Bispo do Funchal desafiou crismados do Porto da Cruz para que sejam “o rosto da Igreja viva”

Foto: Duarte Gomes

Foram 19 os jovens da comunidade paroquial do Porto da Cruz, que ao fim da manhã deste domingo, dia 5 de agosto, receberam o Sacramento da Confirmação.

No início da celebração, presidida pelo bispo do Funchal, o Pe. Mendonça agradeceu a presença do prelado e sublinhou a importância destas visitas para a comunidade, que gosta sempre de estar com o seu pastor, e o recebe “com alegria e amizade”. 

Mais tarde, o sacerdote apresentou formalmente o grupo de jovens que disse estar devidamente preparado. Recordou ainda que o caminho que empreenderam, se iniciou no momento em que foram batizados e lhes foi entregue a luz do círio pascal. Foi, reconheceu, um percurso com algum “sacrifício”, mas também o “empenho” que os trouxe até ao momento atual de “cristãos comprometidos”.

Na homilia, D. António começou por agradecer as “palavras de saudação, de boas vindas, de agradecimento por estar hoje aqui, para celebrar o santo Sacramento do Crisma”. Prosseguiu sublinhando que era também “com gosto, alegria e amizade que ali se encontrava.

Pediu depois aos crismandos que se colocassem de pé diante da comunidade, “para que ela coloque o olhos em vós e olhe para vós com muita esperança”, porque “a comunidade precisa de vós e a Igreja precisa de vós” e não pode “prescindir da vossa idade, daqueles que estão na força da vida”. 

Foi neste contexto que D. António lançou o desafio para que os crismandos sejam “o rosto da Igreja viva”, e “assumam as suas responsabilidades tanto cá dentro como lá fora. Cá dentro, nos serviços e nas atividades e lá fora na família, na escola e nas demais instituições a que cada um está ligado”.

Referindo-se às palavras de apresentação do Pe. Mendonça, D. António disse que tudo estava efetivamente ligado ao batismo e ao círio pascal, e ao que “significa aquela luz acesa”. Uma luz que simboliza sofrimento e morte, mas também à ressurreição Daquele que veio para “iluminar os caminhos da vida dos seus discípulos”.

Refletindo sobre a palavra proclamada, o bispo diocesano falou do Evangelho, lembrando que o mesmo falava exatamente dos discípulos que estavam inquietos, perturbados e ansiosos, esperando a ressurreição do Mestre. Mas Jesus apareceu-lhes, sossegou-os e disse-lhes: “Tal como o Pai me enviou também eu vos envio a vós.” Transpondo essas palavras para a atualidade, D. António lembrou que “hoje, aqui, o que nós fazemos é exatamente aquilo que se passou naquela tarde com os apóstolos”. Só que, neste caso, são os crismandos que recebem essa missão de lutar contra o mal e anunciar a Palavra.

Uma festa com uma marca própria

É também por isso, disse, que “a festa de hoje é uma festa diferente”.  Traz “uma marca para a vida” e deve ser um momento que toca os crismandos, mas também o resto da comunidade, que deve refletir sobre a “graça do seu Batismo e do vosso Crisma”.

O prelado aludiu ainda à primeira leitura para lembrar “a promessa de Deus de congregar o seu povo e fazer dele uma família”. Para isso, iria dar aos homens um espírito novo e substituir o seu coração de pedra por um coração novo, “sensível e capaz de amar”. No fundo “um coração atento aos outros”, que nos “permita aferir, nós também, a responsabilidade de estarmos atentos e de ajudarmos”. É por isso, disse, “que a Igreja insiste no espírito da caridade” embora, na prática, “muitas palavras acabem por não surtir efeito quanto deviam”. Isso acontece porque “as atitudes são egoístas, muitas vezes passam pela maledicência, por maus julgamentos, por vinganças”. Combater essa realidade passa, segundo o prelado, por “viver a fé através dos valores” e de obras e não apenas de palavras.

Terminada a crismação individual, D. António deu os parabéns a todos os crismados, desejando que “sejam felizes pela vida fora, com alegria e saúde e tudo aquilo que mais desejardes de bem, e vivendo como bons cristãos” .

Dirigindo-se depois aos padrinhos, lembrou-lhes que “foram padrinhos hoje, mas são padrinhos para a vida” e que, por isso mesmo, têm a responsabilidade de continuar a ajudar os afilhados a levar por diante o compromisso assumido, e de estar disponíveis para, em qualquer momento e circunstância, ser “presença amiga e de ajuda”.

Uma jovem falou depois em nome do grupo, para agradecer a presença do prelado, mas sobretudo para afirmar, diante deste e da comunidade que “como Jesus enviou os seus apóstolos para anunciar a boa nova, assim nos envia a nós hoje, para renovarmos o mundo a partir de dentro como fermento que leveda a massa”.

Primeiro aniversário do Pe. Carlos

Antes da bênção final, o Pe. Mendonça voltou a usar da palavra para “agradecer uma vez mais a vinda do senhor bispo”, mas também para dar conta da sua alegria quando o abordam e lhe dizem “foi o senhor padre que me batizou”. É, disse, “uma gentileza e de certa forma um agradecimento, que nos alegra”. 

Veio esta questão também a propósito das coincidências do dia: “Temos aqui o senhor Pe. Carlos Almada. Há pouco, na sacristia, ele dizia-me precisamente que tinha sido eu que o tinha batizado, no Campanário. E faz hoje um ano, ele estava a ser ordenado sacerdote, na Sé do Funchal pelo senhor bispo”. De resto, o Pe. Carlos Almada foi também Crismado por D. António Carrilho, conforme ficamos a saber mais tarde. 

Foi com uma salva de palmas que a comunidade paroquial do Porto da Cruz saudou o Pe. Carlos que, uma vez mais, foi dado como um exemplo, quer pelo Pe. Mendonça quer pelo próprio D. António, de que os jovens podem e devem seguir a sua vocação sem preconceitos e sem estarem preocupados, com o que os outros vão dizer ou pensar. Porque o importante é “ser feliz”.

No final da Eucaristia o bispo do Funchal pediu ainda aos crismados para que rezassem todos os dias um bocadinho, nem que fosse com “o coração” e para que não deixassem de ir à Missa do domingo, ou do sábado à tarde. Pediu também para que se rezasse pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, pelo seminário e pré-seminário.

D. António ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser “posto ao serviço de todos lá em casa”.