O poder dum sorriso e o serviço do povo

Criança | Papua-Nova Guiné | Foto: Pinterest

Catarina uma Irmã sem medo

1. Que faz uma religiosa lá longe, na Papua-Nova Guiné, em Bereina, uma das dioceses mais pobres do mundo onde falta tudo ou quase tudo?

A irmã Catarina Gasparetto tem sempre um sorriso estampado no rosto mesmo quando se senta ao volante da camioneta despertando dos mais novos, comentários como este: “Olhem a Irmã a conduzir! Fantástico!”

A Irmã decidiu entregar sua vida a Deus e ingressou na Comunidade de Jesus Bom Pastor. Deu-se sem medo! Um dia cruzou-se com o bispo dessa diocese e respondeu sim ao seu desafio: “Por favor vem ajudar!” Não sabia bem o que ia fazer e muito menos o lugar onde ficava Bereina. E foi.

Uma região onde falta quase tudo

2. Mais do que as inúmeras horas de voo entre a Itália e a Papua-Nova Guiné o avião levou-a a fazer uma viagem no tempo, entre o século XXI e quase a Idade da Pedra. Nunca a Irmã Catarina imaginaria iria conhecer uma região tão pobre, com tantos analfabetos e mergulhados em terríveis tradições ancestrais como a de mascar a noz de betel.

Em Bereina falta quase tudo: não há escolas nem centros de saúde, as estradas não estão asfaltadas, as casas não têm instalações sanitárias, falta a eletricidade na maior parte das horas do dia e a esmagadora maioria da população vive em zonas rurais em pequenas aldeias  sem contacto umas com as outras. A Irmã Catarina deixou o conforto da sua terra natal para ajudar a construir uma comunidade menos exposta à pobreza.

Um grande desafio libertar da tradição de mascar noz

3. Talvez o maior desafio para a Irmã foi libertar a população do hábito de mascar noz de betel um poderoso alucinogénio que tem provocado inúmeros casos de cancro e que “tem paralisado toda a sociedade”. Como fazê-lo? “Com a educação”, diz a Irmã.

A Papua Nova Guiné  tem ao lado de uma grande riqueza cultural, com mais de oito centenas de línguas numa população de sete milhões de habitantes. Esta riqueza está aliada a uma enorme pobreza material – cerca de um terço da população sobrevive com menos de 1 euro por dia – provocando conflitos violentos entre a população.

Com a educação e com o sorriso da Irmã os resultados foram benéficos e frutuosos. Qual a alegria de alguém, que com 20 ou mais anos, começou “a escrever o seu nome” ou a “fazer a primeira conta de somar”! E a alegria da Irmã? “As lágrimas caíam-lhe pelo rosto… Momentos bonitos…”

Outra mulher a servir o seu povo

4. Conduziu um trator e agora conduz a Nova Zelândia. Chama-se Jacinda Ardern e é Primeira-Ministra. A primeira-ministra mais nova no cargo a nível mundial. Na adolescência conduziu um trator para ajudar os pais no negócio de fruta. Na infância aspirava a ser palhaço e comparou a palhaçada e a política, dizendo: “Tudo em que pensei que gostava de fazer implicava algo que ajudaria as pessoas. Habituei-me a dizer ‘sim’ ao pedido de alguém.” É primeira-ministra desde outubro 2017. Ainda jovem esteve na Inglaterra e teve a oportunidade de trabalhar com o ex-Primeiro Ministro Tony Blair. É uma mulher simples e próxima do seu povo.

A revolução do sorriso e da proximidade

4.A Papua-Nova Guiné continua a ser um dos países mais pobres do mundo. A Irmã Catarina está fazendo um pequena revolução através do seu sorriso, da sua generosidade, combatendo a pobreza, a marginalidade, o abandono em que se encontra toda esta comunidade. Esta é a revolução do amor. E a Fundação AIS vai acudindo com ajuda económica.

Jacinda Ardern, a Primeira Ministra, serve seu povo a caminho do desenvolvimento com as possibilidades que tem mas com uma doação cheia de simplicidade e de proximidade. Duas mulheres e a mesma preocupação: servir o povo.