Bispo do Funchal pediu aos crismandos da Quinta Grande para “saborear o que a vida lhes traz com a força da fé”

Foto: Duarte Gomes

A comunidade paroquial da Quinta Grande viveu este sábado, dia 7 de junho, momentos de festa com a presença do bispo do Funchal. D. António Carrilho presidiu à Eucaristia no decorrer da qual confirmou na fé 31 jovens, 29 daquela paróquia e dois de outras comunidades paroquiais.

No início da celebração um jovem falou em nome do grupo, para agradecer a presença do prelado e para dizer que “finalmente havia chegado o dia tão esperado”. E esperado por muitas razões, entre as quais por ser aquele em que iriam “receber o Espírito Santo em toda a sua plenitude”, com todos os seus dons e carismas e através dele “a força, a coragem e o entusiasmo”, para “sermos discípulos missionários e nos identificarmos cada vez mais com Cristo.”

D. António agradeceu as palavras e enalteceu o facto dos jovens estarem cientes de que é preciso de facto, e tal como foi dito, “receber o Espírito Santo que nos dá força, coragem e entusiamo para viver a nossa  fé e darmos testemunho, anunciarmos Jesus”.

Depois de benzer a água e aspergir os muitos fiéis presentes, o prelado lembrou que este gesto recorda o Batismo, que nos tornou “Igreja de Deus, família de Deus, filhos de Deus”.

Logo depois coube ao Pe. Adelino Costa, Pároco da Quinta Grande, agradecer a presença do bispo do Funchal a qual, disse, “dá-nos alegria e edifica-nos na fé”. Passou depois à apresentação do grupo, referindo que os jovens fizeram a preparação normal de 10 anos de Catequese e também um acompanhamento com alguns encontros de formação, de oração, conduzidos pelas irmãs da Verbum Dei. 

Ainda assim, o Pe. Adelino reconheceu, perante a comunidade e o seu pastor, que durante este percurso nem todos atingiram o mesmo grau de preparação, e que todos necessitam de “um tempo especial de maturação, destinado sobretudo à interiorização da fé e a um maior contato intimo com o mistério de Deus, nomeadamente pela leitura orante da Palavra e a vivência dos sacramentos”. Ainda assim, garantiu, que todos eles estavam cientes do dom que se preparavam para receber.

Disse também que há um grupo que já se inscreveu para formar uma Equipa Jovem de Nossa Senhora, o que é um sinal de que querem continuar ligados à igreja e continuar a crescer na fé.

Na homilia D. António agradeceu a forma “concreta e verdadeira” como o Pe. Adelino Costa fez a apresentação do grupo, reconhecendo que a preparação foi feita, mas que “nem todos aproveitaram da mesma maneira”. Ainda assim “todos querem receber o Sacramento da Confirmação”, disse o prelado, esperando que tal seja sinónimo de “compromisso de continuarem a aprofundar a própria fé e a viverem aquilo que aprenderam”. E isto porque, “não basta saber, é preciso pôr em prática”. 

O prelado mostrou ainda a sua alegria por haver um “um grupo que já manifestou o desejo e o compromisso, de continuar a aprofundar alguns temas da nossa fé cristã e de confiar a vida à proteção especial e materna de Nossa Senhora Senhora, através da formação de uma Equipa Jovem de Nossa Senhora”. 

Referindo-se ao percurso que estes jovens fizeram D. António frisou que “os 10 anos de catequese não são para entreter”, nem para “gastar o tempo”. É antes um período que se entende ser o necessário para “transmitir um ideal de vida” e para “aprofundamento da fé”. É um percurso para todos, que pode ser feito com mais ou menos dificuldades, mas que deve ser coerente e levar a que possamos “saborear as alegrias, aquilo que de bom a vida nos traz, mas fazê-lo de forma coerente e sobretudo com a força da fé. Uma fé viva, que nos dê a tal coragem e entusiamo” de que se falava no início da celebração. 

Referindo-se à palavra proclamada, o bispo diocesano lembrou as palavras do profeta Ezequiel que dizia que Deus viria “reunir a família humana dispersa, num só povo e purificaria cada um por dentro, com uma água viva.” E que a partir daí cada um teria um coração novo e um espírito novo. Um coração que deixaria de ser de pedra para passar a ser de carne, “um coração tornado sensível, atento aos outros e capaz de amar”.

O prelado aludiu ainda ao Círio Pascal que, disse, é “símbolo de Cristo vivo, de Cristo ressuscitado, luz do mundo, luz para nós”. É nesta vela que se acendem as velas do Batismo, que simbolizam a luz que vai “iluminar os caminhos da vida daquele que é batizado”. Uma luz que não podemos deixar apagar, mas que temos de manter viva, para que nos ajude “a sabermos onde pomos os pés, o que é que podemos e o que não podemos fazer”. 

Uma luz que é também compromisso. Primeiro assumido pelos pais e padrinhos, e mais tarde confirmados por cada um através do Crisma. Um momento que nos ajuda também a perceber que, na vida, existem caminhos do bem e caminhos do mal e que, enquanto crismados, devemos procurar seguir pelos caminhos do bem. Esse é o “caminho da consciência, da luz do Espírito Santo dentro de nós”.

Terminada a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados e dirigiu-se depois aos pais e em especial aos padrinhos, a quem lembrou que têm a responsabilidade de continuar a ajudar os afilhados a levar por diante o compromisso assumido, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer momento e circunstância.

No final da Eucaristia o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser “posto ao serviço de todos lá em casa”.

Além disso, e tal como aconteceu no Campanário, paróquia que está também à responsabilidade do Pe. Adelino Costa, cada Crismado recebeu um terço.