Ordenação de D. José Tolentino Mendonça:  cardeal-patriarca de Lisboa destaca sensibilidade e capacidade de diálogo do novo bispo

D. José Tolentino Mendonça disse que assume estas funções com o desejo de transmitir a beleza aos outros, pois, “para mim não há diferença entre uma biblioteca e um jardim”.

Foto: Ecclesia

O novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé, D. José Tolentino de Mendonça, foi ordenado bispo este sábado, dia 28 de julho, no Mosteiro dos Jerónimos.

A celebração foi presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e teve como bispos co-ordenantes o cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, e D. Teodoro de Faria, bispo emérito do Funchal.

Antes da ordenação, foi proclamado publicamente o mandato apostólico, do Papa, por um responsável da Nunciatura Apostólica. Nesse documento, Francisco explica que confia ao arcebispo madeirense um serviço numa instituição de “grande relevância”, que acolhe investigadores de todas as partes do mundo.

O documento destaca ainda o cuidado que a Igreja Católica presta ao “repositório dos documentos antigos e aos tesouros da cultura humana”, que exigia, na escolha pontifícia, uma pessoa “exímia” para “zelar pelos escritos e testemunhos que os tempos legaram”. O Papa elogia as provas dadas por D. José Tolentino Mendonça “no que toca à excelência de notáveis virtudes de inteligência e de espírito”.

 

 

“Inteligência e sensibilidade”

Na homilia da celebração, o cardeal-patriarca sublinhou a felicidade de todos os presentes pela escolha de D. José Tolentino Mendonça para assumir a responsabilidade por um “património único de memória criativa”, no Vaticano.

D. Manuel Clemente destacou a “inteligência e sensibilidade” do novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé, e elogiou a “fecunda escrita” do novo bispo, que propõe uma “pedagogia do olhar”.

Neste contexto, destacou o “modo de ver” de Jesus, marcado pela “profundidade”, um olhar que se fixa em quem se aproxima. “Apenas vale o que nos faz viver, a nós e aos outros”, frisou ainda o cardeal-patriarca.

Para D. Manuel Clemente, o bispo deve ser alguém capaz de um “olhar cuidadoso e vígil”, promovendo o amor a Deus e ao próximo e tendo em conta que as grandes necessidades resolvem-se do pouco para o muito, quando a disponibilidade é total e concreta”.

O novo bispo recebeu, simbolicamente, o livro dos Evangelhos, a mitra e o báculo, como sinal da sua missão de pastor.

A celebração nos Jerónimos contou com a presença de autoridades religiosas, políticas, académicas e militares, incluindo o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, além de figuras do mundo da cultura.

Não há diferença entre uma biblioteca e um jardim

Após a sua ordenação episcopal no Mosteiro dos Jerónimos, D. José Tolentino Mendonça disse que assume estas funções com o desejo de transmitir a beleza aos outros.

“Para mim não há diferença entre uma biblioteca e um jardim”, referiu, no final da celebração, já após ter percorrido a igreja sob os aplausos da assembleia.

O novo arcebispo português agradeceu a “confiança” do Papa Francisco, assumindo como missão “a sede de olhar e ajudar os seus semelhantes a olhar os lírios do campo”.

“Olhai os lírios do campo” foi, de resto o lema episcopal escolhido por José Tolentino Mendonça, evocando os poetas-monges que durante séculos foram a “alma do mundo do Oriente”, que procuravam deixar uma frase capaz de resumir todo o ensinamento recebido.

O novo bispo agradeceu ainda o “coração amigo” de D. Manuel Clemente, mostrando depois a sua “grande admiração” por D. António Marto. 

O responsável saudou ainda D. Teodoro de Faria, bispo emérito do Funchal, que o ordenou padre há 28 anos e o enviou para o estudo das Ciências Bíblicas, bem como todos os bispos portugueses que marcaram presença, num gesto de “comunhão”.