Santos e intercessores

1. A santidade, que a Igreja Católica assinala nestes dias de todos os Santos e Fiéis Defuntos, é um dos temas centrais do Papa Francisco, propondo um modelo cristão de felicidade como alternativa ao consumismo, à pressa e à indiferença face ao outro.

Santo é o que caminha nas grandes tribulações em direcção à LUZ. Deus é a Luz e nós caminhamos envolvidos nessa Luz que é para nós um apelo constante. Envolvidos pela Luz, não queremos mais nada. NEle encontramos tudo o que é bondade, carinho, amor, ternura,…

2.No dia 1 papa Francisco, evocando os fiéis defuntos,  afirmou: “O testemunho de fé de todos os que nos precederam reforce em nós a certeza de que Deus acompanha cada um no caminho da vida, nunca abandona ninguém a si mesmo e quer que todos sejamos santos, como Ele é santo”.

Será preciso fazer actos de heroísmo? Nem todos serão chamados a isso. 

A ‘Gaudete et Exsultate’ recomenda a santidade dos “pequenos gestos”, que impede de falar mal dos outros, olha para o pobre e reserva tempo para a oração.

3.De destacar o elogio que o Papa faz dos “estilos femininos de santidade , que se manifestaram, ao longo da história, em “tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que sustentaram e transformaram, cada uma a seu modo, famílias e comunidades com a força do seu testemunho”. Basta recordar o modelo de santidade de Santa Teresinha do Menino Jesus.

4.O Papa sustenta ainda que a santidade é uma “luta constante contra o demónio”. É este que nos envenena com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios”.

Não podemos propor-nos um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns reduzem a sua vida às novidades do consumo, ao mesmo tempo que outros passam uma vida miserável.

5.O Papa defende na sua exortação apostólica “Gaudete et Exsultate” uma vida cristã “austera e essencial”, centrada nas ‘Bem-aventuranças’ propostas por Jesus. “Este caminho vai contracorrente, a ponto de nos transformar em pessoas que questionam a sociedade com a sua vida, pessoas que incomodam”, escreve.

A mensagem de Jesus é esta: no Monte, sentado nalguma pedra, ensina as multidões que o rodeiam: ”Felizes os pobres,… os que choram,… os humildes,… os que sofrem de fome e sede de justiça,… os misericordiosos,… os puro de coração,… os que promovem a paz,… os que são perseguidos, desprezados ou abandonados,… e quando vos perseguirem e insultarem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós (e vos martirizarem) por causa do Meu nome. O cumprimento das bem-aventuranças enche o coração de alegria. 

6.Os cristãos caminharam ou caminham no meio de grandes tribulações: sofrimentos do Papa, doenças dolorosas, inimizades de abutre, guerras, perseguições (genocídio de cristãos: 215 milhões de perseguidos…), maçonaria tentando destruir a Igreja impondo escolas públicas com programas anti-Deus e “roubando os filhos à formação dos pais…). Mas os que cantam louvores ao Senhor são: “os que vieram da grande tribulação”: a pobreza, a miséria, a inveja, o ódio, a desumanização,…

Para cumprir as bem-aventuranças, o Papa Francisco sugere: “a oração, a paciência, a mansidão, a ousadia, a alegria e o bom humor.”

7.O cardeal Arlindo Furtado, arcebispo de Santiago de Cabo Verde, disse no dia 26 outubro – que o Sínodo dos Bispos devia apresentar respostas para o “vazio” sentido por milhões de jovens. Este tem sua “génese” numa vida sem Deus e no desprezo pelo outro em especial pelo pobre. 

Nestes dias é costume potencializar o consumo de flores nos nossos cemitérios: gastam-se fortunas que em 3 dias estarão murchas ou a cheirar mal e há tantos pobres que passam fome. Olhemos para os santos como mestres de virtudes como a humildade, a paixão pelos pobres, o carinho, o respeito,… e para os nossos queridos familiares como amigos que intercedem por nós junto de Deus. Num dos dias até se irá à Missa, porque faz parte dos dois ou três dias que durante o ano, se vai à igreja. De resto, nem nos funerais Ser santo é assumir a vida comprometidos com Deus e com os irmãos. E andamos de coração ‘vazio’. Deixemo-nos iluminar pela Luz que vem de Deus.