D. António desafiou crismados dos Canhas e Carvalhal a fazer exame de consciência e a mudar “sem desculpas” aquilo que tem de ser mudado 

Uma reflexão que, disse o prelado, deve ser extensiva a todos e encarada como “proposta e o projeto” para este tempo do Advento.

Foto: Duarte Gomes

D. António Carrilho deslocou-se este domingo, dia 2 de Dezembro, à comunidade paroquial dos Canhas para ali ministrar o Sacramento da Confirmação a 80 jovens, alguns dos quais vieram da vizinha Paróquia do Carvalhal e não só.

De resto, no início da celebração o prelado começou precisamente por saudar as duas comunidades, que estão a cargo do Pe. António Paulo, e também “aqueles que vieram de fora”, nomeadamente “de terras de emigração”,  que ali frequentaram a catequese e as preparações e “que agora se associam a nós”.

Uma celebração que acontece “num dia que para a igreja começa a marcar um tempo muito especial, que é o Natal” e que se prepara com a devida antecedência, neste caso com quatro semanas, aludindo ao tempo e às velas do Advento, que vão sendo acesas, semana após semana. Por essa razão, explicou, “este domingo só temos uma delas acesa”. As restantes vão se acender nos próximos domingos, “marcando a caminhada que vamos fazendo”. Mas as explicações não se ficaram por aqui.

O prelado falou ainda do significado dos paramentos roxos que, quer ele quer os restantes sacerdotes envergavam. “Não é um sinal de tristeza”, disse, mas antes “de alerta e de despertar para as nossas consciências, para nos prepararmos e receber bem Jesus e a mensagem que nos traz na grande festa e no mistério do Natal”. Estamos assim “solidários uns com o outros, unidos uns com os outros , hoje em particular pedindo ao Espirito Santo que venha aos corações dos que vão ser crismados”, mas a toda a assembleia para que “sintamos esta cerimónia como uma marca que reaviva a nossa fé” e que nos “faz preparar este tempo, para poder beneficiar dos dons da graça do Natal”.

Antes da homilia coube o P. António Paulo manifestar, em nome dos crismandos e das comunidades, a sua “alegria por receber o nosso pastor nesta nossa comunidade”. Quanto ao grupo de 80 jovens, que apresentou em seguida, disse ser “testemunha de todo o percurso de catequese que eles fizeram, porque já estou nestas paróquias há 13 anos, e de toda a preparação mais próxima”. Por essa razão disse que os mesmos estavam aptos a receber o Sacramento da Confirmação e a “viver como cristãos”.

Na homilia, D. António agradeceu as palavras de boas vindas e de apresentação do grupo proferidas pelo pároco dos Canhas e do Carvalhal. 80 jovens, disse, “é muita gente”, mas deu graças a Deus por assim ser, porque é “um sinal” de que mesmo longe, em terras de emigração, não se esqueceram do seu dever de cristãos e tiveram esta “preocupação de se preparar para estar hoje aqui”.

Em relação à palavra proclamada D. António explicou que duas leituras foram escolhidas de propósito para a ocasião, mas o Evangelho era aquele que se proclama em todas as celebrações, neste primeiro domingo do Advento. Um tempo que, disse, é de “preparação para a vinda de Jesus ao nosso coração”, com a sua “proposta e ideal de vida”. É por isso que dizemos “a Festa”, porque de facto é disso que se trata e é por isso que vamos ter, por exemplo, “as Missas do Parto como novenas preparatórias”. Além disso, individualmente, este é um tempo de “parar e de mudar” o que está menos bem na nossa vida. É “tempo de olhar para dentro, para a nossa consciência” e escutar o que ela tem a dizer sobre a forma como “vivemos a nossa vida”. É um tempo “para aprofundar os ensinamentos de Jesus e a viver, cada vez mais, em união com Ele”.

Há uma promessa de Deus, que nos recorda a primeira leitura, de que “alguém aparecerá em nome de Deus para dar à humanidade aquilo que ela, só por si, não consegue realizar”. Esta promessa realizou-se com o nascimento de Jesus. Mas não basta, especialmente nos dias que correm. É preciso que cada um de nós assuma o seu papel e mude aquilo que tem de ser mudado, “sem desculpas”, como se diz no Evangelho. Esta mudança é, pois, “a proposta e o projeto para este tempo do Advento”, disse.

Dirigindo-se aos crismados, o prelado lembrou-lhes que o sacramento  que iam receber não se pode desligar de um outro: o Batismo. “O primeiro sacramento é aquele que nos abre as portas da Igreja, torna-nos filhos de Deus, faz-nos família de Deus”. É essa graça que “vai agora ser confirmada”, na abundância dos Dons do Espírito Santo, que nos faz entender na “relação fraterna” que temos de manter com os outros, “na entreajuda”, na “atenção mútua”. Mas uma graça que nos lembra que temos responsabilidades para com os outros e para com o mundo e que as mudanças, que tantas vezes desejamos, “neste mundo dos homens”, têm de começar em nós e por nós. É essa também a nossa missão de cristãos: todos e cada um, na diversidade dos seus dons, como se dizia na segunda leitura, contribuir para um mundo melhor, perto e longe de nós.

Terminada a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados, que mais tarde e pela voz de um deles fizeram o seu compromisso, pedindo para todos eles uma salva de palmas e a quem desafiou a “viver como bons cristãos”.

O prelado dirigiu-se depois aos padrinhos a quem lembrou que, ao aceitarem este convite, assumiram responsabilidades, nomeadamente de ajudar os afilhados a continuar a viver na fé, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer circunstância da vida.

Mesmo antes da bênção final, o Pe. António Paulo fez os habituais agradecimentos a todos quantos tornaram possível a cerimónia que estava prestes a terminar, começando pelos jovens, passando por quem ajudou a limpar e a ornamentar a igreja, pelos pais, padrinhos e catequistas e todos os demais que deram o seu contributo.

Quanto a D. António, associou-se aos agradecimentos feitos, tendo apenas acrescentado “uma palavra e gratidão para com o Pe. António Paulo, pela sua dedicação e pelo seu trabalho nestas duas paróquias que lhe estão confiadas”.

Depois, como é seu hábito, deixou ainda três breves recomendações aos crismados. A primeira foi para que “não se esqueçam de rezar todos os dias um bocadinho”, o que pode ser feito com recurso às orações que conhecem, ou simplesmente usando o coração para conversar com Deus. A outra recomendação foi para que não deixassem de ir à missa ao domingo e, finalmente, para que não se esquecessem de rezar pelo pré-seminário e pelo seminário, para que surjam novas vocações que permitam, no futuro, dar resposta às necessidades da Diocese.

A concluir a celebração o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que, disse, “não é para ficar esquecido lá por casa a apanhar pó”, mas para “estar ao serviço de todos”.

De referir a terminar, e como nota de reportagem, que esta celebração ficou ainda marcada pela primeira comunhão da Diana. Não estando cá quando se realizaram as comunhões, porque a família estava emigrada e estando cá agora, os seu pais não quiseram deixar passar a oportunidade de proporcionar à filha a possibilidade de receber mais um sacramento.