D. António Carrilho presidiu à Festa do Patrocínio de Nossa Senhora do Monte na Sé do Funchal

Foto: Duarte Gomes

D. António Carrilho voltou a confiar a Diocese do Funchal, “com as suas necessidades e problemas”, a Nossa Senhora do Monte. Foi esta terça-feira (9 de outubro), na Eucaristia solene da Festa do Patrocínio de Nossa Senhora do Monte a que presidiu na Sé do Funchal.

Com a imagem da Padroeira sobre o altar, o prelado frisou que “Nossa Senhora tem um lugar de grande importância, na vida pessoal e social da nossa população crente.”

A Festa do Patrocínio, lembrou, surge como “memória agradecida da intercessão maternal de Maria”, na sequência da calamidade de 9 de outubro de 1803, que originou “gravíssimos danos pessoais, materiais e ecológicos causados pelas chuvas torrenciais”. 

Perante o cenário de devastação, orações e súplicas, cheias de fé, se elevaram à Mãe de Deus, pedindo a sua proteção. De então para cá, a diocese do Funchal e, muito especialmente, a cidade, ficaram sob a intercessão de Nossa Senhora do Monte, o que foi confirmado por documento do Papa Pio VII, em 1804. A forma encontrada de agradecer esse amparo tem sido a celebração, ano após ano, desta Festa do Patrocínio na catedral.

Neste contexto da proteção, o bispo do Funchal disse ainda que a “maternidade espiritual” de Maria se estende a todos nós. “Olhar para Maria, a cheia de graça, é contemplar o mistério da beleza extraordinária, é contemplar este mistério do amor de Deus que nela se reflecte e que faz dela a maior mulher, a maior santa, aquela que nos é proposta como modelo, como caminho, como Mãe”, sublinhou.

Prosseguindo, o prelado disse que “é preciso reconhecer e saborear o Amor de Deus” e “dar testemunho da santidade na vida de cada dia”. É essa, de resto, a proposta do Papa Francisco, na sua última e Exortação Apostólica, intitulada “Alegrai-vos e Exultai”, sobre a chamada à santidade no mundo actual. “Mas santidade na vida simples, real e concreta do nosso dia-a-dia”, colocando naquilo que fazemos “o amor de Deus, o amor fraterno, o amor que é o grande milagre e o grande testemunho da Santidade”. Embora tenha reconhecido que tal não seja nem “simples”, nem “fácil”, e que muitas vezes é preciso “caminhar contra a corrente”, D. António disse que esse “é o caminho”.

Um caminho que começa em cada um de nós e se estende à família, “núcleo vital da sociedade que quando coloca Deus “no centro da vida” “floresce”. A família, disse, “é a primeira escola onde se aprende a viver as virtudes do amor caridade, da justiça e da solidariedade”. A vida conjugal e familiar tem sido apontada, neste últimos tempos, “como autêntico caminho de santidade, na simplicidade concreta da vida quotidiana”. 

Santidade que deve ser vivida, como diz o Papa, com “paciência e mansidão”, mas também com “alegria, sentido de humor, ousadia”. Santidade que, disse D. António, “se vive e se testemunha, que se comunica e se transmite, e que nos remete para aquele que é o lema do presente Ano Pastoral: “Ser Cristão, viver em Missão”. 

Neste contexto, disse D. António, “o testemunho passa por nós, na medida em que formos capazes de assumir na fé o que vivemos e de transmitir o que vivemos nessa mesma fé” e mesmo “no meio das dificuldades e dos problemas”. Foi isso que fez, por exemplo, a Irmã Wilson, “que faz hoje cinco anos foi proclamada em Roma, nas suas virtudes heróicas”. Ela foi, recordou, “uma mulher simples”, que viu as dificuldades da ilha em diversas áreas, e que procurou minimizá-las, empenhando-se e “empenhando outros no mesmo trabalho”. 

A terminar o bispo do Funchal pediu para que “rezemos a Nossa Senhora, à Senhora do Monte, pensando em todos aqueles que na nossa terra mais precisam da sua proteção e do seu apoio”. Neste contexto, lembrou “aqueles que, no ano passado, no acidente do Monte, perderam a vida, aqueles que ficaram feridos, aqueles que sofrem ainda hoje a perda dos seus”.