D. António no Rosário: vinda à festa deve servir para alimentar a fé em Maria Mãe

Foto: Duarte Gomes

D. António Carrilho presidiu este domingo, 7 de outubro, à Eucaristia da Festa de Nossa Senhora do Rosário, a que se seguiu a habitual procissão. 

No início da celebração coube ao prof. Norberto Nunes dirigir ao prelado, em nome da comunidade e das largas centenas de romeiros, palavras de agradecimento pela presença, sublinhando “a honra e a alegria” por, mais uma vez, “recebermos o pastor da nossa Diocese e hoje também, romeiro da Senhora do Rosário”. 

Recordou ainda a primeira vez que D. António ali esteve, sob um forte temporal, para celebrar a Vigília desta Festa e a mensagem que então deixou sobre o “espírito de resiliência que obriga a organização desta romaria”. Uma “romaria tão antiga, mas sempre nova”, que desde o século XVII “ocupa um lugar especial no coração do povo de Deus deste arquipélago que o Senhor foi chamado a pastorear”, e que está a comemorar os 600 anos da sua descoberta. 

Por isso mesmo, disse, “não nos cansamos de dizer que esta romaria faz parte do património religioso do nosso povo”. Nasceu da “devoção à Mãe”, não só dos filhos que ali se estabeleceram, mas de todos os que ali passam, ano após ano. Por isso, as palavras seguintes foram para os romeiros, “com quem já estamos habituados, e sem os quais esta romaria não seria aquilo que é”. Há séculos que eles ali acorrem porque, “aprenderam com os seus antepassados e deles receberam o dom da fé e dom da fé a tão grande Senhora. Aprenderam com eles que quem cá vem e lhe bate à porta, nunca, mas nunca sai de mãos vazias”. 

Logo no início da Eucaristia, em que se procedeu à bênção de uma cruz processional em prata, oferta de um membro da comissão que se encarregou de organizar a festa, e de uma imagem de Santo António de Lisboa, o Pe. Hugo Gomes, Pároco do Rosário, agradeceu também a presença de D. António naquela celebração, bem como de todos os “milhares de romeiros que, ao longo destes dias vieram cá dentro rezar e se encontrar com Maria, para pedir a sua bênção e a sua protecção. Ela que, frisou, “ao longo dos séculos tem sido esta Mãe que nos conforta e que nos abençoa”. 

D. António agradeceu, reconhecido, as palavras de saudação e de boas vindas que lhe foram dirigidas e as oferendas que algumas crianças lhe entregaram, sublinhando que são pequenos gestos, “sinais do que está nos nossos corações, neste momento inicial”, corações que “devem abrir-se ao amor de mãe, de que brota tudo aquilo que possamos pedir e possamos esperar”.  De resto, disse, a celebração convida a que “concentremos o nosso pensamento e o nosso coração na mensagem que nos chegou por Maria, aquela que nos dá o Seu filho salvador”.

“É uma alegria grande para o bispo estar no meio de vós, os que são de cá e os que vieram como romeiros, e como romeiros se alimentem da fé e regressem às suas terras com a alegria do encontro com Nossa Senhora, que hoje aqui invocamos com tanta tradição, como Nossa Senhora do Rosário”, salientou.

Na homilia desta celebração, solenizada pelo Coro de Câmara da Madeira, o prelado voltou a sublinhar que esta festa, congrega os crentes do Rosário e das localidades vizinhas, mas também “muitos irmãos de outros pontos da nossa ilha”. Assim sendo, podemos dizer que “estamos aqui numa festa que congrega, de modo significativo e expressivo, a nossa Diocese, na sua grande tradição que é de colocar os olhos em Maria Mãe, de lhe dirigir uma prece, acolher o seu olhar, fortalecer a sua fé e caminhar de novo cada um para os seus lugares, mas recheados de uma luz e de uma força interior, que brotam do olhar, do testemunho e do sinal que recebemos da nossa Mãe”.

Depois de confessar ter ficado “impressionado” com o número de carros e de autocarros que ali se encontravam, logo com o número de pessoas, D. António disse que essa realidade traduz “a vontade e a fé, o esforço de encontro e de convívio por parte de uma multidão” que, certamente, ali foi com um objectivo e que dali quis trazer algo também para a sua vida. 

Referindo-se à palavra proclamada falou da “leitura pequenina”, que fala de Maria junto da cruz do seu Filho, Maria que nos é dada a todos como Mãe, uma ideia reforçada pelas palavras de Francisco em Fátima, quando ele, de forma algo inesperada, diz: “Temos Mãe, Temos Mãe”. Uma Mãe que “acolhe tudo aquilo que seja, problema, dor, sofrimento. Que acolhe nos seus braços as dores, os sofrimentos e as mortes, aquilo que afeta e faz sofrer os seus filhos”. 

Uma Mãe que “ajuda a vencer dificuldades e problemas, a superar momentos difíceis”, sem que isso nos impeça de “ser uns pelos outros”, edificando “aquilo que dá vida, aquilo que dá paz, aquilo que dá alegria”. 

A vida, disse o bispo diocesano,” tem a sua cruz”, mas Maria “pega-nos ao colo nesses momentos”. Só precisamos ter fé, rezar-lhe com devoção, não só neste mês de outubro, mês de Nossa Senhora, mês do Rosário, mas todos os dias. Basta uma Avé Maria, “oração simples e breve” que, “rezada em muitas circunstâncias, põe diante de nós a santidade da Mãe, a fé da Mãe, a confiança na nossa Mãe”. É essa confiança e essa fé, que nos vai “ajudar a assegurar a vitória do bem sobre o mal”, seja na sociedade, seja nas relações entre as pessoas.”