‘Ícone – Beleza e Mistério’: exposição dá testemunho de uma “genuína manifestação da arte cristã”

Foto: Duarte Gomes

‘Ícone – Beleza e Mistério’ é como se intitula a exposição que foi inaugurada esta quarta-feira, no Museu de Arte Sacra do Funchal, mostra a que o diretor do espaço se referiu como “a mais pura manifestação de uma elevadíssima expressão artística”. 

Na abertura do evento, João Henrique Silva explicou que a exposição em causa “nos reporta para as raízes do mundo bizantino, que atravessou os séculos, e que ainda hoje e, em várias latitudes, dá testemunho da profunda unidade que liga as diferentes formas e estéticas que produziram esta genuína manifestação da arte cristã”.

O responsável pelo Arte Sacra lembrou ainda que esta exposição foi programada para assinalar a celebração do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, que hoje se celebra em todo o país, e que a escolha da data de abertura ao público também não foi “aleatória”. “Se esta data evoca uma celebração nacional, ela celebra também uma data maior do calendário desta Diocese: 18 de outubro é o Dia da Dedicação da Sé do Funchal, de que passam amanhã [hoje] 501 anos”, frisou.

João Henrique Silva lembrou, de resto, que “há um ano, precisamente nesta data, o Museu de Arte Sacra abria ao público uma grande exposição temporária, que tinha por tema os 500 anos da Dedicação da Sé e a evocação da grande figura de pastor e de historiador que foi o padre Pita Ferreira”.

Dessa forma, frisou que a iniciativa inaugurada na tarde desta quarta-feira, “dá, agora, uma continuidade de programação, que permite ao Museu de Arte Sacra ficar inserido na programação nacional desta semana, que junta eventos por todo o país, sob o lema ‘Diálogos com a Arte Cristã’, diálogo bem patente nesta exposição, que liga em sintonia profunda e de forma indelével, modeladas pela história, as mais belas expressões de arte, espiritualidade e cultura”.

A exposição ‘Ícone – Beleza e Mistério’ nasceu, conforme explicou o diretor, precisamente aquando da exposição dos 500 anos. “Nessa altura interpelamos D. Teodoro sobre a possibilidade de mostrar, aqui no museu e para um público mais vasto, este maravilhoso grupo de ícones que guarda na sua casa, como objeto de contemplação e de devoção pessoal. Digo um grupo e não uma coleção, porque o senhor bispo não se considera um colecionador, mas o guardião deste belo conjunto”. Tendo havido essa disponibilidade e “confiança” deram-se os passos necessários para tornar esta exposição uma realidade, sendo que, confessa João Henrique Silva, “a sua natureza artística foi para nós um estimulante desafio em termos de realização de uma museografia, capaz de fazer justiça ao esplendor da beleza destes ícones”. 

Os 70 ícones agora expostos fazem parte, como se disse, do acervo pessoal do bispo emérito do Funchal, D. Teodoro de Faria, que os cedeu a título temporário para esta exposição, e que fez questão de acompanhar todas as etapas da sua preparação. 

Daí que, na sua intervenção, D. Teodoro de Faria tenha feito referência ao “trabalho extraordinário, que eu muito admiro”, em torno da organização desta mostra, que tem como curador Martinho Mendes, mas que envolveu “uma jovem equipa”, e a colaboração da iconógrafa e investigadora Irina Curto.

D. Teodoro de Faria começou por dizer que, se não fosse a sua vida, que o levou a andar por “tantos mundos”, “nunca poderia ter esta exposição”.

A terminar de referir que a exposição ‘Ícone – Beleza e Mistério’ pode ser visitada até 18 de dezembro e contou, na sua abertura, com a presença do bispo do Funchal, D. António Carrilho, do representante da República para a Madeira, da secretária do Turismo e ainda do presidente da Câmara do Funchal, entre outras entidades e convidados.