Sínodo 2018: Quatro semanas em «estilo sinodal»

D.R.

D. Eamon Martin, arcebispo de Armagh (Irlanda), sofreu uma mudança face ao decorrer do Sínodo: “Ao vir para Roma, cheguei com uma certa dose de ceticismo”, mas a experiência do Sínodo, “vendo e conhecendo a realidade dos jovens” de vários países, levou-me a sentir-me agora um “embaixador” da alegria que se viveu nestas semanas.

Papa Francisco: «Boa vindima, promete um bom vinho»

Francisco defendeu um “estilo sinodal”. O Papa afirmou – dia 28 – que o resultado principal do Sínodo dos Bispos não é a redação de um documento conclusivo, mas o “modo de ser e trabalhar em conjunto”, capaz de fazer propostas em sintonia com a realidade. Defendeu um “estilo sinodal”, em que as semanas de trabalho foram “um tempo de consolação e de esperança”, valorizando a escuta. 

Foi importante pôr a trabalhar em conjunto, jovens e anciãos, na escuta e no discernimento, para procurar escolhas pastorais em sintonia com a realidade”, afirmou o Papa na alocução do Ângelus, na Praça de São Pedro, após ter presidido à Missa de encerramento do Sínodo.

O Sínodo dos Bispos sobre o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, envolvendo mais de 400 pessoas e que contou com a participação inédita de mais de três dezenas de jovens convidados, decorreu no Vaticano, de 3 a 28 de outubro.

 “Escutar exige tempo, atenção, abertura da mente e do coração. Mas este empenho transformou-se todos os dias em consolação, sobretudo porque tínhamos no meio de nós a presença viva e estimulante de jovens, com as usas histórias e os seus contributos”, afirmou.

“A realidade multiforme das novas gerações entrou no sínodo”, disse o Papa aos peregrinos e turistas presentes na Praça de São Pedro.

Francisco disse: “Vimos a realidade, os sinais do nosso tempo”. E acrescentou “os frutos deste trabalho estão já a fermentar”, procurando agora continuar a “caminhar em conjunto, através de tantos desafios”, nomeadamente “o mundo digital, o fenómeno da migrações, o sentido do corpo e da sexualidade, o drama das guerras e da violência”

“O sínodo dos jovens foi uma boa vindima, que promete um bom vinho”, defendeu o Papa.

Acompanhamento e valorização dos jovens na Igreja

Os dois delegados da Conferência Episcopal Portuguesa ao Sínodo dos Bispos 2018, sublinharam à Agência ECCLESIA as apostas no acompanhamento e valorização dos jovens na Igreja.

D. António Augusto de Azevedo, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios (CEVM), realça a consagração, no documento final, um “sentido mais alargado de vocação”, que implica maior abordagem “nos vários processos de amadurecimento na fé, de iniciação na fé, da Pastoral de Juventude nos vários âmbitos”. E precisa que um dos aspetos fundamentais de todo o Sínodo foi o reforço da necessidade do “acompanhamento”. Este ministério é alargado a todos os que têm funções educativas: aos adultos, aos cristãos mais crescidos, aos pais, aos catequistas, aos professores, às pessoas que têm responsabilidades formativas, inclusivamente aos treinadores desportivos”.

D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa, e daa CEVM, projeta por sua vez a necessidade de implementar o documento final, como “uma espécie de bussola de orientação” para escutar os jovens e “testemunhar a Boa Nova do Evangelho”. E acrescentou: em Portugal, existe “grande abertura” para a receção destas orientações e “uma grande vontade e empenho para traduzir e levar à prática o que o Sínodo refletiu e propõe”. Temos de ler o documento, refletir sobre ele, olhar a nossa realidade à sua luz, e depois o Espírito nos inspirará e nos ajudará a encontrar os melhores meios para caminharmos.”

D. Zeferino Zeca Martins, bispo do Huambo (Angola), mostrou-se “muito satisfeito” com o documento final, que é fruto de um processo em que os jovens foram consultados nos seus “anseios, esperanças e necessidades”..

O irmão Alois, prior da comunidade ecuménica de Taizé (França), que todos os anos recebe milhares de jovens cristãos, mostrou-se “muito feliz” com a experiência do Sínodo, para a qual foi convidado. “Penso que a Igreja fez, verdadeiramente, um caminho com o Sínodo, com questões novas, também, como a “sinodalidade”, o papel das mulheres na Igreja, estar próxima dos jovens, como fazer isto. O prior de Taizé foi um dos responsáveis pela redação da mensagem aos jovens de todo o mundo. “A carta aos jovens é uma pequena mensagem, para lhes reforçar que queremos dialogar com eles e estar perto deles.