Imaculada Conceição: Bispo do Funchal apelou aos fiéis para que não tenham “receio de ‘perder tempo’ com aqueles que sofrem”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal apelou este sábado aos fiéis para que não tenham “receio de ‘perder tempo’ com aqueles que sofrem e precisam de uma palavra de amor, de carinho, de compreensão, de partilha e ajuda fraterna”.

D. António Carrilho falava na homilia da Eucaristia que assinalou a Solenidade da Imaculada Conceição, na Sé do Funchal, tendo desejado também que “a nossa oração se abra ao amor fraterno e abrace, muito particularmente os pobres, as crianças, os idosos e todos aqueles que, nesta data, sentem mais profundamente a solidão”.

O prelado apelou ainda para que se olhe para Maria-Mãe, deixando que ela “entre nas vossas vidas, nas escolas, trabalhos, hospitais, lares de idosos” e que “a sua presença materna” se torne para todos “fonte de paz, de suavidade , calor e amor maternal.”

Neste dia especial o prelado não podia, naturalmente, deixar de lembrar que “em comunhão com toda a Igreja, celebramos o admirável mistério da Imaculada Conceição, que está intimamente ligado à Sua maternidade divina”, a toda a sua “pureza” e “beleza”.

Numa breve resenha histórica lembrou ainda que os portugueses sempre dedicaram “um profundo e filial amor à Virgem Maria” e que ao longo dos anos “Portugal foi agraciado”, pela presença maternal de Nossa Senhora, invocada como padroeira”. De resto, “ainda hoje esta filial devoção se manifesta claramente na identidade nacional, espiritual e cultural de Portugal, denominada como terra de Santa Maria”.

Referindo-se à liturgia da solenidade, D. António disse que a mesma “convida à intimidade com o Coração da Mãe Imaculada, preservada de toda a culpa, em atenção aos merecimentos futuros do mistério pascal de Cristo, seu filho Jesus”.

Na primeira leitura, explicou, temos a “promessa do triunfo do bem sobre o mal, quando Adão e Eva desobedeceram a Deus”. O “amor ferido” será “reatado por Maria Imaculada, a nova Eva, transbordante da Graça de Deus. Já na segunda leitura, “diz-se que no novo Adão, Cristo, Deus abençoou-nos com toda a espécie de Bênçãos Espirituais em Cristo”.

No Evangelho de São Lucas somos levados a refletir no “Sim” de Maria, “protagonista da maravilhosa e surpreendente história do amor do Pai pela humanidade”. “No ‘Sim’ de Maria reconhecemos o nosso sim e o da Igreja peregrina”. De resto, como é sabido, “Maria é a Mãe da Igreja e, neste Ano Missionário lembramos, particularmente que Ela é modelo perfeito da Missão”.

Neste momento da celebração, e pensando especialmente nos jovens, o prelado convidou-os a “agarrar a vida, fixando cada um o seu olhar nos olhos puros de Maria”. Afinal, como disse o Papa Francisco, citado por D. António, “nos seus olhos cada jovem pode voltar a descobrir a beleza do discernimento, e no seu coração pode experimentar a ternura da intimidade e a coragem do testemunho da missão”. De resto, no sínodo dos Bispos do passado mês de Outubro, lembrou D. António, o Papa falou da “importância da presença de Maria, ‘a mulher da escuta e da memória’, na vida dos crentes.”  Com Maria, frisou o bispo diocesano, “aprendemos a descobrir ou a redescobrir a beleza do amor e a alegria da fé, aprendemos a escutar a voz de Deus que nos ama chama e envia em Missão”.

Prosseguindo, o prelado aludiu ao facto da solenidade da Imaculada Conceição “integrar-se no tempo litúrgico do Advento”, constituindo este “um tempo singular para caminhar com Maria, a Esposa do Espírito Santo, a Virgem da Espera, ao encontro do Senhor que vem, na proxima solenidade do Natal”.

A propósito, recordou que “a partir de 15/16 de dezembro, iniciaremos as tradicionais missas do Parto, novenário de preparação para o nascimento do Menino Jesus”, lembrando que esta “vivência litúrgica do Natal do Senhor” é uma herança da “influência espiritual dos sacerdotes franciscanos” que, há 600 anos chegaram à ilha.

Neste contexto da preparação, D. António desejou mais adiante “que Maria nos ajude a preparar o Natal do Senhor, a descobrir ou a redescobrir o seu significado e valor, como mistério da Encarnação do Filho de Deus; a manter e valorizar o ‘presépio’ nas nossas casas, como expressão desse mistério; a viver, com muita fé e alegria e transmitir aos outros o verdadeiro sentido e fundamento da festa do Natal”.