D. António desafiou crismados da Camacha e do Rochão a serem gente que dá as mãos para edificar o corpo de Cristo

Foto: Duarte Gomes

No sábado passado (6 de outubro), D. António Carrilho administrou o sacramento do crisma a jovens das comunidades paroquiais da Camacha e do Rochão. O grupo era constituído por 55 jovens, sendo que 46 deles fizeram o percurso normal de catequese, conforme explicou o Pe. Duarte, pároco das duas paróquias. Em seu nome e dos elementos da Direção da Catequese Paroquial da Camacha, que chamou para junto do altar, pediu para que D. António os crismasse na certeza de que “todos estes jovens querem identificar-se melhor com Cristo, Homem novo, para poderem seguir com entusiasmo a Sua juventude, e serem evangelizadores de outros jovens”, tal como se deseja neste novo Ano Pastoral, cujo lema é “Ser Cristão, Viver em Missão”, e construir “comunidades cristãs mais vivas e missionárias”.

Na homilia, D. António agradeceu as palavras de apresentação do grupo que permanecia de pé diante da comunidade. Um gesto que, disse, significa o reconhecimento de que se sentiram chamados e que, diante da comunidade, dizem “estou aqui”. 

Quanto ao “caminho de muito tempo” que a maioria fez para chegar a este dia, D. António disse que 10 anos de catequese parece muito, “mas afinal para aprender o que é tão importante para a vida, não é demais e vale sempre a pena”. Além disso, neste percurso, certamente todos tiveram o apoio dos pais e da comunidade, nomeadamente dos catequistas que tiveram ao longo de todos estes anos, e a quem o prelado dirigiu palavras de felicitação e de agradecimento “pela dedicação”, por serem “voluntários e generosos, procurando simplesmente transmitir as verdades em que acreditam” e porque “sentem que o que aprenderam de Jesus, para eles é bom”. D. António desejou ainda que “o Senhor vos compense esta vossa dedicação”.

Sobre a cerimónia em si, o bispo diocesano disse que “gostaria que aquilo que hoje aqui se faz, e aquilo que hoje aqui se passa deixasse uma marca funda no coração de cada um, e não mais fosse esquecida”. Uma marca da fé, de quem veio para “receber mais um sacramento da Igreja”, e que fá-lo de “coração aberto” e “para a vida”.

Aludindo à palavra proclamada, nomeadamente ao Evangelho, frisou que o mesmo lembra o momento em que Jesus iniciou a sua pregação e começou a dar a conhecer os ensinamentos, a mensagem que trazia da parte de Deus. Anunciar a Boa Nova é também missão de todos os batizados. Mas para isso, frisou, é preciso “conhecê-la e deixar-se encantar por ela.” 

“Conhecer Jesus, a mensagem Dele, o ideal que Ele aponta, o caminho que Ele nos abre” é algo tão importante, para a nossa vida e a nossa felicidade, para “vivermos com ânimo, com força espiritual, as circunstâncias da vida de cada um”, que é algo que deve ser feito de forma contínua, ao longo da vida. Esse é o “caminho certo”, o que nos leva “ao nosso ideal”, o que nos torna “gente que ilumina, que faz comunhão, que compreende, que desculpa, que dá as mãos para edificar o corpo de Cristo”. E foi isso mesmo que pediu aos jovens: para que se ajudem uns aos outros e edifiquem esse corpo.

O prelado lembrou ainda que estamos em outubro, mês de Nossa Senhora, mês do Rosário. Que este mês decorre também o Sínodo dos Jovens, em Roma, e que neste mesmo mês se inicia um ano missionário em que todos devemos  assumir o nosso papel de “Ser Cristão, Viver em Missão” .

Terminada a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados, que desafiou a “viver como bons cristãos”, longe de caminhos menos próprios em que é fácil cair, mas difícil sair. Dirigiu-se depois aos padrinhos a quem lembrou que, ao aceitarem este convite, assumiram responsabilidades, nomeadamente de ajudar os afilhados a continuar a viver na fé, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer circunstância da vida.

O prelado pediu ainda aos crismados para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo, ou do sábado à tarde. Pediu também para que rezassem pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, pelo seminário e pré-seminário, e para que pensassem, “sem vergonha”, na possibilidade de seguir o caminho da vida religiosa ou do sacerdócio. Como exemplo voltou a falar do Pe. Carlos Almada, o mais jovem sacerdote da Diocese e seu secretário e dos dois jovens que vão ser, em princípio, ordenados diáconos no final do ano. São exemplos, disse, de pessoas que não se importaram com o que os outros iam pensar ou dizer, mas que aceitaram o desafio para o qual foram chamados.

Terminada a Eucaristia e como é habitual, o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que, disse, “não é para ficar numa qualquer estante, esquecido”, mas para “estar ao serviço de todos lá em casa”.