Domingo o “repouso” num mundo que é um “parque de diversões”

D.R.

O domingo é o dia do Senhor. É o dia da comunidade. É o dia da adoração a Deus, da Ressureição de Jesus, da Eucaristia, da ação de graças, da oração em comum, da partilha do canto dos salmos e oração na assembleia reunida à volta do seu pastor e de Jesus Cristo numa expressão e manifestação de fé n’Aquele que é: “o Caminho, a Verdade e a Vida”. É o dia de nos enchermos do Espírito para contagiarmos a paz, a alegria de viver, a felicidade do ser cristão.

Mas o domingo é – tradicionalmente – o dia do repouso semanal. E o Papa desenvolveu este tema no dia 02 de setembro 2018, criticando uma sociedade “anestesiada pelo divertimento” e pedindo um novo entendimento do descanso, que valorize o domingo como dia de encontro consigo e com os outros. É que: “Nunca o homem descansou tanto como hoje, e nunca o homem sentiu também tanto o vazio como hoje”, assinalou, perante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro. “Tanta gente, tanta, que tem a possibilidade de divertir-se, e não vive em paz com a vida. Domingo é dia de fazer as pazes com a vida, dizendo, a vida é preciosa! Não é fácil, às vezes é dolorosa, mas é preciosa”, declarou Francisco.

 Vivemos numa sociedade sedenta de divertimento e de férias. A indústria do entretenimento – é muito florescente e a publicidade desenha o mundo ideal como um grande “parque de diversões” onde todos se divertem. O conceito de vida dominante hoje não tem o centro de gravidade em atividade e compromisso, mas na evasão”, que conduz à “alienação e fuga da realidade”.

Domingo deve ser encontro consigo mesmo e com os outros. Lembro aqui o testemunho de Dirce Serafim, psicóloga aposentada e membro de uma Comunidade de Vida Cristã, que encontrou na arte e no retiro, o caminho orante para o descanso, ou seja, uma ocasião para “descansar em Deus”. “Um descanso em Deus, um descanso com Deus e com todas as pessoas que cruzaram a minha vida, foram as melhores férias que tive”, afirmou depois dum mês de Retiro de Santo Inácio de Loyola.

Agora, uma semana de retiro ao longo do ano, é suficiente. “No final desse tempo estou mais apaziguada, com mais energia, como uma serena alegria, com ânimo para prosseguir, com algum desafio e propósito interessante. Penso que é isso que se quer das férias”, sublinha. O silêncio que vive durante o tempo de retiro é “cheio de sentido e comunhão com os outros”.

Quando era pequena, a natureza da serra onde viveu, lançava-lhe um apelo orante à contemplação. “A recordação desse tempo, torna-me claro que o silêncio era resultado do espanto. A natureza. As montanhas ao longe assombravam-me. Havia um apelo à contemplação silenciosa. Quando recordo esse tempo penso que foi o tempo em que aprendi a saborear o louvor. A saborear a beleza, a valorizar a beleza como um lugar especial de encontro com Deus Pai, Deus terno, Deus bondoso”.

O nosso descanso dominical tem de ser valorizado no encontro consigo mesmo, com os membros da família, da comunidade, com Deus, com a natureza, com os outros. E não numa corrida louca de “Rock” em “Rock”, de viagens desprogramadas, de correrias para ver o mais possível, sedentos de divertimento e sem saborear a beleza do que visitamos no nosso país, ou noutros: nos Himalaias, nos monumentos duma maravilhosa Irlanda, na contemplação de Museus como “o Ermitage”, “o Louvre” ou mesmo o nosso “Museu dos Coches”, no silêncio e recolhimento duma Escandinávia, na beleza das catedrais da Europa, Na beleza e bulício de cidade como Lisboa, Paris, Londres, Tóquio, Rio, Pequim ou Toronto, de ilhas como a nossa “Madeira” – pérola do Atlântico, na grandiosidade das Quedas de Iguaçú, ou nas Quedas do Niágara, ou numa gelada Antártida, ou na beleza dos Parque de animais dum “Krugger Park” ou mesmo duma “Gorongoza”, ou num passeio de barco “no Benelux”, ou num “Cruzeiro”, ou na apreciação e apoio às etnias minoritárias,… Descanso não é evasão que conduz ao vazio. É contemplação, é apreciar a beleza das coisas e priorizar o convívio fraterno com os outros. Tem de ser “voltar para casa mais rico” e mais “pessoa” do que quando se saiu de casa.  Razão tem o Papa Francisco.