Crismados da Serra de Água querem ser os “apóstolos do século XXI”

Foto: Duarte Gomes

Os 13 jovens que na tarde de domingo, dia 8 de julho, receberam o Sacramento da Confirmação na igreja da Serra de Água, querem ser “os apóstolos do século XXI”, contando para isso com “a força e a coragem do Espírito Santo, que irá descer sobre nós”. Foi isso mesmo que disseram dois deles, em nome dos restantes, logo no início da Eucaristia, presidida pelo bispo do Funchal.

Depois de agradecerem a presença do prelado, os jovens afirmaram que não pretendem se “afastar desta igreja paroquial na qual crescemos, animados na fé” e “esperando até hoje a sua vinda, para que nos seja dado, através de si, o Espírito Santo com todos os seus dons”.

Com o Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento” agendado para outubro, e a Diocese do Funchal a dedicar o presente Ano Pastoral ao tema da “Igreja Jovem, com os Jovens”, os crismandos da Serra de Água consideraram ainda que não podiam “ficar alheios a esta realidade”, porque “sentimos que conta também connosco e queremos, tanto quanto possível, viver comprometidos e empenhados na vida desta nossa paróquia.” 

D. António agradeceu as palavras e as intensões dos jovens e reforçou-as ao lembrar que aquela era de facto “uma festa diferente, de um grupo que se preparou e que tem a alegria e de ver concretizado este sonho e este desejo de receber o Sacramento da Confirmação”.

Como é hábito nestas ocasiões coube ao pároco, o Pe. Isildo Gomes, agradecer formalmente a presença do bispo diocesano na comunidade, apresentar o grupo e lembrar que o mesmo esperava o Espírito Santo que “continua a ser o presente de Deus à Igreja”. Sem o vermos, disse o sacerdote, “aí está ele, atuando e conduzindo a Igreja para o grande desafio missionário, qual fermento a fazer crescer a massa do reino de Deus.”

Os 13 jovens, que o Pe. Isildo chamou um a um, durante “uma caminhada de catequese na família” e “dos 10 anos na comunidade cristã”, procuraram “aprofundar a fé, exercitar-se numa vida de caridade e de solidariedade para com os outros, particularmente na família e na Igreja”. Todos eles, disse o pároco, “têm a consciência de que a vida cristã e a formação religiosa não terminam com este sacramento”. Tanto assim, frisou, que “alguns deles já afirmaram o desejo de servir a comunidade cristã onde se encontram integrados”.

Na homilia D. António Carrilho agradeceu as palavas de acolhimento e apresentação por parte do Pe. Isildo, mas sobretudo o momento em que este deu conta de que alguns jovens já terão assumido o compromisso de continuar a servir a Igreja. É sinal de que perceberam de facto a mensagem de que “todos nós, os baptizados, somos chamados a pôr em prática e a anunciar os ensinamentos de Jesus”.

Quanto ao percurso de catequese feito pelos jovens, o prelado disse que é o tempo certo para preparar um momento tão importante, e que “o que é importante tem de ser convenientemente preparado”.

O facto dos jovens terem sido chamados um a um pelo nome, também foi mencionado por D. António, que considerou que tal conferiu um “sabor especial” à celebração. Por outro lado, ao responderem presente, os jovens mostraram, perante a comunidade, que “sentiram o apelo de Deus, ele que os trouxe aqui para receber a graça do sacramento”, mas que “também daqui vos envia para levar a outros a mesma graça”.

Referindo-se à palavra proclamada, o bispo do Funchal referiu-se precisamente ao profeta Ezequiel, ele que “se sentiu também chamado pelo seu nome”, para “levares ao Meu povo as palavras que eu te direi”. 

Essa é também a missão dos crismandos, nos vários meios em que estão inseridos, desde a família, à comunidade, passando pelos grupos de amigos. É por isso, que o tempo de catequese é também tempo de preparação dessa mesma missão, porque “faz-nos pensar e repensar, aquilo que Jesus viveu, aquilo que Ele fez, aquilo que Ele disse, aquilo que Ele ensinou” e o que pediu aos apóstolos: “ide e ensinai”. 

É por isso que “não estamos apenas a ensinar doutrina”. Estamos ajudar cada um a encontrar a sua felicidade, “no caminho que tem de percorrer, com dificuldades, lutas e problemas, mas também com alegrias”, disse o prelado.

De resto, o caminho pode não ser fácil, mas tal como dizia São Paulo na 2ª leitura, é na fraqueza que se sentia forte, porque “a luz e a força de Deus era aquilo que o ajudava a viver”.  E foi esse o desafio que o bispo do Funchal deixou aos Jovens da Serra de Água, de quem disse esperar muitas coisas, mas as principais é que “vivam como bons cristãos” e que “participem na vida da Igreja e da sociedade”, pondo ao seu serviço aquilo que “cada um vive e aprende”. Afinal, para além de anunciar com palavras, há que “anunciar com o exemplo da nossa vida”. 

Terminada a crismação individual, D. António deu os parabéns a todos os crismados desejando que “não esqueçam esta tarde diferente e esta marca do Crisma, que decorre da marca do Baptismo e que nos guia ao altar da Eucaristia, como alimento para o nosso caminho”. 

Dirigiu-se depois aos padrinhos, a quem lembrou que têm a responsabilidade de continuar a ajudar os afilhados a levar por diante o compromisso assumido, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer momento e circunstância.

A cada um dos crismados D. António Carrilho pediu ainda para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo, ou do sábado à tarde. Pediu também para que se rezasse pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, pelo seminário e pre-seminario.

No final da Eucaristia o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser “posto ao serviço de todos lá em casa”.