Bispo do Funchal celebrou a memória de São Francisco Xavier, o “Apóstolo das Índias”

Durante a celebração foi possível venerar a relíquia deste santo, exposta na Igreja do Colégio.

D.R.

D. António Carrilho celebrou na segunda-feira, dia 3 de dezembro, a memória litúrgica de São Francisco Xavier, sacerdote jesuíta, padroeiro das missões. Foi numa Eucaristia que teve lugar na Igreja do Colégio, e em que o prelado lembrou que estamos em Ano Missionário, que se iniciou em outubro passado e que culminará, por vontade do Papa, “num mês missionário extraordinário”, precisamente em outubro de 2019.

Neste contexto D. António recordou que a Diocese do Funchal, em consonância com as demais dioceses do país, assumiu o seu próprio lema pastoral para este ano que, no nosso caso, é “Ser Cristão, Viver em Missão”, também como “preocupação” e “empenho”. É um tempo para que cada um encontre aquela que pode ser a sua missão, mais longe ou mais perto, “olhando em redor”, e “verificando quais são as necessidades dos irmãos” e de que forma as podemos ajudar a colmatar. Ou respondendo “afirmativamente ao chamamento” de Deus, a exemplo de São Francisco Xavier e de Santa Teresinha do Menino Jesus, também ela padroeira das missões. 

Referindo-se à palavra proclamada, nomeadamente ao Evangelho e à primeira leitura, D. António sublinhou que os textos falam exactamente da missão, com o Evangelho de São Marcos a recordar “a ascensão de Jesus”, Ele que sobe ao céu, mas não sem antes lembrar aos discípulos, que devem dar a conhecer a Palavra e que quem acreditar e for batizado será salvo. Eles assim o fizeram “com o Senhor a caminhar com eles e a confirmar a Palavra com os milagres e as obras extraordinárias que a acompanhavam”. Já na primeira leitura, “temos o testemunho do grande apóstolo que foi São Paulo, ele que diz ‘ai de mim se não Evangelizar’”. 

Estes dois textos, disse o prelado, servem para “enquadrar esta nossa festa em honra de São Francisco Xavier”, sobre cuja história falou em seguida, recordando que aquele jovem, “irrequieto e sonhador”, foi “tocado” pelo chamamento nasceu em Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506, filho de uma nobre família. Aos 18 anos, foi estudar na Universidade de Paris, tendo-se formado em Filosofia. Lecionava na mesma Universidade, onde conheceu Santo Inácio de Loyola, que viria a ser o fundador da Companhia de Jesus.

Vendo em Francisco um homem que poderia ajudá-lo no seu propósito de defesa e propagação do cristianismo, Loyola costumava dizer-lhe: “De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?” (Mc 8, 36). Foi esta frase que tocou o seu coração, fazendo com que se decidisse a seguir Cristo.

Graças aos exercícios espirituais de Santo Inácio, compreendeu o que seu amigo lhe dizia: “Um coração tão grande e uma alma tão nobre não podem se contentar com as efémeras honras terrenas. Sua ambição deve ser a glória que dura eternamente”.

Consagrou-se ao serviço de Deus com os jesuítas em 1534. Anos depois foi ordenado sacerdote em Veneza. Mais adiante, estando em Roma, São Francisco Xavier ajudou Santo Ignácio na redação das Constituições da Companhia de Jesus.

Mais tarde, o rei de Portugal, Dom João III, solicitou a Inácio de Loyola que organizasse alguns sacerdotes para acompanhar suas expedições ao Oriente e evangelizar na Índia. Quando este grupo já estava formado, um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier tomou o seu lugar, partindo de Lisboa rumo ao Oriente.

Após uma longa viagem, São Francisco Xavier e seus companheiros chegaram a Goa. Neste local, o santo empreendeu um árduo trabalho de catequese. Atendia os doentes, celebrava Missa com os leprosos, ensinava os escravos e até adaptava as verdades do cristianismo à música popular. 

Mas, também foi testemunha dos abusos que os portugueses e pagãos cometiam contra os nativos, algo que ele mesmo descreveu como “um espinho que levo constantemente no coração”. Posteriormente, São Francisco Xavier escreveria ao rei de Portugal para denunciar os factos.

Realizou a sua missão evangelizadora em muitas cidades, povos e ilhas. Até que, em 1549, partiu para o Japão, onde, ao final de um ano, obteve cerca de cem conversões. As autoridades japonesas, então, proibiram-no de continuar o seu trabalho pastoral.

Realizou também incursões ao território chinês. Seguiu para Malaca, de onde empreenderia a viagem à China, território inacessível para os estrangeiros. Partiu com uma expedição e chegou à ilha de Shang-Chawan, perto da costa e cem quilómetros ao sul de Hong Kong. Ali, ficou doente e foi consumido por uma forte febre, levando-o à morte, a 3 de dezembro de 1552, com apenas 46 anos.

Foi beatificado, com o nome Francisco de Xavier pelo Papa Paulo V a 25 de outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV a 12 de março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola.