CPM apresentou novo guia para encontros de noivos e famílias

Foto: Duarte Gomes

“Caminhada em Matrimónio – um guia para casais e famílias” assim se chama o livro que foi apresentado ao fim da tarde de domingo, dia 2 de dezembro, no salão Paroquial do Caniço.

Uma apresentação que contou com a presença de dois casais do CPM nacional e do assistente, mas onde marcaram também presença casais da Madeira, o Pe. Rui Pontes, pároco do Caniço e Diretor do CPM regional e ainda o bispo Diocesano, D. António Carrilho.

Antes da apresentação propriamente dita que, diga-se de passagem foi bastante esclarecedora, falando-se do conteúdo da obra, da forma como está delineada para ser dinâmica e de fácil consulta, até à sua capa e à forma como pode ser usado o marcador que a acompanha, falamos com com os casais e com o Pe. Paulo Rocha.

De acordo com aquilo que nos foi explicado pelo casal responsável nacional do CPM, Joaquim Valente e Diná Rocha, esta é uma obra “com uma abordagem atual e uma linguagem clara e não eclesiástica”, que visa servir para apoio às sessões de formação de noivos promovidas pelos CPM”, mas que também pretende ser “uma importante ferramenta de partilha de experiências e conselhos, não só para durante a preparação do matrimónio, como também para toda a vida do casal”.

Pretende-se assim que “este guião esteja disponível quer para os jovens quer para os casais que já estão casados, ou civilmente ou pela Igreja Católica. Uns para rever a sua vida e outros para iniciar uma caminhada que pode vir a culminar numa dinâmica de família diferente”.

O livro é o resultado de 21 meses de trabalho coordenado pela direção nacional da CPM – Portugal e com a contribuição de todas as dioceses de Portugal, refletindo “o equilíbrio entre as sensibilidades de quem no terreno trabalha com os noivos e as famílias portuguesas”, conforme refere Joaquim Valente.

Casados há 37 anos, Joaquim e Diná têm quatro filhos e cinco netos e como diz a Diná estes anos de casamento têm sido “uma luta”. Claro que, também tem sido, como refere Joaquim, “uma bênção, uma graça e uma alegria e uma vida sentida, porque, de facto, caminhar com quatro filhos, vê-los agora a ter filhos e vê-los acreditar nos valores da família, no amor alegria e o amor doação, que nós vamos falando aos jovens de hoje, aos noivos, às famílias e aos casais no geral é muito importante”.

Quanto ao outro casal é formado pelo José Manuel Cabeda e pela Esmeralda, casados há 29 anos, com dois filhos, mas ainda sem netos. Sobre o livro José Manuel explica que o mesmo “pretende ser um auxiliar para a preparação remota do matrimónio dirigida a jovens, passando pela preparação imediata do matrimónio em contexto de CPM, pelo acompanhamento dos casais e famílias ao longo da vida e na ligação dos recém-casados com as estruturas da Igreja que os podem apoiar”, nomeadamente a Pastoral da Família.

O que se pretende é “orientar as interrogações”, já que “não há respostas mágicas, nem soluções que sirvam para todos os casos, o que há é uma aprendizagem que se faz refletindo e pensando nas coisas” e “partilhando experiências em contexto de CPM, de grupos de jovens ou de grupos de casais”.

Esmeralda acrescenta que “este livro propõe paragens individuais e em casal, e depois partilhas com outros casais”. Estas pausas são, explica, importantes sobretudo no contexto de vida actual, em que “corremos de um lado para o outro e em que sobretudo nós, mulheres, tentamos dar resposta a um leque muito grande de tarefas”. O livro “propõe paragens individuais” porque, lá está, cada membro do casal, ao contrário do que se possa pensar, cresce ao seu ritmo e por vezes faltam esses pontos.

Na prática a obra, lançada oficialmente no dia 8 de setembro deste ano, está dividida em três partes (“Para Refletir individualmente”, “Para os encontros CPM” e “Para aprofundar mais”) e em seis temas para “acompanhar os momentos-chave, desde a preparação remota do Matrimónio dirigida a jovens, passando pela preparação imediata do matrimónio em sessões de Preparação para o Matrimónio, pelo acompanhamento dos casais e famílias ao longo da vida e na ligação dos recém-casados com as estruturas da Igreja que os podem apoiar”.

O que estes casais têm feito neste momento é um trabalho de apresentação deste contributo às estruturas de pastoral familiar das várias dioceses e aos sacerdotes que com elas trabalham e é também neste contexto que surgiu esta vinda à Diocese do Funchal.

Este documento tenta melhorar o método CPM que era posto em prática até aqui. Durante largos anos, conforme nos explicou Joaquim Valente, “o CPM foi vivendo muito fechado em si, quem quisesse vir vinha e recebia as coisas”. A partir de agora, e procurando inspirar-se na Exortação Apostólica do Papa Francisco “A alegria do amor”, o que se pretende é exatamente ao contrário. Ou seja “nós pretendemos ir ao encontro”. Para isso, é preciso sair das esferas onde se movimentavam até agora e ir “onde estão os noivos, onde estão as pessoas, onde estão os jovens”.

Para o Pe. Paulo Jorge, assistente nacional do CPM, este ir ao encontro é “uma nova e uma grande missão, de procurarmos as pessoas nas suas realidades, nas suas vidas concretas, e lhe propor que vivam a sua relação de amor, não apenas centradas neles, mas perceberem que há uma presença de Deus que torna fecundo, que torna maior, que torna mais belo o amor que os dois vivem”. É aqui, sublinha, que “está o desafio”. Com isto não se quer dizer que um casal que viva de outro modo que não no sacramento do matrimónio não seja feliz”, “mas aqui há uma felicidade preenchida por esta presença de Deus”. Uma presença fundamental até porque, como diz o Pe. Paulo, “quando as coisas ficam por nós e pela nossa humanidade,pela nossa vontade e pelas nossas forças, não vamos muito longe”. Esta é a missão: “Descubram-se amados em Deus, para que o vosso amor tenha a força do próprio Deus”.

Já o Pe. Rui Pontes, diz que este é um “percurso, uma caminhada” que pode beneficiar, e muito, com estas novas metodologias que são propostas. O importante é que “as pessoas sintam que não estão sós e que a Igreja os acompanha”. De resto, “a nossa atitude de como agir e como estar em família, que é a base e o cerne de toda esta mensagem”. Em ano de Missão o Pe. Pontes lembra que “ser missionário, não é só lá fora”. Na verdade, “o mais difícil é talvez ser missionário na nossa casa, ser missionário com os nossos filhos”.

Relativamente às novas metodologias, o Pe. Rui Pontes diz que há casais na Diocese capazes de ser a rampa de lançamento que se precisa neste momento, para as ir implementando, tendo sublinhado que é uma mais valia “poder contar com o apoio do CPM nacional”, porque assim “sentimos que não estamos sozinhos nesta luta”.

Presente neste lançamento esteve também, como já se disse, D. António Carrilho, que fez questão de agradecer a vinda dos casais e do sacerdote assistente e de sublinhar a importância de disponibilizar materiais que “abram caminho a um aproveitamento mais alargado”, tanto em termos da Pastoral Familiar, como do acompanhamento dos novos casais”.

Uma das dificuldades sentidas pela Diocese do Funchal, e por outras do País, tem sido levar os jovens a aderir a esta preparação. Mais do que a impor como algo obrigatório, o que é preciso é que os jovens sintam essa preparação como necessária e como algo que pode ser importante para o seu crescimento enquanto casal que se prepara para uma caminhada que se espera longa.

O prelado aproveitou para agradecer o trabalho das equipas do CPM da Diocese, pela “dedicação, esforço e sacrifício” com que têm trabalhado, apesar das dificuldades e considerou que têm aqui novas possibilidades de trabalho, “em articulação com os movimentos da pastoral familiar”.