Deus, ateus e crentes em tribunal

D.R.

Por Aires Gameiro

Deus não existe, dizem os ateus, com fé. Não podemos saber se Deus existe, dizem os agnósticos, com ignorância. De muitos modos fala Deus e mais pelo seu Filho Jesus Cristo, creem os fiéis com fé cristã. Ateus, agnósticos e fiéis não fazem Deus existir, nem fazem que não exista. Todos falam de Deus porque Ele os criou. Todos fazem perguntas: quem somos? Porque vemos o universo? Vemos isto e aquilo e todos perguntam: quem fez? Observa-se tanto bem e tanto mal, tanta injustiça e sofrimento. Quem são os culpados? Como vai acabar? Tanta beleza e pequenas felicidades inebriam, mas morre-se. E então? Ateus e indiferentes fazem muitas perguntas sobre Deus, dão muitas respostas para responder às perguntas que fazem. Fazem ainda mais perguntas e dão mais respostas, mas por vezes recusam as respostas de Deus porque dizem, com fé, que Ele não existe. E se existe é o autor do mal; é um deus falso.

Então é assim, em poucas palavras. Dizem alguns ateus: Deus é culpado dos males e injustiças do mundo, do sofrimento humano; mas Deus não existe, afirmam.

Dizem os crentes: Deus é o culpado dos males dos humanos, mas Deus existe e criou homens livres capazes de fazer bem e mal. Os ateus armam o seu tribunal e condenam Deus que não existe, a ser castigado do mal e castigado a não existir. Os crentes andam sempre a defender Deus que não precisa de ser defendido por ser bom, cuidar dos seus filhos mesmo quando acontecem os piores males e sofrimentos, por eles serem livres. Mas creem que Deus tem a ver com o mal e o bem. E Deus, que diz? Deus diz: “eu sou”, existo e aceito ser réu por ter criado os homens livres “semelhantes” a Mim; e por isso estou na origem dos pecados de todos os homens que os fazem por Eu os ter criado com liberdade e não robots. Ainda hoje os tornaria a criar com liberdade para serem bons, mas aceito o castigo dos tribunais ateus por tantos males que os homens fazem usando a sua liberdade. Aceito ser castigado em vez dos homens. E reconheço, em tribunal divino e humano, que a minha obra é boa mas imperfeita, permite males e sofrimentos, muitos de iniciativa humana. Mas quero os meus filhos livres. Então, agora, é assim. Para remediar e resgatar os humanos que a liberdade perde, aceito o julgamento e entrego o meu Filho Unigénito, da minha própria natureza e de natureza humana, para morrer e sofrer o castigo que os ateus Me aplicam e continuam a dizer que Eu não existo; aceito o castigo que ateus e crentes bons e pecadores merecem por usar mal a liberdade. A minha última palavra é a morte do meu Filho na Cruz e o perdão misericordioso que pede para todos, ateus, agnósticos e fiéis e concede a quem reconhecer que o precisa ( cf. José R. Aylón,“10 ateus que mudaram de autobus”, 2010).

Agora, o meu Filho, minha última Palavra, continuará a falar, mas, Eu, fico em silêncio até ao julgamento que farei, no fim dos tempos, no início dos novos céus e nova terra, que vai ser presidido pelo meu Filho, o qual estará rodeado dos seus apóstolos condenados com Ele no primeiro julgamento na presença de Pilatos.