«O Cuidado da Criação»

D.R.

O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado pela Criação foi instituído pelo Papa Francisco em 2015, como apelo à união dos cristãos face à crise ecológica mundial. A data de 1 de setembro foi escolhida para coincidir com a comemoração que já era feita pela Igreja Ortodoxa.

Na altura, o Papa argentino fez votos para que esta iniciativa pudesse dar a oportunidade às comunidades cristãs de “renovarem a adesão pessoal à vocação de protectores da Criação”.

Em junho de 2015, Francisco publicou uma encíclica  dedicada à ecologia, intitulada “Laudato si – Sobre o cuidado pela Casa Comum”. Um documento onde frisa que “as mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas”. 

Na sua mensagem para este dia – 1 setembro 2018 – o Papa Francisco agradece ao Senhor pelo dom da casa comum e por todos os homens de boa vontade que estão comprometidos em protegê-la. “Agradeço pelos numerosos projectos que visam promover o estudo e a proteção dos ecossistemas, pelos esforços destinados a desenvolver uma agricultura mais sustentável e uma alimentação mais responsável, pelas diversas iniciativas educacionais, espirituais e litúrgicas que envolvem muitos cristãos em todo o mundo no cuidado da criação.”

É urgente equacionar «a humanidade e a criação, uma visão do homem autêntica que permita cuidar melhor do nosso planeta para o benefício das gerações presentes e futuras, pois «não há ecologia sem uma adequada antropologia» (Laudato si’, 118).

E insiste no desafio da água. “Gostaria de chamar a atenção para a questão da água, elemento tão simples e precioso, cujo acesso infelizmente é difícil para muitos, se não impossível. No entanto, «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável» (ibid., 30). 

Muitos nem água para beber têm. Era este o cenário nas escolas para cerca de 600 milhões de crianças em 2016, segundo um relatório da UNICEF e da OMS. Pelo seu papel fundamental na criação e no desenvolvimento humano, sinto a necessidade de dar graças a Deus pela «irmã água», simples e útil sem nada de parecido para a vida no planeta. Precisamente por esse motivo, cuidar de fontes e bacias hídricas é um imperativo urgente. (Laudato si). Gostaria também de tocar na questão dos mares e dos oceanos. Não podemos permitir que os mares e oceanos se preencham com extensões inertes de plástico flutuante

Rezemos por aqueles que se dedicam ao apostolado do mar, por aqueles que ajudam a reflectir sobre os problemas com que se debatem os ecossistemas marítimos, por aqueles que contribuem para o desenvolvimento e a aplicação de regulamentos internacionais sobre os mares que possam tutelar as pessoas, os Países, os bens, os recursos naturais – penso, por exemplo, na fauna e na flora marinha, bem como nos recifes de coral (LS, 41) ou nos fundos marinhos – e garantindo um desenvolvimento integral na perspectiva do bem comum de toda a família humana.

Preocupemo-nos com as jovens gerações e rezemos por elas, para que cresçam no conhecimento e no respeito pela casa comum e no desejo de cuidar do bem essencial da água para o benefício de todos.

O encontro ecuménico «Água e fé», organizado pelo Conselho Mundial das Igrejas (CMI), reuniu em Estocolmo cerca de 3.000 pessoas de 135 países em Estocolmo, em 30 de agosto. Os responsáveis pelas Igrejas cristãs da Europa encontraram-se – no dia 1 setembro 2018 – em Assis, numa iniciativa ecuménica de oração inserida na comemoração do Dia de Oração pelo “Cuidado com a Criação.” Salientaram a “mesma responsabilidade” que abrange “toda a família humana” e os mais de 2,2 mil milhões de cristãos em todo o mundo.

A missão de trabalhar na defesa de uma “ecologia integral” que signifique não só a preservação do meio ambiente e de todos os seus recursos mas também “o respeito pela dignidade de toda a vida humana, da vida em todas as suas formas, desde o início da sua conceção até à morte natural”.

“Num contexto em que a crise ambiental se agrava de dia para dia, com consequências para os mais vulneráveis e para os nossos irmãos e irmãs, os cristãos são chamados a testemunhar, em palavras, em acções e na oração, a sua fé em Deus como Criador”, realça o presidente da CEC, padre Christian Krieger. O mesmo responsável aponta ainda a importância de manifestar perante Deus e o mundo “a mágoa” que decorre da “delapidação atual do ambiente e dos recursos naturais”.