Moçambique: Ataques atribuídos a radicais islâmicos fazem mais de uma dezena de mortos e levam à fuga de milhares de pessoas

D.R.

Treze mortos e dezenas de feridos, além de dezenas de casas e lojas incendiadas e destruídas é o balanço mais recente de uma nova onda de violência no norte de Moçambique em ataques que são atribuídos a radicais islâmicos.

O caso mais recente ocorreu na noite terça-feira, dia 29 de Novembro, quando um grupo armado matou uma pessoa e feriu gravemente outra na aldeia de Nacutuco, perto de Mucojo, na província de Cabo Delgado. O grupo atacante usou armas de fogo e as tradicionais catanas, tendo atacado a povoação e saqueado os lugares de venda informal existentes na zona.

Dias antes, na sexta-feira, pelo menos 12 pessoas morreram e dezenas de casas foram incendiadas noutro ataque atribuído também a radicais islâmicos que actuam nesta região situada no norte de Moçambique.

Como consequência deste ataque no distrito de Nangane, onde praticamente não há patrulhas de segurança do exército nem da polícia, milhares de pessoas fugiram para a vizinha Tanzânia, cuja fronteira fica situada a poucos quilómetros de distância.

Há registo de mortos e feridos nas localidades de Chicuaia Velha, Lukwamba e Litingina, sendo que a maioria das vítimas foram assassinadas com catanas e facas, havendo pessoas que morreram carbonizadas depois de os agressores terem deitado fogo às aldeias. Este é o terceiro incidente no último mês na província de Cabo Delgado, elevando para 20 o número de vítimas mortais.

Esta onda de violência está a ser atribuída, segundo diversas agências de notícias, a uma organização jihadista Al-Shabab, que, no entanto, não terá relacção com o grupo homónimo da Somália.

O grupo Al-Shabab de Moçambique tem procurado desestabilizar a região norte do país, criando condições para a existência de comércio ilegal de madeira, marfim e diamantes, que gera milhões de euros todos os anos.

As autoridades já detiveram, nas últimas semanas, cerca de duas centenas de suspeitos de pertencerem a esta organização terrorista. No entanto, como se viu na semana passada, isso não impediu novos ataques contra as populações civis.

Desde outubro do ano passado que mais de uma centena de pessoas perderam a vida em resultado dos actos de violência ocorridos no norte de Moçambique.

A Igreja Católica tem manifestado a sua preocupação em relação a esta onda de violência, tendo decidido, na última reunião da Conferência Episcopal, enviar missionários para a área mais afectada para trabalharem junto das famílias que mais têm sofrido com os ataques.

A preocupação com esta onda de violência também já ultrapassou fronteiras e chegou a Portugal com o Presidente da República a manifestar a sua solidariedade para com o povo moçambicano.

Em comunicado divulgado na quarta-feira na página da internet da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que transmitiu condolências ao seu homólogo moçambicano e às famílias da vítimas assim que teve conhecimento do ataque de sexta-feira, desejando “votos de rápidas melhoras a todos os feridos” e explicando, nesse comunicado, que “Portugal condena, com veemência, este e todos os actos de barbaridade e violência ocorridos na região, solidarizando-se com Moçambique em momentos de dor e revolta como este”.