Crismas: Jovens da Ribeira da Janela, Seixal e S. Vicente dispostos a ser “os novos discípulos de Jesus”

Foto: Duarte Gomes

Foi de festa a tarde de sábado, dia 1 de dezembro, para as comunidades paroquiais da Ribeira da Janela, do Seixal e de São Vicente. 52 jovens das referidas paróquias receberam o Sacramento do Crisma, numa Eucaristia presidida por D. António Carrilho, na matriz de São Vicente.

A cerimónia começou com um jovem a manifestar, em nome dos demais e das respetivas comunidades, a alegria das comunidades por “receber o Pastor da Diocese”. Explicou ainda que para ali estarem aqueles jovens cumpriram os 10 anos de catequese, “procurando aprofundar a nossa fé”. Reconheceu, no entanto, que “nem sempre estivemos predispostos a aproximar-nos de Deus através da catequese ou da Santa Missa” e que “não foi fácil” dizer “sim ao chamamento de Deus”. Na verdade, “tornou-se, muitas vezes, quase impossível ouvir e distinguir o projeto de vida e de salvação que Deus tem para nós”. E isto acontece porque “são muitos os convites que nos afastam da Igreja” e consequentemente “da escuta atenta de Palavra de Jesus”.  Se ali estavam, acrescentou, “deve-se à ajuda dos nossos pais, padrinhos, sacerdotes e catequista, que nunca desistiram de semear a fé em nossos corações”.

Neste contexto, e a apesar das dificuldades, disse que estavam prontos para dizer o “sim” e para serem “os novos discípulos de Jesus” e com alegria dizer “sou cristão em missão”, colocando-se “ao serviço de Deus e da Igreja com o dom e a vocação que cada um tem” e desejando “ser o aroma da fé e da esperança, na vida dos que se cruzam connosco”.

A estas primeiras palavras D. António respondeu com agradecimento e uma saudação à comunidade que ali se reuniu para celebrar a Eucaristia. Uma celebração especial, por confirmar na fé o grupo de jovens conferindo-lhes “uma marca que fica em cada um”, “uma marca para a vida”, que os “vai ajudar a viver com um projeto de vida cristã”.

O prelado fez ainda referência ao facto de que ao entrar no templo foi aspergindo a comunidade com água benta, lembrando assim “a graça do nosso Batismo”, o sacramento que nos abriu a porta da  Igreja a que pertencemos” e desejou que a cerimónia que se iria seguir fosse uma forma de “reavivar a nossa fé” e de nos comprometermos, “mesmo no meio das ondas e das dificuldades deste tempo”, com “força, com luz e com vontade” para superar tudo isso e ir mais além, “na certeza de que com Cristo e o Espírito Santo, nós temos um caminho que nos conduz à Paz, à União e à felicidade.

Ao iniciar a celebração, D. António lembrou ainda que a mesma acontecia “no dia que marca o início do tempo em que somos convidados a pensar e a nos prepararmos para o Natal do Senhor”.  Explicou ainda o significado do paramento roxo, dizendo que o mesmo é “um sinal de alerta para esse caminho de preparação” para “acolhermos bem “Jesus que nasce e renasce nos nossos corações, na grande celebração natalícia”.

Coube depois ao Pe. Carlos Manuel, pároco das três paróquias já referidas, fazer uma breve apresentação dos jovens, 25 raparigas e 27 rapazes, que fizeram “uma caminhada assídua de fé, integrada na catequese paroquial ao longo destes 10 anos” e que por isso estão “aptos a receber das suas mãos o Sacramento da confirmação e a se deixar conduzir pelo Espírito Santo no seio das respetivas comunidades cristãs”. Disse ainda que os acompanhou de perto, bem como aos catequistas que os ajudaram a crescer na fé e estão, “minimamente preparados para a caminhada que agora iniciam”.

Na homilia, depois de ter pedido aos crismandos para se colocarem de pé diante das comunidades e desta forma mostrar que as mesma podem contar com eles, o prelado voltou a lembrar que aquela era “uma tarde importante e diferente”, porque “o que hoje vivemos, não é apenas para hoje, é para a nossa vida”.

Mas importante e diferente também porque acontece, “num dia que nos convida a uma vida nova, para receber Jesus no nosso coração, na solenidade do Natal que se aproxima”. São quatro semanas até lá, que nos convidam “a fazer um caminho com leituras próprias”, como a foi a do Evangelho.

As duas outras foram escolhidas de propósito para a ocasião. A primeira, do profeta Isaías, fala Daquele que virá ao encontro do Seu povo e que “vai olhar para aqueles que mais precisam de ajuda”, trazendo-lhes  “a alegria e a paz interior”. E Jesus veio, e “trouxe uma mensagem que é bela, mas que está longe, longe de ser cumprida”. A catequese, lembrou, “ensina comportamentos, ensina a estabelecer uma relação viva, de fé e de comunhão com Deus, por Cristo no Espírito Santo”. São propostas que nos são apresentadas, uma espécie de farol, que vai orientando o nosso caminho, mas que não chega, ”temos que aprender muito mais” e não pensar que depois deste dia só vamos à Igreja de vez em quando. A celebração do Crisma é algo que “mexe com a nossa fé” e que dada esta proximidade do Natal, “traz este convite de nos prepararmos bem para que o nascimento de Jesus seja acolhido, não só com as festas exteriores que se fazem nesta quadra, mas acolhido no nosso coração, pela mensagem de paz, de alegria, de união e de vida que Ele realmente nos traz”.

“Somos convidados, como se dizia na segunda leitura, a viver como filhos de Deus” e é nesta certeza que “somos fortalecidos nos caminhos da vida”. O que aprendemos, disse D. António, “não é para esquecer”, mas também não aprendamos só a doutrina, a teoria, até porque “as questões da fé colocam-se na relação com a vida, por isso mesmo, a fé torna-se prática quando nós fazemos aquilo em que acreditamos” e nos tornamos naqueles filhos que, ajudados pelo Espírito Santo, “transformamos e renovamos a terra”. É isso que nos é pedido: que sejamos discípulos missionários, alguém que aprende e sente a responsabilidade de dar a conhecer. Alguém que sabe “Ser Cristão, Vivendo  em Missão”.

Terminada a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados, para quem pediu um salva de palmas e a quem desafiou a “viver como bons cristãos”.

O prelado dirigiu-se depois aos padrinhos a quem lembrou que, ao aceitarem este convite, assumiram responsabilidades, nomeadamente de ajudar os afilhados a continuar a viver na fé, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer circunstância da vida.

Mesmo antes da bênção final, o Pe. Carlos Manuel fez os habituais agradecimentos a todos quantos tornaram possível a cerimónia que estava prestes a terminar, começando pelos jovens, passando por quem ajudou a limpar e a ornamentar a igreja, pelos pais, padrinhos e catequistas e todos os demais que deram o seu contributo.

Quanto a D. António, associou-se aos agradecimentos feitos, tendo apenas acrescentado “uma palavra e gratidão para com o Pe. Carlos Manuel pela sua dedicação e pelo seu trabalho nestas três paróquias que lhe estão confiadas”.

Depois, como é seu hábito, deixou ainda três breves recomendações aos crismados. A primeira foi para que “não se esqueçam de rezar todos os dias um bocadinho”, o que pode ser feito com recurso às orações que conhecem, ou simplesmente usando o coração para conversar com Deus. A outra recomendação foi para que não deixassem de ir à missa ao domingo e, finalmente, para que não se esquecessem de rezar pelo pré-seminário e pelo seminário, para que surjam novas vocações que permitam, no futuro, dar resposta às necessidades da Diocese.

Terminada a celebração o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que, disse, “não é para ficar esquecido lá por casa a apanhar pó”, mas para “estar ao serviço de todos”.