Um mergulho nos vales verdes e granitos serranos do Minho

Santuário de Nossa Senhora da Graça | Mondim de Basto | D.R.

Um retiro das Clarissas na Vila das Aves sobre “Palavra, Pão e Água servidos por Jesus e Maria”, deu oportunidade para ouvir a aventura de Aura Miguel com os três papas que ela acompanhou pelo mundo, no dia 28, integrada nos 90 anos da Casa de Saúde de S. João de Deus de Barcelos; e nos 30 anos da JH com 30 jovens presentes. Nos dias seguintes sucederam-se o encontro com a emigração da Bretagne (França) na pessoa do P. André Daugan e colaboradoras; a peregrinação ao santuário da “missão” de Beata Alexandrina de Balazar; mergulhos nos verdes minhotos das suas vinhas, hortas e searas; e nos granitos das suas serras; visita à Senhora da Paz, Abadia e santuário monumental de Santa Maria do Bouro, de inícios no século VI; subida ao Gerês de S. Bento da Porta Aberta, barragem de Vilarinho das Furnas, ruinas submersas, Parque do Gerês, marcos das milhas romanas, matas densas cortadas por caminho áspero de terra e pedra de moer a paciência. E logo a vila de Gerês, as suas termas, capela, tudo a pedir uma pausa. Póvoa de Lanhoso esperava-nos com seus castelo e capela a encimar o maior bloco de granito da Europa, e brindou com cenários de paisagens de sonho nos 360 graus. Esse dia terminou com ceia fraterna com a comunidade de 15 irmãs hospitaleiras acolhidos pela Irmã Alice, a governar a Casa de Saúde do Bom Jesus valendo-se do apoio de uma cadeira de rodas. Foi uma festa de comunicação e de prendas de trazer para casa. Mais para o sul, noutro dia, atravessam-se aldeias e ladeiam-se cidades, mergulhados na Rota do Românico com dezenas de igrejas, à direita e à esquerda, a pedir uma visita e a dizer que Portugal por esse Minho de maravilha está marcado de sinais cristãos de ermidas do primeiro milénio e igrejas de granito dos séculos XII e XIII, uma delas com o nome de igreja de Santo Isidoro já na periferia de Marco de Canavezes. Ali, espera-nos a Igreja de fé implícita de Santa Maria, do premiado arquiteto Siza Vieira, de fala mais alta, a prometer conversões de elites de fé artista e ateia que se irão cumprindo nas missas dominicais de grandes enchentes e em grupos de dezenas de arquitetos e estudantes vindos de toda a Europa. A fronteira do Minho não nos detém. Vila Real atrai-nos com novos panoramas e um túnel que esburacou a serra do Marão. A cidade esbraceja de edifícios universitários e comerciais quase a impedir de nos aproximar da Catedral, à volta da qual é difícil encontrar lugar para parar e a visitar. Lá se mantinha no deserto de pessoas e de silêncio falante a convidar à contemplação na meia obscuridade. Por entre vinhas, campos de verdes milhos e densos arvoredos, virando curvas que se sucedem por dezenas e dezenas, em que surgem aos olhos, repetidos, marcos e setas da Rota do Românico das terras de Bastos, atravessámos o Tâmega e já em Modim de Bastos, estamos preparados para a espiral de larga estrada a subir o Monte Farinha, à volta, à volta do cone esculpido no granito por mão ciclópica, e nos verdes omnipresentes; e marcada por metas que os ciclistas da volta tentam cruzar em primeiro lugar. Lá em cima, já no Santuário de Nossa Senhora das Graças, espera-nos êxtase maravilhoso de assombros repetidos quando olhamos para todos os quadrantes; e a surpresa de pesar por avistar para poente seis focos de incêndios ativos. A capela é rica fortaleza de granito, rodeada de esplanadas para as três festas anuais de milhares de devotos. Estes, desde sempre, andaram a edificar belos marcos de propriedade da Mãe da Igreja por milhares dos lugares mais pitorescos.

A Casa de Saúde de S. João de Deus, em Barcelos, convidou a visitar a quinta, a alguns ateliês, a um bape-papo com o poli-artesão e artista, pintor, escultor, criativo, Zeca Portela, a merecer mega exposição de 50 anos de suas peças, talvez intitulada: “Artes com Hospitalidade em Saúde Mental”. Em Vilar de Frades uma volta rápida pela famigerada Quinta, até à beira do Cávado, a qual se encontra no segundo ciclo de vinha abundante, agora a ser vindimada, com falta de mão-de-obra, em que até o diretor da Casa Luis Daniel dava uma ajuda. A visita teve a  duração permitida pela hora do voo de regresso ao Funchal no dia 3.10.2018.

Barcelos-Funchal, setembro/outubro 2018