Sínodo 2018:  Vocação e sinodalidade

D.R.

No sábado – 27 de outubro – foi apresentado o Documento Final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos que, desde o dia 3 de outubro, foi celebrada em Roma com a temática dos jovens, a fé e o discernimento vocacional. Apresentamos algumas orientações no domínio vocacional “alargado” quer seja ao sacerdócio, à vida religiosa consagrada ou ao matrimónio.

Temas abordados

O documento tem 167 pontos. Cada um foi votado de forma individual e aprovado com a maioria requerida de dois terços dos 268 padres sinodais.

Entre os pontos abordados está a sinodalidade da Igreja, assim como a escuta e o discernimento.

Trataram-se temas sumamente variados como a centralidade da liturgia, a pastoral juvenil, o papel da mulher na Igreja, a sexualidade, o escândalo dos abusos, as perseguições, a espiritualidade, a vocação e seu discernimento, as relações entre gerações, a colonização cultural, o mundo do trabalho ou a importância da formação, em especial a formação dos seminaristas.

Desenvolver uma cultura vocacional

Podemos dizer que a escuta como condição essencial da vocação, “comporta uma longa viagem”(77) e é tema que percorre todo o Documento. 

A vocação tem em Deus a sua origem e todos somos chamados. Em todas as comunidades cristãs, a partir da consciência batismal dos seus membros se deve desenvolver uma verdadeira cultura vocacional e um constante compromisso de oração pelas vocações”. Ser chamado é um convite a participar da missão da Igreja cuja finalidade é estabelecer comunhão entre Deus e todas as pessoas”.

E afirma que “a missão de muitos consagrados e consagradas que se entregam aos últimos da sociedade, nas periferias do mundo, manifesta concretamente a dedicação de uma Igreja em saída”, lê-se no ponto 88.

Nalgumas regiões assiste-se a uma redução numérica e à fadiga do envelhecimento, mas a vida consagrada continua fecunda e ativa, também por meio da corresponsabilidade dos leigos.

Esta situação exige uma renovada reflexão sobre a fascinação na pessoa de Jesus de Nazaré e do seu chamamento ao serviço humilde de ser pastores de seu rebanho”.

Formação dos candidatos ao sacerdócio

Quanto à formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada, os padres sinodais fazem ressaltar a importância da preparação dos jovens como agentes pastorais. Assinalam que a formação dos futuros sacerdotes e consagrados é “um desafio importante para a Igreja”. O documento afirma que muitos jovens expressaram o desejo de “conhecer melhor sua fé, a Sagrada Escritura, o sentido dos dogmas e a riqueza da liturgia”. 

No ponto 119, lê-se: a Igreja decidiu ocupar-se dos jovens e “considera esta missão uma prioridade pastoral desta época na qual se deve investir tempo, energias e recursos”.

Antropologia da afetividade e da sexualidade

A Igreja reconhece que “os diversos tipos de abusos cometidos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos provocam naqueles que são vítimas, entre os quais há muitos jovens, sofrimentos que podem durar toda a vida”.(29)

O Sínodo pede atuar na raiz do problema (30): “o desejo de domínio, a falta de diálogo e de transparência, as formas de dupla vida, o vazio espiritual, assim como a fragilidade psicológica”.

A Igreja trabalha “para transmitir a beleza da visão cristã da corporeidade e da sexualidade”. (149) “É preciso propor aos jovens uma antropologia da afetividade e da sexualidade capaz também de dar o valor justo à castidade”.

A sinodalidade

O Sínodo optou desde o começo por envolver os jovens para que se sintam co-protagonistas da vida da missão da Igreja.

No texto se insiste na aposta pela sinodalidade, ao dizer que esta “caracteriza tanto a vida como a missão da Igreja, que é o Povo de Deus formado por jovens e idosos, homens e mulheres de qualquer cultura e horizonte, e o Corpo de Cristo, do qual somos membros”.