Papa Francisco: Uma parte da humanidade vive sem direitos fundamentais

O Pontífice apela aos que têm responsabilidades institucionais para que “coloquem os direitos humanos no centro de todas as políticas” mesmo que isso signifique "andar contra a corrente". 

D.R.

“Enquanto uma parte da humanidade vive na opulência, outra parte vê sua própria dignidade rejeitada, desprezada ou calcada aos pés e os seus direitos fundamentais ignorados ou violados”, escreve o Papa por ocasião do aniversário da Declaração Universal dos direitos Humanos. 

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes da Conferência Internacional “Os direitos humanos no mundo contemporâneo: conquistas, omissões e negações” (10-11 de dezembro), reunidos na Pontifícia Universidade Gregoriana no dia em que se celebra os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelo 25º aniversário da Declaração e Programa de Ação de Viena para a tutela dos direitos humanos no mundo.

“Persistem hoje no mundo numerosas formas de injustiça – afirma Francisco –  alimentadas por visões antropológicas redutivas e por um modelo económico baseado no lucro, que não hesita em explorar, descartar e até matar o homem”. 

O Papa recorda as “crianças que não têm o direito de vir ao mundo; aqueles que não têm acesso aos meios indispensáveis ​​para uma vida digna; a quantos estão excluídos de uma educação adequada; a quem é injustamente privado do trabalho ou forçado a trabalhar como um escravo; aqueles que são detidos em condições desumanas, que são submetidos a torturas ou a quem é negada a oportunidade de se redimir, às vítimas de desaparecimentos forçados e suas famílias”.

“O meu pensamentos também vai a todos aqueles que vivem num clima dominado pela suspeita e pelo desprezo, que são objeto de atos de intolerância, discriminação e violência por causa de sua pertença racial, étnica, nacional ou religiosa”, continua.

Para o Papa quando os direitos fundamentais são violados ou quando são garantidos apenas a determinados grupos, “ocorrem graves injustiças que, por sua vez, alimentam conflitos com pesadas consequências tanto das Nações individuais, como das relações entre elas”.