Eucaristia presidida por D. António Carrilho na Igreja da Piedade assinalou solenidade de Todos os Santos 

Esta celebração marcou também o início das comemorações dos 600 anos do descobrimento do Porto Santo, que decorreram ao longo do dia.

Foto: Homem de Gouveia/Lusa

D. António Carrilho presidiu esta quinta-feira, dia 1 de novembro, na Igreja da Piedade, no Porto Santo, à Eucaristia que assinalou a solenidade litúrgica de Todos os Santos. Uma celebração que marcou também o início do programa das celebrações dos 600 anos do descobrimento da ilha.

Na homilia, o prelado disse ser aquele um momento para “contemplar o admirável mistério do amor de Deus, que os Santos viveram heroicamente, fazendo resplandecer o amor do Pai na sua vida de batizados”, mas também de “louvar e agradecer ao Senhor todas as graças e maravilhas realizadas nas nossas comunidades insulares.”

Referindo-se à liturgia do dia 1 de novembro, D. António Carrilho disse que ela é “um convite e proposta para uma vida de felicidade com Deus e com os outros, não só na glória eterna, mas no agora eterno da nossa peregrinação neste mundo”.

“Numa época em que a cultura do efémero, o sofrimento e a tristeza nos impedem de contemplar a Beleza do Invisível, somos chamados a fixar o nosso olhar no Espelho da Eternidade, no horizonte da esperança e no oceano do amor de Deus”, frisou ainda.

D. António lembrou igualmente que, neste dia, não se recordam “apenas os Santos canonizados”, nem pessoas que “realizaram obras extraordinárias ou possuíram carismas excecionais”. Recordamos aqueles que “viveram heroicamente as suas virtudes, numa expressão profunda de caridade para com Deus e os irmãos, por vezes em momentos de grande exigência, até ao martírio por causa da fé, ou na simplicidade da vida quotidiana.”

Assim sendo, sublinhou, “a liturgia do dia 1 de novembro é um convite e proposta para uma vida de felicidade com Deus e com os outros, não só na glória eterna, mas no agora eterno da nossa peregrinação neste mundo.”

De resto, “a Igreja reafirma que a santidade é para todos e para todos os tempos.” E “uma vida santa e digna, pautada pelo Evangelho, potencia os nossos valores e eleva a dignidade humana à sua plenitude no projeto de Deus. Com a santidade vivida e testemunhada, criaram-se novos modelos culturais e respostas adequadas aos desafios das civilizações, através dos séculos.”

“Inquietação e dinamismo missionário”

Quanto à celebração histórica que esta Eucaristia pretendia também assinalar, D. António disse que “fazemos hoje memória jubilosa dos 600 anos da chegada dos portugueses a esta terra e damos graças pelas maravilhas que Deus realizou, na multissecular história do nosso povo.”

Para o Infante D. Henrique, recordou D. António, que era mestre da Ordem de Cristo, “com a descoberta das ilhas concretizou-se o desejo de ‘dilatar o Reino e fazer cristandade’, para serviço e glória de Nosso Senhor.”

Recordou alguns escritores da História Insulana, com particular destaque para Gaspar Frutuoso e para o “Pe. Fernando Augusto da Silva, que afirma que tal gesta grandiosa constitui um dos acontecimentos mais brilhantes e assinalados da nossa história. Deve ficar indelevelmente gravado em letras de ouro nas páginas dos anais madeirenses e essa expansão territorial andava sempre ligada à ação eminentemente civilizadora da propagação da fé, que os nossos incansáveis missionários iam heroicamente difundindo por toda a parte’ (Diocese do Funchal, Sinopse Cronológica, 1945, 9-10).”

Na verdade, “o povo das Ilhas Atlânticas, ao longo da sua história, esteve profundamente marcado pela inquietação e dinamismo missionário de levar a fé cristã a outras paragens do mundo.”

A insularidade, frisou, “não isolou as suas gentes; pelo contrário, o Porto Santo e a Madeira tornaram-se, ainda que de modo diferente, espaços abertos à universalidade e encontro de culturas. Religiosos, sacerdotes e leigos partiram com determinação e audácia e partilharam, juntamente com o anúncio do Evangelho, as nossas tradições religiosas, sociais e culturais.”

Neste contexto, lembrou, “com particular orgulho e apreço”, a figura de Frei Estêvão Pedro de Alencastre, nascido nesta terra a 3 de Novembro de 1876, que emigrou com os seus pais para o Havai, procurando fugir à miséria causada pelas secas, fome e doenças, que atingiram o Porto Santo, ao longo do século XIX. Lá se distinguiu na vida religiosa (Padres do Sagrado Coração de Jesus), tendo sido sagrado Bispo no Havai a 24 de Agosto de 1924. O sinal visível da sua casa torna presente, entre nós, a memória desta grande figura de missionário, que continua viva no coração de muitos.”

“Os descobrimentos projetaram Portugal, sem dúvida, para lugar de grande relevo na história da humanidade e constituem um elemento decisivo da identidade nacional e da atividade missionária da Igreja, sublinhou.

De referir que participaram nesta celebração o presidente da República, o representante da República para a Madeira, o presidente da Assembleia Legislativa, o presidente do Governo Regional e o presidente da Câmara do Porto Santo, entre outras entidades civis e militares.