Evangelizar coração a coração

D.R.

Uma das formas de evangelizar – e talvez uma das mais fecundas – embora seja uma pesca à linha, é evangelizar ou reevangelizar coração a coração, tu a tu, porta a porta. Indo ao tempo de Jesus, encontramo-lo falando diretamente ao pequeno grupo dos apóstolos ou à pessoa dos que curava ou a famílias que o convidavam. Para anunciar Jesus é preciso tê-lo no nosso coração. “O que era desde o princípio, que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos com as nossas mãos acerca do Verbo da vida, é o que nós vos anunciamos…  anunciamos o que vimos e ouvimos para que estejais em comunhão connosco (1 Jo 1, 1-4). 

Assim: os apóstolos olham para o doente e fixando nele o olhar, dizem: “não temos ouro nem prata mas, em nome de Jesus, levanta-te e anda”; os apóstolos ficavam em casa de pessoas que os convidavam e aí anunciavam Jesus; Francisco Xavier percorria as casas das ruas de Goa interpelando para a Boa Nova de Jesus, as crianças de cada casa; em muitos retiros a Palavra de Deus é dirigida a um grupo fazendo refletir cada participante; as 162 viagens feitas por mim foram ocasião para falar de Jesus e da Missão, redundando em preciosos momentos de retiro em interpelações várias em mais de oitenta países – em paisagens multivariadas, em acampamentos de índios, na beleza das cataratas – Niagara e Iguaçu -, na imensidão do mar, nas terras frias da Antártida – na Terra do Fogo, na cidade mais meridional Ushuaia, contemplando a queda de enormes blocos de gelo; no ambiente recatado na celebração da Eucaristia, antes do jantar, numa praia de Goa, numa enorme barraca em frente do Hotel com vento e chuva persistente (em que lembrei ao grupo a coragem dos descobridores portugueses ao enfrentarem a fúria das tempestades que assolavam as caravelas ao atravessarem os mares; no recato da pequena capela, celebrando sobre o túmulo de Francisco Xavier, na igreja do Bom Jesus, em Goa; numa Sala de Congressos dum Hotel, ou mesmo no quarto Hotel, em países hostis à religião católica por precaução e para não provocar – sem cânticos e em surdina; na igreja da Sagrada Família, no Cairo, aproveitando um pequeno espaço junto da parede, numa terrível pobreza, mas com autorização da jovem funcionária (uma vez estava o chefe barbudo e foi intransigente não permitindo a celebração); Charles de Foucauld vai para o meio dos tuaregues e evangeliza pelo testemunho; Teresa de Calcutá evangeliza pelo serviço aos mais pobres e moribundos que acolhe com amor; as Redes Sociais atingem diretamente a mensagem que, cada um pode ler quantas vezes quiser, pois dirigida pessoalmente a si; na imprensa por assinatura em que a pessoa pode ler quantas vezes quiser a mensagem escrita. De muitas e muitas formas se pode evangelizar. Basta ter uma grande paixão por Jesus, para sentir necessidade imperiosa de o comunicar aos outros por contágio, ou porta a porta, no trabalho ou na pastelaria; como Giorgio La Pira, que foi Presidente da Câmara de Florença, e que foi um grande apóstolo da Paz entre Moscovo e Washington, apoiado numa vida de oração intensa, com participação na missa diária.

Porta a porta ou pessoa a pessoa, coração a coração, são grandes meios de evangelizar num mundo em que ser moderno é optar pela secularização e pela destruição de todas as religiões. Apaixona-te por Jesus Cristo. Segue as linhas de orientação do Congresso da Aparecida. Não tenhas medo de ser Seu discípulo.