Cristo, cristãos, pobres e doentes

Safet Zec, "Abraço", 1995

Em todas as épocas se fala dos pobres. Todas tentam resolver o problema da pobreza. Em todas, fica por resolver. Em todas, se encontram culpados. Muitos dão comida, vestuário, acolhimento a muitos pobres. Grande número apresenta teorias para acabar com a pobreza dos pobres. Muitos enriquecem sempre mais e fazem muito para acabar, não com a pobreza, mas com os pobres vítimas da pobreza, doenças e misérias. Muitos vão inventando técnicas para que não haja pobres, doentes, fracos; vão desde o abandono até às tecnologias de não deixar nascer e de descartar os deficientes.

Desde há 2000 anos se recorda e se interpreta mal a palavra de Jesus: “pobres sempre os terão” (Jo 12,8) e se esquece a parábola: havia um homem riquíssimo e um pobre Lázaro, chagado à sua porta, a quem nem migalhas o rico dava (Lc 16,19-31). Pouco se recorda que Jesus recebe o que se faz aos pobres e fracos. Eles “são” Ele. Muitos rejeitam os pobres porque rejeitam Jesus. Não aceitam um Messias Salvador fraco e pobre, nem os que pela fé estão ao seu lado; só aceitam salvadores poderosos e ricos que esmagam os pobres. Foi isso que levou a pedir a cruz para Jesus; a admirar e preferir o salteador Barrabás a um Messias “manso e humilde de coração”. Não aceitam os pobres para não aceitar Jesus pobre e fraco; não aceitam Jesus para não aceitar os pobres. Cristo, Filho de Deus, e os pobres são inseparáveis. Aceitam-se Jesus e os pobres ou se rejeitam uns e outros. Darwinismo, Nietzsche(ismo), Marxismo, Leninismo, Nazismo, Estalinismo, Maoísmo e outras ideologias são exemplos implacáveis disso, contra fracos, pobres e miseráveis. Não foi o Nazismo a primeira ideologia anticristã que fez leis a favorecer mais os animais que as pessoas pobres e fracas? Ao contrário, milhares de homens misericordiosos ajudam seus irmãos pobres por aceitarem Jesus Cristo e os verem como imagens de Jesus. 

 A rejeição dos pobres e doentes torna difícil aceitar Jesus Cristo e a sua palavra de verdade. Os eventos mundiais contraditórios, com grandes títulos, podem ser melhor entendidos à luz do que se faz ou não faz aos pobres/fracos e a Jesus Cristo. Experimente. Respeitar a dignidade e a sua vida; alimentar, vestir, dar casa, escola, cuidados de saúde aos pobres e doentes incuráveis, com sabedoria do coração, melhora a qualidade de vida de quem dá e de quem recebe. Sem essa sabedoria os humanos desprezam diamantes por estarem sujos. Aborto, eutanásia, pôr os animais à frente das crianças, pobres, refugiados, não é deitar fora o bebé com a água suja? Pobres e Jesus Cristo estão sempre juntos no coração dos misericordiosos.