Patamares de saúde mental

O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado a 10 de outubro.

O dia da saúde mental estimula a reflexão sobre saúde mental, as várias “saúdes mentais” e seus patamares. Há doenças mentais que vem da geração, de antes e depois de nascer, provocadas por erros dos cromossomas, de várias moléculas e genes (ADN). Várias perturbações são conhecidas pelos seus investigadores, Down, Altzheimer, Pick, Korsakoff, por exemplo. Muitos sintomas associados tomam o nome de síndromas (doenças) e podem sobrevir por erros de neurónios e por substâncias agressoras nos sistemas orgânicos. Mas as origens genéticas de algumas delas continuam a ser um desafio para os estudiosos. Os distúrbios de personalidade e de carater provocam uma imensidão de problemas. Ainda recentemente a sugestão do papa Francisco para consultar os psiquiatras quando surgem sintomas de homossexualidade provocou reações ideológicas acientíficas. Há várias perturbações pela vida adiante por erros no consumo de substâncias prejudiciais, tóxicos, por via oral e respiratória, que levam às toxicodependências e comportamentos perturbados. Mas não é bem aceite chamar-lhes doenças mentais embora perturbem frequentemente as capacidades mentais e os comportamentos relacionais. As resistências a chamar-lhes problemas de saúde mental às suas nefastas consequências são de atribuir ao facto de se ligarem a comodidades comerciais e consumos aparentemente da iniciativa “livre”. Como se as doenças mentais e outras se reduzissem a acidentes incontroláveis. A este nível continua também a haver muitas incertezas sobre as fronteiras entre os sintomas de distúrbios mentais e as doenças orgânicas.  

E estamos ainda só no primeiro patamar de saúde mental. Em nível acima teríamos de considerar as perturbações de carater, má consciência, falta de ética do bem e do mal, honestidade, responsabilidade e liberdade pessoais. Abre-se um mundo de polémicas quando se fala dos traços de personalidade e dos seus distúrbios, as chamadas psicopatias de fatores e fronteiras mal esclarecidos. Falar nelas provoca ondas de reação. Contudo, os critérios estatísticos, base científica dos diagnósticos, apontam para percentagens de desequilíbrios da personalidade com consequências comportamentais preocupantes e nefastas. A sua observação obriga a subir para outro patamar de falta de saúde mental e biológica com suas consequências sujeitas a discernimento científico, dificultadas por negação e manipulações ideológicas, porque tocam o que mais atinge o equilíbrio e “qualidade” humana: ser verdadeiro, credível, bom, generoso. Na verdade há distúrbios de personalidade no campo religioso, no desporto, no tráfico e violação de pessoas, crianças e adultos; nas toxicodependências, fraude, corrupção, utilização das redes sociais, etc. Mas não é fácil admiti-lo e as modas da cultura preferem tratar esses comportamentos como espertezas de sucesso ou falhanços de insensibilidade moral e devido a fatores culturais anónimos. Os dilemas surgem no momento de distinguir: crime, doença, distúrbio da personalidade, pecado? Por exemplo o DSM, Manual da Associação Psiquiátrica Americana, tido por científico, definiu em 1973 a homossexualidade como “desvio”, mas o busílis foi que o lóbi ideológico pro-gay (GayPA), em 1970 já tinha decidido o contrário; e em 1971, em reunião em Washington votaram gritando, sem apresentar evidências científicas. E em 1973 as pressões ideológicas internas fizeram o resto. A ficção científica nunca mais parou à custa de ameaças e lóbis de pressão para manter o pensamento único. E agora as redes coercitivas, no dizer de Benjamin Wiker, constrangem a homossexualizar a cultura atual impondo práticas mesmo aberrantes nos parâmetros da saúde mental (http://www.ncregister.com/blog/benjamin-wiker, 7.10.2018). Esta tendência e atividades de coerção observam-se em máfias, Igrejas e academias. As perturbações nos campos da homo e heterossexualidade, pedofilia, desonestidade e corrupção, tráfico de pessoas e, quase poderíamos dizer, na área de cada um dos sete pecados capitais e dos dez mandamentos estão num impasse de confusão. São distúrbios de saúde mental, fragilidades, crimes, pecados ou espertezas? Esta confusão cresce de dia para dia apesar de todo o volume de investigações científicas que se vai acumulando nos areópagos das universidades com pesquisas, não raro, viciadas e fraudulentas. Alguns comportamentos obsessivo-compulsivos, patológicos e criminosos, podem ser controláveis com algumas terapêuticas; outras resistem e tomam padrões de repetição compulsiva. Quando essas práticas lesam a integridade de crianças, jovens ou violentam os adultos, estamos perante crimes, pecados ou doenças atenuantes por falta de controlo livre do comportamento? Pedem prisão, manicómio ou louvores públicos? Saúde mental de que patamar? De que harmonia ou desafinação se fala? Não são, afinal, os pacientes internados mas os externos que trazem hoje mais problemas humanos à sociedade.