Idosos: Que futuro? Privilegiar seus domicílios

D.R.

Por P. Armando Soares

Convenção Nacional de Saúde

1. Nos dias 7-8 junho 2018, na Culturgest, em Lisboa, reuniram cerca de 40 entidades, de natureza pública, privada e social para um debate cujo objectivo era definir um pacto para a saúde em Portugal. Sob a égide da Convenção Nacional de Saúde (CNS) e a União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

O aumento da longevidade da população e a prevalência de doenças crónicas – associado à persistência no tempo do subfinanciamento da saúde em Portugal, constituem um dos grandes desafios colectivos a que a Convenção quer dar resposta. Deste modo abrem-se à colaboração onde “todos os parceiros da saúde – profissionais, parceiros públicos, privados e sector social, associações de doentes, responsáveis políticos, imprensa, centros de investigação e universidades – e todos os cidadãos poderão dar seu contributo para este grande desígnio”.

Humanizar as soluções

2. Misericórdias e UMP enfrentam hoje o desafio para a inovação social, procurando respostas adequadas às necessidades de uma sociedade em constante mudança. Precisamos de melhorar os serviços e modernizar os processos. Necessitamos de falar nos afetos sob pena de construirmos soluções eficientes, mas desumanizadas. É indispensável um enquadramento humano que aprofunde e dê sentido à nossa acção, valorizando projectos de voluntariado que deem particular atenção aos jovens. Devemos reforçar a nossa capacidade de intervenção junto daqueles que servimos. E devemos apostar de forma decisiva no voluntariado, para dar dimensão humana às soluções que formos enfrentando, para além de criar novas respostas sociais com recurso a dispositivos tecnológicos. 

Envelhecimento em casa

3. Alguns projectos das Santas Casas já estão sendo postos em prática segundo o livro “Ageing in Place – Boas práticas em Portugal”: apoio domiciliário nocturno, ludoteca itinerante, fisioterapeutas que vão à aldeias, transportes públicos à medida das necessidades de cada um ou a prestação de cuidados e serviços a idosos que se encontrem no seu domicílio, são alguns dos exemplos de boas práticas que nos são dados a conhecer neste guia elaborado entre setembro 2017 e maio 2018. Segundo nota introdutória do livro ‘Ageing in Place’, já grandes áreas no país “promovem a inclusão social dos cidadãos mais velhos nas comunidades em que residem, valorizando o envelhecimento em casa e na comunidade com segurança e de forma independente”. O envelhecimento em casa partiu do professor da Faculdade de Educação e Psicologia da UCP, António da Fonseca, logo apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela UCP.

Apoio nas suas residências

4.”Misericórdia ou Santa Casa é o espaço comum onde todos podem dar e receber, consoante as suas possibilidades ou necessidades”, declarou Vítor Milícias. Misericórdias são instituições a quem as pessoas deixam seus bens porque sabem que vão ser aplicados em favor dos mais necessitados. O povo diz: “A nossa Misericórdia”. Silva Peneda referiu “o envelhecimento como um dos grandes desafios colocados hoje às instituições sociais. Para ajudar a resolver esta questão, o ex-Ministro do Trabalho e da Segurança Social defende que terão de ser encontradas formas de apoio nas suas residências”.

 “Ou transformamos o país num imenso lar ou encontramos respostas em casa das pessoas”.

O Presidente da UMP, Manuel de Lemos acentuou “vamos ter um especial cuidado na defesa dos nossos valores e do que somos;  força das Misericórdias radica na celebração da vida”.

Privilegiar as soluções do tipo domiciliário

5. O Presidente da UMP prosseguiu: “Temos de ver o envelhecimento de forma integrada, encarando-o como uma nova etapa da vida e desenhar soluções apoiadas no apoio domiciliário”. E José Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: “Temos de fazer uso de ‘todas as ferramentas’ existentes visando “diminuir a percentagem de população que recorre a respostas de natureza institucional e aumentar a percentagem da população servida por soluções do tipo domiciliário, de forma a “acrescentar vida aos anos que a vida nos acrescenta”.

Para manter os idosos em casa temos de responder às necessidades sociais e de saúde. O apoio domiciliário sem a saúde e o social juntos é uma utopia. Há que definir prioridades e distribuir tarefas no sentido de ter a pessoa na sua própria casa durante o maior tempo possível e com cuidados de qualidade. “Os lares e as unidades de cuidados continuados devem ser fins de linha”.