Crismados da Assomada querem “viver sempre como cristãos em missão, dentro e fora da Igreja”

Foto: Duarte Gomes

Foram 33 os jovens da Paróquia da Assomada que receberam, na tarde de sábado, dia 3 de novembro, o Sacramento da Confirmação numa Eucaristia presidida por D. António Carrilho.

Logo no início da celebração, como é habitual nestas ocasiões, uma jovem falou em nome da comunidade e do grupo. Fê-lo para agradecer a presença do prelado, mas também para lhe dar conta de que os jovens que ali estavam, diante dele, assumem o compromisso de querer “viver sempre como cristãos em missão, dentro e fora da Igreja, testemunhando o amor de Deus e realizando a boa nova de Jesus”. A jovem disse ainda que, “na condição de filhos de Deus, queremos renovar o nosso entusiasmo na vivência da fé, descobrindo a pessoa de Jesus, como parte integrante e fundamental para a nossa vida de cristãos” e com a convicção de que “sou de Cristo, nada temo”.

A estas primeiras palavras, acompanhadas pela entrega das também habituais flores, o bispo do Funchal respondeu com um “muito obrigado”, e a vontade de que aquele fosse um “momento de festa” a “marcar os nossos corações”.

No início da celebração coube ao Pe. Paulo Sérgio, pároco da Assomada agradecer a presença de D. António, a quem disse que a paróquia estava em festa “pela honra da vossa visita e pelo Pentecostes que queremos que aconteça nestes 33 jovens – 16 raparigas e 17 rapazes – que vão receber o Crisma e em toda esta comunidade paroquial, aqui congregada como filhos de Deus pai.”

Disse ainda que o momento, para além de nos recordar o nosso batismo, fazia “recordar a exigência de viver a fé cristã conscientes de que queremos ser cristãos enviados em missão na vida da Igreja, anunciado com alegria e acima de tudo com o testemunho da nossa própria vida de filhos de Deus”. Pediu ainda que o prelado a todos confirmasse na fé e enviasse em missão, “para sermos discípulos alegres e atentos”, num mundo onde “parece vacilar a esperança”.

D. António agradeceu as palavras e apelou para que os que ali estavam reunidos procurassem “sentir esta fé comum”, tornando a tarde especial para os que iam ser crismados, mas para toda a assembleia que um dia foi batizada, e que tinha ali uma ocasião de “reavivar a fé que temos e o sentido de que se é cristão.”

Na homilia, o prelado começou por agradecer a apresentação que o Pe. Paulo Sérgio, entretanto, fez dos jovens, referindo que a mesma demonstrava “a confiança” que ele tem no grupo, ainda que o próprio tenha reconhecido as “deficiências da formação catequética, nos tempos actuais”.

Seja como for, disse D. António, o percurso feito por alguns foi longo, porque se sente que, “cada vez mais, as pessoas têm de ser preparadas para a vida”, especialmente neste tempo “de tantas relações, tanta mobilidade, de tantos encontros com gente de culturas e até de religiões diferentes”. Perante esta realidade, frisou, “temos que estar preparados para viver a nossa fé, sabendo a razão de a termos e que ela é muito pessoal e por isso mesmo, no confronto com quem pensa de maneira diferente, não se pode desvirtuar ou esquecer”.

Dirigindo-se aos crismandos, D. António disse-lhes que pela acção do Espírito Santo que iriam receber, todos eles ficariam habilitados a pôr em prática, na vida de cada dia, os ensinamentos que foram adquirindo ao longo destes anos, e desta forma contribuir para “transformar e renovar a terra” e para sentir “a alegria de ser cristãos”, convictos de que “somos de Cristo e nada tememos”. Mais uma vez, alertou, o caminho não será fácil. As imagens que nos chegam todos os dias, através da comunicação social, daquilo que se passa no mundo fazem-nos pensar que “estamos tão longe, tão longe” daquela mensagem “de unidade” e de “felicidade”, que Jesus nos deixou há tantos anos. Uma realidade que “só muda, quando cada um mudar” e tiver “Cristo como referência”.

Numa breve alusão à palavra proclamada, o prelado disse que ela aponta precisamente para essa necessidade de acreditar que Jesus continua vivo entre nós, porque “é na ressurreição de Jesus que se firma a nossa fé”. E partindo desse princípio é preciso continuar a espalhar a Boa Nova, para que “o mundo dos homens se transforme em reino de Deus, em reino de amor”.

Neste contexto, D. António recordou as palavras da jovem que falou logo ao início da celebração, quando esta dizia que “queremos renovar o nosso entusiasmo na vivência da fé, descobrindo a pessoa de Jesus, como parte integrante e fundamental para a nossa vida de cristãos”. Este deve ser o compromisso de todos nós, conscientes de que, como se dizia na segunda leitura, somos os membros que formam um corpo que só funciona com “união”. Uma união que deve estar presente onde quer que as pessoas se reúnem, seja na família, nos grupos da paróquia ou fora dela, no trabalho, nas instituições, e que deve ser a base da “superação” das divisões e das dificuldades.

Terminada a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados, que desafiou a “viver como bons cristãos”, longe de caminhos menos próprios em que é fácil cair, mas difícil sair. Dirigiu-se depois aos padrinhos a quem lembrou que, ao aceitarem o convite, assumiram responsabilidades, nomeadamente de ajudar os afilhados a continuar a viver na fé, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer circunstância da vida.

Já a terminar a cerimónia, e depois dos agradecimentos do Pe. Paulo Sérgio a todos os que a tornaram possível, o prelado voltou a dirigir-se aos crismados, a quem pediu para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo.

Pediu-lhes também, e à comunidade, para que rezassem pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, pelo seminário e pré-seminário, e para que pensassem, “sem vergonha”, na possibilidade de seguir o caminho da vida religiosa ou do sacerdócio. Como exemplo voltou a falar do Pe. Carlos Almada, o mais jovem sacerdote da Diocese e seu secretário, que aceitou o desafio para o qual foi chamado.

Terminada a Eucaristia e como é habitual, o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que, disse, “não é para ficar numa qualquer gaveta, esquecido ou numa estante a apanhar pó”, mas para “estar ao serviço de todos lá em casa”.