Desafios colocados aos jovens

D.R.

“Renovada abertura” na Igreja 

1.Uma das conclusões dos cinco anos de Pontificado do Papa Francisco é: o Papa tem promovido «renovada abertura» na Igreja. Testemunho de José Miguel Sardica Professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP): “Tem sido um Papa muito aberto …  Assistimos a uma renovada abertura ao mundo numa Igreja que saiu da Cúria, com a visão de um Papa que é menos institucional, mais informal, mais de estar e refletir com os outros”. Todos – crentes e não crentes – encontram um Papa “aberto ao mundo”. Assim é Jorge Bergoglio. A psicóloga Cristina Sá Carvalho considera, por sua vez, que Francisco trouxe da Argentina “a novidade do Evangelho de forma extremamente fresca e oportuna”.

Jovens não vos caleis

2. Na sua mensagem de preparação da JMJ do Panamá, que se realizará em janeiro de 2019, Jorge Bergoglio questionou: “Caros jovens, cabe a vós não ficar calados. Se nós, idosos e responsáveis – muitas vezes corruptos – silenciamos, gritai vós ‘antes que gritem as pedras’.” “Fazei-vos ouvir nas dioceses. Defendei-vos do mundanismo, do imobilismo, do comodismo, do clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em vós mesmos.» (25/7/2013, JMJ, Rio de Janeiro) «Não queremos jovens com cara de tédio. Queremos jovens que conhecem Jesus e sabem ir contracorrente. Capazes de se aproximarem dum pobre, “ e de se afligirem com a dor dos outros”.» (12/7/2015, viagem ao Equador, Bolívia e Paraguai). 

Jovens comprometidos na mudança 

3. Perante dezenas de milhares na Praça São Pedro o Papa Francisco afirmou: “ Calar os jovens é uma tentação que sempre existiu ”. “Há muitas maneiras de os anestesiar e adormecer para que não façam ‘barulho’, para que não se interroguem nem ponham problemas em discussão”. Em Cracóvia, na inauguração da última JMJ, perguntei-vos várias vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado nasceu do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença. “Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. 

Jovens protagonistas do futuro 

4. Na Carta aos Jovens de 14 de janeiro de 2017 disse: “A Igreja Católica quer colocar-se “à escuta da voz, da sensibilidade, da fé, e também das vossas dúvidas e críticas”. O próximo sínodo dos Bispos, em outubro, terá como tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Vai ser um dos contributos positivos com representantes dos episcopados católicos. Sei que a juventude “é generosa” e os jovens “estão abertos à proposta da Igreja” e fazem “caminhada”. E ainda no Rio de Janeiro: «Por favor, não deixeis para outros o ser protagonistas da mudança! Através de vós entra o futuro no mundo. Peço-vos: sede os protagonistas desta mudança, vencei a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo, sede construtores dum mundo melhor.” (25/7/2013, JMJ)

Nas redes sociais 

5. Chega a 40 milhões o número de seguidores do Papa Francisco nas redes sociais. “A Internet é um dom de Deus e também uma grande responsabilidade. A comunicação, os seus sites, trouxeram consigo uma ampliação de horizontes. Aproveitemos as possibilidades de encontro e de solidariedade que as redes sociais oferecem”, defende o Papa. E convida os jovens a viver para lá dos «likes» nas redes sociais. Não procurar só os “likes”. “É necessário abrir espaços nas nossas cidades e comunidades para crescer, sonhar, perscrutar novos horizontes”, assinala Francisco. E deixa aos jovens o desafio de “abrir de par em par” as portas das suas vidas, com “pessoas concretas, relações profundas”. “Que as redes sociais não anulem a própria personalidade, mas que favoreçam a solidariedade e o respeito pelo outro na sua diferença”, refere. (Vídeo do dia 05.06.2018 pela Rede Mundial de Oração do Papa)

A solidão 

6. No dia 25 de novembro 2014, Papa Francisco foi ao Parlamento Europeu, a Estrasburgo, e, falando da dignidade transcendente do homem que Deus imprimiu no universo criado, apelou para a sua natureza, a sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, inscrita em todos os corações: “isto significa olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difundida na Europa é a solidão. Vemo-la nos idosos abandonados à sua sorte, bem como nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro. O papa Francisco definiu a solidão como “um pecado social”, no discurso de abertura do encontro pré-sinodal, no Vaticano, em 19.03.18, e que contou com a participação de 300 jovens. O problema do desemprego e o risco da falta de atenção aos jovens, poderão levar à “depressão e suicídio”.