Oração do Bispo do Funchal na celebração ecuménica pelo centenário do fim da Primeira Guerra Mundial: Apelos ao Deus da Paz

Foto: Duarte Gomes

Apelos ao Deus da Paz

D. António Carrilho, bispo do Funchal

“Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro da paz” (Is 52,7)

 

De mãos estendidas para Vós, Senhor, 

Vimos pedir se concretize

o Vosso sonho de Amor

De fazer do mundo um oásis de Paz!

Como o profeta Isaías,

Não queremos mais ouvir o “calçado

 ruidoso da guerra”,  que provoca

a dor, a fome e a morte,

devastando a face da terra.

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Enviai-nos mensageiros

Com pés ligeiros e asas de ternura!

Boa Nova nos lábios,

Na dor e na desventura,

quais sentinelas na noite,

A indicar os caminhos da Paz.

Aos que tombaram na guerra,

Recebei-os, Senhor,

Na Paz e na glória eterna do Amor!

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Senhor, do nosso coração inquieto

Sobe o desejo mais ardente:

Lançai sobre a nossa terra ressequida,

Pelo desamor e tristeza,

Rios de Água viva,

Sementes de vida e de esperança

Que floresçam ao sol do Vosso Amor

E produzam frutos de 

Verdadeira Paz.

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Nas noites da nossa história,

Enviai-nos a Luz do Espírito Santo.

Purificai, Senhor, a nossa memória.

Olhai os povos com sede e fome de Paz.

E realizai a harmonia universal,

Para vivermos como irmãos da mesma família,

Nos gestos simples e pequenos,

na oferta e proximidade do coração,

cheio de amor e de perdão. 

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Que todas as nações deponham as armas,

Os ódios, as violências e as guerras,

E se transformem em mensageiros,

 em instrumentos de Paz.

Que não tenham medo de partilhar os dons,

De secar as lágrimas dos que choram,

Dos que sofrem e se perdem nos labirintos da vida.

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Dá-nos a Paz que resplandeceu

 no Rosto do Menino de Belém,

e que os Anjos cantaram 

E proclamaram

 No silêncio da noite de Natal!

Que ela desça como orvalho manso, 

orvalho de luz, que nos vem de Jesus,

Ao coração dos pobres e dos humildes,

Aos que sonham um mundo de paz.

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Como Francisco de Assis,

O Irmão universal, o Pobrezinho feliz,

queremos viver na alegria,

no amor e na fraternidade.

Dar o abraço de Paz e Bem

a todas as criaturas, aos pobres,

 aos ricos e aos sofredores,

no dom da gratuidade,

e da cordial amizade.

 

Dá-nos, Senhor, a Vossa Paz!

 

Que Maria, Rainha da Paz, 

Mãe de toda a humanidade,

Faça brilhar, com materna suavidade,

a Luz da Páscoa,

E a Paz do Ressuscitado,

no coração angustiado

das crianças, dos jovens e das gentes,

vítimas da guerra.

Senhor, rezamos “Juntos pela Paz”.

Congregai-nos na unidade,

 em redor da Ceia do Amor,

sob o sorriso amoroso de Deus Criador,

Príncipe da Paz. Ámen.

 

Funchal, 9 de Novembro de 2018