D. António Carrilho pediu aos Crismados de Santa Cecília para continuar a aprofundar os ensinamentos de Jesus

Foto: Duarte Gomes

Foram 114 os jovens e adultos que na manhã de domingo, dia 8 de julho, receberam o Sacramento da Confirmação na paróquia de Santa Cecília.

No início da celebração, presidida pelo bispo do Funchal, duas jovens falaram em nome do grupo. Começaram por fazer referência aos dons do Espírito Santo e ao seu significado e terminaram convidando toda a comunidade presente para “celebrar com alegria e fé esta Eucaristia, na qual vamos celebrar o nosso Crisma”.

Em resposta a estas primeiras palavras, D. António disse fazer seu “o convite destas jovens, para que celebremos com alegria e com fé” este momento do Crisma. Além disso, o prelado agradeceu também a todos quantos os ajudaram a chegar aqui e a preparar a encenação inicial, sobre os dons do Espírito Santo e seu significado.

Coube depois ao Pe. Francisco Caldeira, Pároco de Santa Cecília, dar as boas vindas ao Bispo do Funchal e apresentar o grupo “composto por jovens e adultos, 90 daquela comunidade paroquial, que fizeram o percurso catequético normal, outros vindos de outras paróquias e aos quais se juntou ainda um grupo de adultos”, que fizeram a preparação prevista para o efeito. A todos, disse, foi dada a possibilidade de se “preparem exteriormente, mas sobretudo interiormente – coração, a mente e a inteligência destes jovens – para este momento”. O Pároco e Santa Cecília desejou ainda que eles “possam receber os dons do Espírito Santo”. 

Na homilia, D. António começou por agradecer as “palavras de saudação e boas vindas” do Pe. Caldeira, as quais voltaram a ser convite para “fazermos desta celebração alegre e de fé, verdadeiramente uma festa”. Mas uma festa com um “significado particular”. Uma festa onde possamos “abrir o nosso coração” para “acolher a luz e a força de Deus e viver podendo contar com ela pela vida fora”. No fundo, e como é seu hábito explicar, “a festa acontece hoje, mas não é para hoje”, é antes “uma marca para a vida”, tal como o foi o Batismo, sacramento que nos abriu a porta da Igreja.

Referindo-se ao elevado número de crismandos o prelado, disse tal era  “uma graça para a comunidade”. Claro que houve um caminho que se percorreu, que parece muito longo, mas que na verdade é o necessário. Cada vez mais sabemos, frisou D. António, “que a preparação leva tempo, que nunca é demais e que nunca acaba”. Dando um exemplo prático, o bispo do Funchal falou de alguém que fez um curso de medicina, que recebeu o seu diploma, mas que não termina a sua formação por ai. “É preciso ir completando e procurando desenvolver  os conhecimentos adquiridos.” E foi esse, precisamente o apelo que deixou aos crismandos, “de procurar continuar a aprofundar e a conhecer os ensinamentos de Jesus”. 

Referindo-se à palavra proclamada, o bispo diocesano lembrou que nem sempre esse caminho de continuar a aprofundar a fé é fácil. Aliás, como se dizia no Evangelho, até para Jesus foi dificil. “Até ele se admirou com a falta de fé dos seus”, disse, no entanto, “é no seio da comunidade, onde cada um vive, onde casa um se encontra, que havemos de procurar esta presença viva do Senhor, nosso mestre que nos fala e encaminha.”

Já na primeira leitura, “lembramos como os apóstolos tinham recebido a missão de Jesus de ensinar aos outros aquilo que tinham aprendido de Jesus”. Só que eles não tinham muita força, nem muita coragem para o fazer, até verem a multidão reunida para a festa do Pentecostes judaico. Aí, foram para a rua e começaram a falar de forma a serem entendidos por todos, como se falassem a mesma lingua. Na verdade é isso mesmo que acontece, pois “a lingua da fé é entendida por todos”.

Esta missão que foi dada aos apóstolos é também confiada aos crismandos. Mesmo passando por momentos de fraqueza, de que falava São Paulo na segunda leitura, eles não podem vacilar. De resto o próprio São Paulo dizia “quando eu me sinto fraco conto muito, muito com a força de Deus.”. Por isso é que “quando eu sou fraco é que sou forte, porque a fraqueza é minha e a força é de Deus” frisou D, António. É preciso, pois,  “acreditar e contar com a luz e a força de Deus, para que pelos caminhos da vida não nos sintamos fracos e sem apoios”. 

“Se me perguntarem o que é que vos peço hoje, no dia que recebem o Sacramento do Crisma, respondo que peço duas coisas. A primeira é que continuem a viver pela vida fora como bons cristãos. A segunda é que continuem a participar ativamente na vida da Igreja e da sociedade”, disse ainda o bispo diocesano aos crismandos, a quem lembrou ainda que esta não é apenas “uma questão só de pratica religiosa”, mas deve incluir “outros sinais exteriores da fé que temos e partilhamos” e que nos fazem “sentir a alegria de viver como cristãos”. Sem “pesos e sem cargas”, “mesmo no meio das lutas e das dificuldades da vida”.

O prelado aludiu ainda ao painel do “Cristo Mestre” que está atrás do altar, ao Cristo cruxificado e ao Círio Pascal que, disse, é “símbolo de Cristo vivo, Cristo ressuscitado, luz da fé, luz para nós”. É nesta vela que se acendem as velas do Batismo, que simbolizam a luz que vai “iluminar os caminhos da vida daquele que é batizado”. Uma luz que não podemos deixar apagar, mas que temos de manter viva e ajudar a propagar.

Terminada a crismação individual, D. António deu os parabéns a todos os crismados desejando que “sejam felizes pela vida fora”. Dirigiu-se depois aos padrinhos, a quem lembrou que têm a responsabilidade de continuar a ajudar os afilhados a levar por diante o compromisso assumido, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer momento e circunstância, sendo “testemunho e exemplo”.

No final da Eucaristia o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser “posto ao serviço de todos lá em casa”.