momentos marcantes, desde o chamamento do professante, a que o Irmão Inácio respondeu ‘presente’, até à leitura, em voz alta, da fórmula da profissão, escrita pelo seu próprio punho, e que este colocou depois sobre o altar para a poder assinar.

Após a aceitação da profissão, o professante recebeu do superior provincial o Crucifixo e o Terço do Rosário, momentos acompanhados de palavras próprias.

No momento do ofertório, coube também ao professo seguir na frente, com o vinho para o sacrifício eucarístico. No momento da Comunhão, o professo aproximou-se do altar para receber a Eucaristia. Terminada a “oração depois da Comunhão”, o religioso que fez a profissão solene dirigiu-se para diante do altar para receber a bênção do celebrante que lhe dirigiu as seguintes palavras: “Deus, que te inspirou tão bons propósitos, te fortaleça a vontade e o coração, para cumprirdes fielmente o que prometeste”.

Em termos de cerimónia estes foram os momentos principais. Mas claro que todos eles estão integrados numa Eucaristia que tem, também ela, os seus momentos próprios. Uma celebração que, conforme sublinhou, logo no início, D. António Carrilho foi especial por acontecer em dia da solenidade da Imaculada Conceição, “um dia marcante para a Igreja universal”. Mas especial também para “os Irmãos de São João de Deus, para a Paróquia de São Jorge, que viu nascer o Irmão Inácio, mas para a toda a nossa Diocese do Funchal”, por aquilo que “representa a Ordem de São João de Deus na Madeira”, na ajuda “aos que mais carecem” dela.

Na homilia, referindo-se às leituras proclamadas, o prelado disse que elas apontam para Maria e convidam-nos a olhar para Aquela que além de ser mãe de Jesus se tornou a Sua primeira e mais dedicada discípula, e cuja festa “da beleza” e da “Santidade” hoje assinalamos. Se na primeira leitura, retirada do livro de Génesis, se fala do bem e do mal, se explica a transgressão original e a grande tentação presente na humanidade de querer ser como Deus, o evangelho de Lucas responde, através de Maria, a esta desordem entretanto desencadeada. À criação de Eva por parte de Deus responde o mesmo Senhor com a nova criação que em Maria começa, ainda que o ‘Sim’ de Maria não tivesse sido isento “de perplexidade dúvida”, de “interrogações e receios”.

Em Maria, Deus contempla aquilo que gostaria de ver em cada um de nós. Se à partida se afigura difícil, a Palavra de Deus garante que não é impossível. Esta celebração litúrgica desafia-nos, por isso, a sermos discípulos ao jeito de Maria, a começar por esta disponibilidade para que se faça em nós segundo a vontade do Senhor. Deus não impõe, como não o fez a Maria. Mas se em Maria quis que o Verbo de Deus se formasse e nascesse para ser Redentor, hoje o Senhor convida-nos a gerar a Jesus no nosso coração e na nossa vida para que O possamos escutar, pensar, testemunhar e transmitir.

A ‘receita’ para tal é a de Maria: deixar que Cristo se forme em nós, e assim tornar possível o difícil nas nossas vidas, seja, como se dizia na segunda leitura, na procura da santidade, que não é apenas para alguns, seja nesse testemunho que damos. Claro que, nada disto é fácil, mas tal como Maria, temos de assumir “o que é vida e o que é cruz”. E se em vez de santidade quisermos usar outra palavra, então D. António sugeriu “caridade”. A “caridade mais profunda e verdadeira, mais coerente, mais consciente”, porque “de muitas formas se manifesta a santidade” e “o bem-fazer de cada um, consoante os diversos chamamentos de Deus e a capacidade de resposta de cada um de nós”

Em tempo de Advento, o prelado convidou a assembleia a concentrar a sua atenção no Irmão Inácio e “no seu percurso de estudo e de reflexão e caminhada vocacional”. Nada na sua vida aconteceu por acaso. “Há caminho feito, há descoberta, sentimentos que despertam e generosidade que se põe numa resposta”. Por tudo isso, disse, “demos graças a Deus”. Não só por “Jesus que nasce de Maria, mas por tudo quanto na Misericórdia de Deus circula e se manifesta nas nossas vidas e, particularmente hoje, aqui, na profissão solene do Irmão Inácio”. Um exemplo que pode, e deve, ser seguido por outros “com este espírito de caridade” e com o “carisma da hospitalidade”.