“Vamos procurar que a nossa fé se torne presente no testemunho das obras” pediu D. António Carrilho em Câmara de Lobos

Foto: Duarte Gomes

A paróquia de Câmara de Lobos celebrou, no dia 5 de agosto, a festa do Santíssimo Sacramento com uma Eucaristia, presidida por D. António Carrilho, bispo do Funchal.

Nas primeiras palavras que dirigiu à assembleia, o prelado começou por sublinhar que o momento era de “celebrar solenemente, como que em dia especial de contemplação e meditação, o Santíssimo Sacramento da Eucaristia”.

“É festa da comunidade e é festa da unidade”, porque “queremos sentir-nos com os olhos colocados na cruz de Cristo que dá a vida por nós e no sacramento que nos deixou”, salientou, “mas pensando não apenas num Cristo morto, mas morto e ressuscitado”.

De resto, frisou, “é por isso que meditar o Santíssimo Sacramento é mesmo um motivo e uma oportunidade de encontrarmos, no mistério fundamental de Jesus, uma proposta e um caminho para a nossa vida de Cristãos”.

Na homilia, dirigindo-se aos inúmeros fiéis que enchiam a Igreja de São Sebastião, D. António começou por fazer referência às leituras, lembrando que “são leituras que se proclamam no Corpo de Deus”.  

É uma palavra, reconheceu, “que pode não ser facilmente compreendida no seu pormenor, mas que, globalmente se reconhece na sua mensagem de aliança e de amor”. Nas três leituras se fala dessa aliança “de Deus com o seu povo”, que foi confirmada, não com o sacrifício de animais, como se fazia antes, mas “com o sacrifício de Cristo, com o sacrifício da cruz”. Por Ele, lembrou, “fomos salvos e Nele temos a nova aliança”.

D. António  Carrilho falou ainda do Evangelho que nos remete “para aquilo que a Igreja celebra na tarde de Quinta-feira Santa.” Nesse dia, “lembramos os ritos que são celebrados, como interpretação do mistério na véspera da morte de Jesus no Calvário”. Fala-se da Ceia Pascal, em que é feita a consagração do pão e do vinho, os quais passaram “a ter um significado e um alcance em perspetiva daquilo que estava para acontecer no dia seguinte”. Passaram a ser o corpo e sangue de Jesus.

Hoje, lembrou, “é no altar da Eucaristia, a mesa da ceia, que colocamos o pão, e o vinho, sinais do sacrifício de Cristo”, mas sobretudo de um Cristo ressuscitado “com quem aprendemos a amar e a dar a vida”. De resto, frisou, “o nosso maior testemunho de vida cristã é procurarmos dar as mãos uns aos outros e construir a unidade”. Essa é a grande lição que devemos trazer para a nossa vida, sempre que adoramos o Senhor sacramentado: “Vamos procurar que a nossa fé se torne presente no testemunho das obras”, porque “não se pode desligar uma coisa da outra”. 

“Se em vez da unidade há divisão, violência, desrespeito, um desligar uns dos outros, acontece o contrário daquilo que uma comunidade cristã terá que testemunhar, no meio deste mundo em que vivemos e em que reconhecemos todos que há valores que nós gostaríamos de ver mais afirmados, na nossa vida pessoal e social”, salientou.

Tendo Jesus Cristo como referência, podemos e devemos, disse o prelado, aproveitar este momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, nas suas mais variadas expressões, de modo a que o mesmo “seja algo que aviva a nossa fé, que nos ajuda a ganhar força, a ganhar ânimo, a ganhar coragem para enfrentar a vida, mas também para dar na vida aquilo que aos outros podemos transmitir e dar.”

De referir que nesta Eucaristia, solenizada pelo Coro de Câmara de Câmara de Lobos, tomaram posse seis novos membros da Confraria do Santíssimo Sacramento, cujas capas foram benzidas por D. António. O presidente desta associação religiosa de leigos, agradeceu a presença do bispo diocesano, a quem disse ser “com muita alegria que a comunidade o vê aqui na paróquia”. 

Vitor Ferreira aproveitou ainda para agradecer o contributo de todos aqueles que tornaram possível a realização desta festa, nomeadamente ao Pe. Neves, Pároco de Câmara de Lobos.

Pe. Neves que também agradeceu a presença do prelado e desejou que todos vivessem o Santíssimo Sacramento não só na Igreja, mas também na família e na sociedade.

Após a Eucaristia, saiu a procissão que percorreu um itinerário ornamentado com um tapete de flores, que começou a ser elaborado às 14 horas e que nem o sol ou o calor impediram de ser feito.